Definições e Propriedades do Mercúrio na Alquimia

Quando estudamos Alquimia, aprendemos que o Mercúrio é uma coisa que dissolve os metais por uma dissolução natural, e que leva os espíritos da potencialidade à atualidade.

O Mercúrio é aquela coisa que torna o material dos metais lúcido, claro e sem sombra, quer dizer, que os limpa de impurezas, e retira do interior dos metais menos perfeitos sua natureza e germe que está ali oculto.

O Mercúrio solvente é um vapor seco, de modo algum viscoso, tendo muita acidez, muito sutil, muito volátil ao fogo, tendo a grande propriedade de penetrar e dissolver os metais. Ao prepará-lo, e ao fazer esta dissolução, além da extensão do trabalho, corre-se um grande perigo, diz Filaleto. Por conseguinte, adverte que se tome cuidado com os olhos, ouvidos e nariz.

A confecção deste Mercúrio, acrescenta o mesmo autor, é o maior segredo da Natureza, e mal se pode entendê-lo, exceto pela revelação de Deus, ou de um amigo; pois nunca se teria sucesso pela orientação dos livros, apenas.

O Mercúrio Solvente não é o Mercúrio dos Filósofos antes de sua preparação, mas só depois, e é o começo do remédio de terceira ordem (Remédio de Terceira Ordem é a preparação da Pedra que os Filósofos chamam Multiplicação… Este Remédio leva a Pedra à sua perfeição e multiplica-a tanto em quantidade quanto em qualidade… também se chama remédio de ordem superior. – Pernety).

Os que, em vez deste mercúrio, empregarem para a Obra Filosofal o mercúrio natural, ou sublimado, calcinado ou precipitado, estão grandemente enganados.

O Mercúrio Solvente é um elemento da terra, onde é necessário plantar a semente do ouro. Corrói o Sol, o putrefaz, resolve-o em Mercúrio, e torna-o volátil e semelhante a si. É transformado em Sol e Lua, e torna-se como os mercúrios dos metais. Retira a alma dos corpos, leva-a e as coze. Por esta razão, os antigos Sábios diziam que o deus Mercúrio atraía a ama dos corpos vivos e as levava ao reino de Plutão. É por isso que Homero muitas vezes chama Mercúrio (Α’ ργειοόνζηϛ) de Arquicida.

O Mercúrio Solvente não deve ser seco, pois se o for todos os Filósofos asseguram-nos que ele não será adequado para a dissolução. Vem a ser necessário tomar um germe feminino, em forma similar à dos metais. A arte transforma-o no Menstrum dos metais; e pelas operações do primeiro remédio, ou de sua preparação imperfeita, passa por todas as qualidades dos metais, mesmo por aquelas do Sol. O enxofre dos metais imperfeitos o coagula, e leva as qualidades do metal cujo Enxofre o coagulou. Se o Mercúrio Solvente não for animado, em vão será empregado para a Obra, universal ou particular.

Em Alquimia, o Mercúrio Solvente é o Vaso Único do Filósofo, em que todo o Magisterium é cumprido. Os Filósofos lhe deram nomes diferentes, dos quais os seguintes são os mais usados:

Vinagre dos Filósofos; Campo; Aludel; Água; Água da Arte; Aguardente; Água Divina; Água de Fonte; Água Purificadora; Água Permanente; Primeira Água; Água Simples; Banho; Céu; Prisão; Pálpedra Superior; Crivo; Fumaça; Umidade; Fogo; Fogo Artificial; Fogo Corrosivo; Fogo Antinatural; Fogo Úmido; Jordão; Licor; Licor Vegetal Bruto; Lua; Matéria; Matéria Lunar; Primeira Potência; Mãe; Mercúrio Bruto; Mercúrio Preparado; Primeiro Ministro; Servo Fugitivo; Ninfas; Bacantes; Musas; Mulher; Mar; Espírito Bruto; Espírito Cozido; Sepulcro; Esperma do Mercúrio; Água do Estige; Estômago de Avestruz; Vaso; Vaso dos Filósofos; Inspetor das Coisas Ocultas; Mercúrio Bruto tomado de sua mina.

Mas não se deve esquecer que este Mercúrio não é o vendido em lojas comuns. Quando a conjunção do Mercúrio com o corpo solúvel é feita, os Filósofos falam dos dois como uma coisa só; e depois dizem que os sábios encontram no Mercúrio tudo o que é necessário para eles. Portanto, não se deve permitir ser enganado pela diversidade dos nomes; e para advertir contra erros deste tipo, alguns dos principais nomes serão aqui dados:

Água Espessada; Nossa Água; Segunda Água; Arcanum; Mercúrio; Bondade que tem vários nomes; Chaos Hilè; Nosso Composto; Nossa Confecção; Corpo Confuso; Corpo Misto; Cobre; Aes dos Filósofos (Latão Filosofal); Latten; Esterco; Fumaça Aquosa; Umidade Ígnea; Fogo Estranho; Fogo Antinatural; Pedra; Pedra Mineral; Pedra Única; Matéria Única; Matéria Confusa dos Metais; Mênstruo; Segundo Mênstruo; Mina; Nossa Mina; Mina dos Metais; Mercúrio; Mercúrio Espessado; Moeda; Ovo; Ovo Filosofal; Raiz, Raiz Única; Pedra conhecida nos Capítulos dos Livros.

Por fim, é com sua mistura, ou Mercúrio, que a maioria dos autores começa seus livros e tratados sobre a Obra.

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6 Comentários


  1. Devo admitir que muito do que aqui é dito ainda guarda um significado hermético para mim.

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  2. O Mercúrio é pesado, fixa o Sal, está alterado pelo Enxofre, e por tudo isso é o último a atravessar o Putrefactio.

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  3. Tenho alguma duvida sobre a matéria. Se entendi bem, o Autor refere-se ao mercúrio não metálico. Acho estar a referir-se do mercúrio que é a agua viva ou agua que dá vida. minha pergunta é… estaria o autor a referir-se de um dos subprodutos de ORMES? Ou da água que jorra das torneirinhas humanas, não sendo o Xixí ( urina)?

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    1. Boa tarde. (13:24 – 29/07/2016)
      A Escola Alquímica só ensina por analogias e por esforços físicos. A procura de efeitos miraculosos sem reflexão e trabalho é infrutífera e conduz ao limbo. Foi assim desde o princípio e continuará sendo. A Espagíria citada, como as demais , logra efeito somente se o Sal for volatizado. À semelhança de antigo adágio podemos dizer que: Se escreveres segredos à Terra, as intempéries irão apagar.
      Bons links.

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