O Neoplatonismo, Apolônio de Tiana

plotino - Alquimia Operativa

Por mais importante e significativo que seja o confronto entra a Igreja e a Gnose dentro do cristianismo que, cada vez mais acentuadamente, tratava de participar do poder nos estados romanos, não podemos perder de vista o fato de que o antigo paganismo continuava vivo. Apesar de cada vez mais perder sua importância cultural e seu significado, ele defendia seus conceitos numa escola denominada neoplatonismo. Como o próprio nome diz, o neoplatonismo adotou as idéias de Platão e, correspondentemente, as particularidades da época romana tardia, tentando mantê-las vivas. Isso significa que o neoplatonismo também participava desse raciocínio e do espírito da época, surgindo no helenismo que provinha de fontes orientais.

O neoplatonismo está, antes de tudo, associado ao nome de Plotino, que foi seu principal representante. Os neoplatônicos ensinavam, como os gnósticos que a alma humana havia se separado de Deus ou do divino e, ao mesmo tempo, seguindo a lei da gravidade, caíra das esferas divinas, ficando presa no âmbito material. Portanto, a tarefa da alma é soltar-se da prisão material e, finalmente, unir-se outra vez com o divino.

Plotino afirmou ter conseguido essa união por quatro vezes. As exigências para que isso aconteça são, ou uma correspondente mudança de vida, que tem de se distanciar o máximo possível das necessidades materiais (inclusive mantendo a ascese sexual), ou a introdução de forças espirituais sobrenaturais. Para os neoplatônicos, como na religião dos antigos, a natureza tinha vida e o plano intermediário entre o divino e o humano estava povoado por diferentes seres espirituais ou mundos dos espíritos, que ligavam os dois âmbitos. Através da necessária purificação, os neoplatônicos conseguiram entrar em contato com os mundos espirituais.

Plotino foi o representante do ramo filosófico do neoplatonismo, e Apolônio de Tiana torno-se a figura simbólica dessa orientação mágico-religiosa. O aparecimento e a vida de Apolônio de Tiana apresentam tantos paralelos notórios com Jesus Cristo que surge outra vez a tese de que ele talvez nem tenha vivido de fato, ou que, conscientemente, foi transformado num anti-Jesus pagão. Durante sua vida, Apolônio fez várias viagens para terras distantes, que o levaram até a Babilônia e a Índia, e em cada lugar ele estabeleceu contato com as vibrações espirituais ali existentes. A história da sua vida foi cercada de lendas e maravilhosas virtudes mágicas. Para o esoterismo, Apolônio de Tiana ainda hoje é uma figura simbólica significativa. Os escritos transmitidos e assinados por ele provavelmente são falsos.

Ambas, Igreja e Gnose, ensinavam que existe uma dualidade entre Deus e o reino humano. A Igreja explicava essa polaridade como algo intransponível, se visto da perspectiva humana. Para que se pudesse estabelecer uma ligação, havia necessidade de um mediador, como Jesus Cristo, ou a Igreja com seus sacramentos e suas obras de misericórdia. A Gnose percorre outro caminho. Para ela, a polaridade é divino-humana, entendida várias vezes como a dualidade entre espírito e matéria, em nada intransponível; ao contrario, o homem, através do árduo esforço pessoal, pode estabelecer outra vez o contato, ou unir-se com a esfera divina. A Igreja ensina a salvação a partir de fora; a Gnose indica o caminho da auto-salvação ou, melhor dizendo, o caminho da autolibertação.

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