Do Monte Sinai até o Templo de Jerusalém

egipcios - Alquimia Operativa

O legado dos mistérios egípcios não foi confiado apenas ao mundo helênico, mas também – de uma outra maneira, e com outro intuito – ao enigmático povo Judeu. Como o Cristianismo proveio da religião Judaica, que nos dois últimos séculos impregna a cultura espiritual do hemisfério norte, esse povo, ao lado dos gregos, foi a segunda coluna-mestre do espírito ocidental e do seu esoterismo. Nada impede que de um ponto se irradiem dois caminhos, e que estes, depois de certo tempo, tornem a se unir!

Na Bíblia, o Velho Testamento conta detalhadamente a história desde o povo judeu até o mundo cristão: do tronco de Abraão nasceram doze tribos. A Bíblia também conta que, durante certo tempo, esse povo viveu escravizado no Egito, até que um homem chamado Moisés, criado na corte do faraó e que havia cursado a escola dos mistérios dos sacerdotes, os libertou dessa vida de escravidão. Então, o povo judeu passou vários anos no deserto vivendo como nômade e foi no deserto que o próprio Deus lhe deu os mandamentos. Daí em diante, o deserto passou a representar o centro em que se desenrolavam suas vidas e onde esses homens seguiam os mandamentos divinos.

Depois que Moisés morreu, o povo dirigiu-se para a margem do Jordão, conquistou os povos que ali viviam, construindo uma cidade própria, com seu próprio rei. O mais poderoso e influente dos seus reis foi Salomão, que construiu um Templo para Deus na cidade de Jerusalém como uma manifestação visível do espírito de Deus ao povo. Uma das características mais marcantes desse povo foi sua tenacidade e perseverança na manutenção da tradição, o que representou para o esoterismo ocidental, em mais de um sentido, um sinalizador, ou seja, um guia do caminho. O povo judeu nunca conseguiu integrar-se no mundo romano; ele se manteve à parte, isolado de todos os povos que se reuniam sob a unidade romana, representando uma exceção, o que inevitavelmente levou ao conflito. Este conflito foi resolvido a favor de Roma quando, finalmente, no ano 70, houve a destruição do Templo pelo imperador Tito e a expulsão do povo judeu de sua pátria.

A importância do povo judeu não está só no fato de ele ter elaborado as bases até que delas pudesse surgir o cristianismo, mas no fato de que, de uma outra maneira específica, os judeus também eram os guardiões da antiga tradição egípcia. Esse legado é, antes de mais nada, a cosmogonia secreta da cabala, sobre a qual falarei mais adiante com mais detalhes.

A colonização do povo judeu no antigo Egito é historicamente comprovável, embora muitos pesquisadores suponham que existia uma correlação entre os judeus e o lendário povo dos hicsos, que durante algum tempo dominaram o Egito e até mesmo elegeram faraós. No entanto, a probabilidade de que na história bíblica haja uma semente de verdade é grande: o nome Moisés surgiu da língua egípcia. Numa observação mais atenta, pode-se verificar uma concordância entre a religião judaica e a egípcia, mesmo que à primeira vista elas se apresentem de modo diametralmente oposto. A característica da religião egípcia era o grande número de deuses, ou, em outras palavras, formas divinas em que se expressam as múltiplas forças e energia cósmica. Os iniciados das escolas sacerdotais sabiam muito bem que esse mundo dividido de deuses nada mais era do que a expressão de um principio de unidade, de um Deus que rege todo o universo. Podemos supor que a revelação e o conhecimento desse Deus único fosse um objetivo da iniciação. O mundo multiforme dos deuses era, portanto, a manifestação da crença exotérica egípcia; e o lado esotérico era o conhecimento desse Deus único onipresente. Na religião judaica, nos deparamos com um sistema exatamente oposto. O Deus que tudo abrangia e tudo comandava era adorado exotericamente pelo povo. O ensinamento secreto interior, no entanto, baseava-se no fato de que o todo-poderoso se manifestava através de várias formas de energia; tal como no mundo dos deuses egípcios elas se manifestavam através de vários nomes de deuses.

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