Operações da Natureza

Sublimação, destilação e convocação são os três instrumentos ou métodos de operar que a Natureza emprega para perfazer suas obras. Pela primeira, lança fora a umidade supérflua, que sufocaria o Fogo, e obstacularia sua ação na terra ou matriz.

Pela destilação ela devolve à terra a umidade da qual a vegetação ou o calor a privou. A sublimação é feita pela elevação dos vapores pelo ar, onde se condensam em nuvens. A segunda é feita pela chuva e orvalho. O bom tempo sucede à chuva, e a chuva ao bom tempo, alternadamente; uma chuva contínua inundaria tudo: o perpétuo tempo ensolarado secaria tudo. A chuva cai gota a gota, porque se caísse muito abundantemente destruiria tudo, como um jardineiro que aguaria seus grãos sempre aos baldes cheios. Assim, a Natureza distribui seus benefícios com peso, medida e proporção.

A convocação é uma digestão dos humores brutos instilada nas entranhas da Terra, um amadurecimento e uma conversão deste humor em alimento, por meio do seu fogo secreto.

Estas três operações estão de tal modo interligadas, que o fim de uma é o começo da outra. O objetivo da sublimação é converter uma coisa pesada em uma leve; e a exalação em vapor; reduzir uma substância espessa e impura, e despojá-la de suas fezes; fazer com que estes vapores assumam as virtudes e propriedades das coisas superiores; e por fim liberar a Terra de um humor supérfluo que seria obstáculo para suas produções.

Mal estes vapores estão sublimados, condensam-se em chuva, e, mesmo sendo espirituais e invisíveis, tornam-se num momento depois corpo denso e aquoso, para cair de novo na Terra e encharcá-la com o néctar celestial com que ficou impregnado durante sua estada no ar. Assim que a Terra o recebe, a Natureza trabalha para digeri-lo e amadurecê-lo.

Cada animal, o menor verme, é um pequeno mundo onde estas coisas têm lugar. Se o homem estudar o mundo fora de si mesmo, ele vai encontra-lo em todo lugar. O criador fez uma infinidade deles, da mesma matéria, apenas sua forma sendo diferente. Assim, a humildade torna-se o Homem, e a glória pertence apenas a Deus.

A Água contém um fermento, um espírito, uma vida, pelo que se tornou impregnada enquanto vagava pelo ar, que procede das naturezas superiores para as inferiores, e que por fim é depositada no centro da Terra. Este fermento é um germe da vida, sem o qual os homens, os animais e os vegetais não poderiam viver e produzir. Tudo na Natureza respira; e o homem não vive apenas do pão, mas por este espírito aéreo que ele continuamente inala.

Deus e a Natureza, Seu ministro, apenas eles sabem comandar os elementos materiais primitivos dos corpos. A arte não conseguiria  se aproximar deles. Mas o três, que resultam deles, tornam-se sensíveis na resolução dos Mistos. Os químicos os chamam de Enxofre, Sal e Mercúrio. Estes são os elementos que têm princípio. O mercúrio é formado pela mistura de Água e Terra; o Enxofre, pela Terra e Ar; o Sal, do Ar e da Água condensados. O Fogo da Natureza é acrescido a estes como princípio formal. O Mercúrio é composto de uma Terra oleosa e viscosa, e de uma Água límpida; o Enxofre, de uma Terra muito seca e sutil, misturada com a umidade do Ar; o Sal, de uma Terra espessa e pesada e um Ar grosseiro que está finamente misturado a ela.

Demócrito disse que todos os Mistos eram compostos de átomos; esta crença não parece estar longe da verdade, quando notamos o que a razão dita e a experiência nos demonstra. Este filósofo, como os outros, verificou, sob esta obscura maneira de se explicar, a verdadeira mistura dos Elementos, que para se conformarem com as operações da Natureza, deve ser feita intimamente, ou como dizemos, per mínima et actu indivisibilia corpuscula. Sem isto, as partes não fariam um todo contínuo. Os Mistos são resolvidos num vapor muito sutil por destilação artificial; e a Natureza não seria um artífice mais habilidoso que o homem mais experiente?

Isto é tudo o que Demócrito quis dizer.

ALQUIMIA & ESPAGIRIA

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5 Comentários


  1. Gostaria de saber como faço para participar da fraternidade alquimia.

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