Os Cátaros

cataros - Alquimia Operativa

Dando sequência à nossa série de posts dedicados à História do Esoterismo, vamos falar um pouco sobre os Cátaros.

Quase ao mesmo tempo em que a Ordem dos Templários era destruída, travava-se no sul da França uma outra batalha destrutiva contra uma comunidade religiosa, na qual também vinham à tona resquícios de uma espiritualidade gnóstica. Os membros dessa comunidade eram conhecidos pelo nome de cátaros (do grego: Katharos, “puro”), e se destacavam por um estilo rígido de pensamento e de vida. A visão dos cátaros demonstrava ser nitidamente dualista.

Os cátaros reverenciavam um Deus bondoso da Luz, que era o guardião de todos os mundo invisíveis e dos seres divinos. Opondo-se a ele, existia um Deus das Trevas, como o guardião primordial dos elementos materiais, do mundo visível e, principalmente, do mal. Isso lavava a uma divisão entre o bem e o mal, levava a dois mundos, entre os quais não podia haver ligação possível, onde só havia uma opção: ou um ou outro. Nessa intensa dualidade, que não permitiria qualquer relacionamento entre os dois polos, houve um desenvolvimento degenerativo da lei da polaridade, pois a troca de energia entre estes dois polos não só é possível como até necessária. Esse pensamento dualista levou ao estabelecimento de regras rigorosas, regras desproporcionais para a prática. Por esse motivo, os cátaros recusavam tanto os prazeres de boa mesa como da sexualidade.

Como essas visões ideológicas na vida cotidiana não podem ser praticadas nem mantidas, os cátaros deram motivos para o conceito bastante estranho e duvidoso da prática da ascese. O dualismo absoluto dos cátaros exigia uma decisão unilateral. Só quem tomasse essa decisão, arcando com todas as consequências práticas, podia conquistar a salvação. Como as exigências ligadas a essa decisão dificilmente poderiam ser cumpridas, os cátaros esperavam até que a morte estivesse próxima para então se decidir. Essa decisão era completada por uma espécie de ritual de “imposição das mãos”. Para não caírem outra vez nas garras do mal, era necessário morrer tão depressa quanto possível depois desse ritual. Muitas vezes, a morte acontecia de forma espontânea, mas na maioria dos casos era provocada pela supressão da alimentação. A bem da verdade, é preciso mencionar que muitos historiadores acham que, devido a esse sofrimento, morreram mais cátaros do que devido às posteriores perseguições da Igreja.

Eles admitiam uma versão especial da reencarnação: a alma humana sempre renascia num corpo humano até encontrar o corpo de um cátaro, no qual podia, afinal, obter a salvação. Eles conferiam ao mal a autoridade máxima como representante do mundo visível e não davam nenhuma importância à Igreja como uma intermediária do bem. Só esses conceitos bastaram para despertar a ira dos guardiãos do antigo pensamento cristão romano. Numa batalha sangrenta, conhecida na história como as Guerras dos Albigenses (1209 – 1229), os cátaros foram praticamente dizimados.

Parece também ter sido provado que entre o templários e os cátaros havia certas ligações, embora exteriormente estivessem separados. Ao menos parece ter havido simpatia mútua entre eles

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