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O sangue vermelho e quente do homem e dos animais superiores evoca fatalmente no espírito a ideia do coração que o propaga, mediante impulsos intermitentes, por todo o corpo.

A ideia de vida está ligada à ideia de sangue, e não menos à ideia de coração. O coração é o próprio indicador da vida, pois é pelos seus batimentos que se constata a existência dela.

A vida não implica, necessariamente, na presença de um coração. Os vegetais não têm coração. Nem os animais muito inferiores.

Mas, a vida, muito hierarquizada, isto é, muito individualizada, não poderia passar sem ele. O coração é o músculo por excelência. Ele está, por assim dizer, no máximo do vermelho.

Mesmo no sono, ele continua a bater (ainda que suas pulsações diminuam).

Ele simboliza a vida ou, mais exatamente, o ardor, o calor da vida, a paixão, a própria embriaguez.

A cabeça é a sede da Sabedoria e foi do cérebro de Júpiter que Minerva saiu inteiramente armada. Mas, o coração é a sede do Amor, que não nos vem da cabeça, mesmo quando sua qualidade a torna a flor suprema das manifestações humanas (Caridade e Amor divino).

Seria necessário distinguir entre o coração, órgão que temos em nosso peito, e o coração metafórico do qual nos fala Pascal e no qual pensam as pessoas quando empregam expressões como “ter coração”, “ter bom coração”, etc.?

Muitos se espantarão com o fato de nós colocarmos esta questão, na medida em que lhes parece evidente que esse coração não passa de uma simples imagem, sem qualquer relação com o músculo cardíaco.

O coração, evidentemente, não gera os sentimentos, do mesmo modo que o cérebro não gera o pensamento. Mas, o coração depende estreitamente do sistema vaso-simpático e é como o ponto em que os sentimentos repercutem e se amplificam.

Coração, Cór-agem, heroísmo (compare as palavras HEROS e ÉROS, o Amor) – essas ideias de elevação, de esforço fora de si, fazem do coração o próprio instrumento do Amor.

É o órgão vermelho, o movimento, o calor e a chama traduzidos em movimento. Ele se parece com a chama invertida de uma tocha.

Como a chama, que consome a vela, ele consome o nosso corpo, mantém a vida, mas a queima ao mesmo tempo. Ele é para o nosso organismo o que o Sol é para o sistema ao qual pertence o nosso planeta.

Tal é o simbolismo do coração.

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Daniél Fidélis ::

Sobre o Autor

Daniél Fidélis é o orientador da Irmandade Hermética da Sagrada Arte - IHSA e autor do Blog Alquimia Operativa.

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