Alquimia, um pequeno esboço

Durante os últimos trezentos anos, a alquimia tornou-se generalizadamente o exemplo padronizado para dizer que tudo o que, mesmo de longe, se relacionasse com o esoterismo, nada mais era do que uma superstição a imaginação de mentes doentias. A alquimia era denunciada como a arte de criar ouro e aqueles que a praticavam, era considerados, na melhor das hipóteses, como tolos, charlatães, e mentirosos. É verdade que havia muitos charlatães na alquimia, mas no seu sentido direto a alquimia é a “arte real”, a disciplina esotérica par excellence e a mais profunda tentativa para concretizar a mensagem da Tábua de Esmeralda de Hermes Trismegisto.

O nome alquimia (da qual também provém a palavra química) vem do árabe el Kymia. Essa palavra, por sua vez, tem origem na língua grega e significa “o país negro”, expressão que na época era usada para mencionar o Egito. Através disso se percebe que a alquimia é uma herdeira dos egípcios, e, no mais verdadeiro sentido da expressão, “a arte hermética”.

A má fama à qual estiveram sujeitos os alquimistas por tanto tempo foi em parte culpa deles mesmos, visto que costumavam escrever seus livros e fazer suas anotações com uma escrita tão codificada que era necessário muito esforço e muita perseverança para desvendar, parcialmente, os seus segredos. Nesse sentido, devemos muito ao psicólogo C.G. Jung

A alquimia defende a mesma tese básica de Hermes Trismegisto, ou seja, que tudo neste mundo, em última análise, é uma coisa só e que provém da mesma matéria-prima. Se esta frase for tomada como verdadeira, logo se coloca naturalmente a pergunta: por que então nosso mundo é composto das matérias e formas mais variadas, se afinal tudo se resume a uma mesma coisa? A resposta é: devido à transformação, à sublimação, à transmutação das matérias originais, ou seja, da prima matéria.

Alchimia

Os alquimistas se impuseram a tarefa de decifrar o enigma da matéria. Nesse sentido, para eles era natural aquilo que a nossa física conhece há relativamente pouco tempo, ou seja, que matéria e energia são, em essência, a mesma coisa. Com isso, no entanto, se abre mais uma perspectiva: se o ouro, o mais nobre e valioso de todos os metais, originalmente provém do mesmo material que a mais ordinária e repulsiva matéria, então certamente existe um processo para transformar o que não é nobre no que o é. Além disso, esta possibilidade de transmutação não é dada apenas para a matéria palpável e visível, mas também para tudo o que for espiritual, portanto para a alma e a personalidade humanas, inclusive. Desse forma, também o homem pode elevar-se dos âmbitos inferiores do primitivismo e, através do processo necessário, transformar-se em “ouro”; aqui vemos uma concordância visível com o Mito de Pã e Hermes. Portanto, a alquimia é a técnica da iniciação cujo objetivo afinal é a união dos homens com sua força básica original (divina).

O ponto de partida para essa mudança (transmutação) é o chumbo alquímico representado pelo seu símbolo, Saturno, que também representa o nosso corpo. O corpo, o “caos”, é dominado por relações e reflexos inconscientes; ele é um campo de jogo para as paixões e as emoções descontroladas, ou seja o nosso lado animalesco. Através de constantes aprimoramentos, esse chumbo é transformando em ouro. O ouro, com seu símbolo, o Sol, significa neste contexto a grande organização cósmica. O objetivo da transmutação é a “pedra filosofal”, o conhecimento da unidade que significa a iluminação. O homem separado da essência de seu Ser original encontra a unidade perdida com a pedra filosofal. A separação, a dualidade se tornam outra vez um fluxo de força da polaridade, cujo símbolo é tanto o andrógino masculino como o feminino , ou o hermafrodita. Quem possui a pedra filosofal, transforma-a em ouro, é imortal, ou seja, saudável e um com o cosmos.

O laboratório do alquimista é, portanto, um modelo do mundo no qual vivemos. Tendo em vista esse modelo, ele estuda as condições e leis que nele vigoram. As palavras de Hermes Trismegisto: “Em cima, como embaixo”, também aqui têm seu valor.

Para o processo de transmutação, o alquimista precisa de três elementos, ou forças, básicos. O sal (Terra) significa, numa analogia com o corpo humano, o chumbo, ou antes, o estado fixo em que este se encontra. O mercúrio (Mercúrio) personifica um estado mais fluido da matéria, a alma, o feminino; e o enxofre (Enxofre) representa a energia vivificante, estimulante, o masculino.

A transmutação é feita através de um processo em quatro etapas. A primeira etapa é a da “separação”. Esta etapa confirma que o homem é um indivíduo, um sujeito no mundo em que ele vive, e observa o outro como um oposto (objeto). Na “obra negra” é preciso que o homem se entregue, isto é, se retire do centro, o que se assemelha à experiência da morte. Esta primeira etapa possui vários nomes na Ciência Hermética: “calcinação”, “trevas”, “morte”, “putrefação” ou “noite”.

O Dicionário Alquímico fornece poucos elementos concernentes à obra em branco, “segunda cor da Obra, que corresponde ao segundo grau do fogo”. A “pedra dos filósofos”, após ter passado pelo primeiro estágio de “putrefação”, embranquece e perde seus odores nauseantes. Esta Segunda Etapa, dita “estágio da Lua”, devido à sua brancura, é simbolicamente dedicada à “Ísis”, deusa lunar e à prata. Mas esta segunda fase é, sem dúvida, uma das mais complexas, porque se o lado feminino e lunar prevalecem na primeira parte desta etapa, dita fase do branco, a segunda parte é chamada “hermafrodita”, porque “o enxofre e o mercúrio dos filósofos”, chamados “rei” e “rainha” equilibram-se e unem-se. Esta fase tão importante é a do reencontro, da união mística ou “núpcias alquímicas”.

Certamente, a descrição do processo é expresso por variantes devido às técnicas diferenciadas, figuradas pela via externa ou a via interna. De fato, esta Segunda fase, de acordo com Saint Martin corresponde à comunicação com o Santo Anjo Guardião, a “reconciliação”.

O Anjo ou Mestre (não importa o nome), é semelhante àquela estrela que guia o peregrino. O artista se liga à aparição do “anjo terrestre”. Unido em seu coração, deve preservar, dirigir e vigiar. Ser o guardião e o mentor do artista.

Esta segunda fase da obra interior ou alquímica é concluída com a etapa da união do “rei” e da “rainha”. A terceira fase pode, então, ocorrer. A Operação amarela. Depois que renuncia ao ego nessa etapa, o Eu superior tem de abrir-se para a próxima etapa, a “obra vermelha”, e aprontar-se para a ligação com as energias cósmicas.

No “voo do dragão”, acontece a unidade através da união de todos os opostos. O alquimista atinge sua meta, a transformação da prima matéria em ouro, por meio da “pedra filosofal”.

As núpcias da terceira etapa, entre o Espírito de Deus e a alma do homem, semearão aquilo que será o ouro espiritual…

ALQUIMIA & ESPAGIRIA

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3 Comentários


  1. NO que se refere a primeira etapa da transmutação de se entregar ,retirar -se do centro.
    É reconhecer quem realmente é ele e quem é seu ego?
    Ou é outra interpretação?
    Obrigado!

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  2. e possivel eutrilhar o caminho da alquimia com essas preturbações espirituuaais na cabeça costa problemas no chacra umbilical etc etc etcc como si curar e trilhar o caminho iniciatico da alqquimia com o corpo meio doente

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