O Alquimista e sua Fantástica Relação com o Reino Vegetal

O primeiro passo do Alquimista está no reino vegetal. Este reino deve ser plenamente dominado antes de passar para o próximo.

Infelizmente, muitos se precipitam nas vias metálicas sem estarem devidamente fundamentados nas operações da “alquimia vegetal” ou “espagiria verde”.

No laboratório de espagiria vegetal entra-se em relação com um novo mundo, repleto de energias muito diversas e sutis.

A alquimia vegetal é a porta que conduz aos conhecimentos ocultos da natureza.

As experiências com os vegetais permitem ao estudante de alquimia familiarizar-se com operações importantes das quais terá necessidade para a continuação de seus trabalhos, em particular no reino mineral.

No entanto, boa parte dos operadores preferem permanecer no reino vegetal, dada a grande utilidade terapêutica e por descobrirem a profundidade e extensão desta área.

Os primeiros elixires vegetais ajudam a modificar sua atitude com respeito a si mesmo e ao mundo. Pois, eles são capazes de penetrar nas regiões mais profundas do nosso ser, provocar limpezas e potencializar virtudes.

Conhecerá, por fim, o que significa para os alquimistas a expressão contemplação filosófica ao acompanhar longas operações.

Descobrirá que as operações, tão simples, do laboratório, não são insignificantes e que podem produzir efeitos notáveis sobre o operador.

Experimentará o vínculo profundo que une a matéria e o alquimista no quadro das operações espagíricas.

Por fim, pela utilização dos elixires e pedras vegetais, o alquimista mudará sensivelmente, em todos os níveis, na medida em colaborar com o empenho da vontade e da disciplina.

Sua energia pessoal se refinará. Seus sentidos sutis e sua intuição se desenvolverão. Sua vida conhecerá uma grande limpeza.

Destas purificações sucessivas dependerão o êxito de seus trabalhos posteriores, na medida em que se aproximar da realização efetiva de sua Grande Obra.

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Alquimia ou Espagiria?

Muito frequentemente, a alquimia é chamada de espagiria. Particularmente, gosto do termo “Alquimia Espagírica”. A etimologia da palavra “espagiria” vem do grego “spao” (extrair ou separar) e “aghiro” (reunir).

Verifica-se uma das fórmulas alquímicas mais importante que é: “solve” e “coagula”. O princípio da separação e reunião da matéria é universal e inclusive alimenta alguns mitos como, por exemplo, o de “Ísis” e “Osíris”.

Por que o Alquimista começa pelos vegetais?

Esta pergunta nos remete diretamente aos fundamentos da alquimia. Somos convidados a descobrir uma escala de valor que impregna toda a criação, desde sua origem.

Considerando que o objetivo da alquimia é utilizar a natureza para favorecer a evolução do ser humano, convém em primeiro lugar colocar as coisas em ordem e começar pelo próprio ser humano.

Conscientizando-se muito rapidamente sobre suas debilidades, compreendeu que, se quiser sobreviver em seu meio ambiente, deverá obter o controle.

Com o passar do tempo, ele acreditou ser superior ao seu meio ambiente e se colocou no centro do mundo. Progressivamente, esqueceu-se de que é uma das numerosas espécies do planeta e explorou os recursos da natureza sem discernimento.

Quando o alquimista reencontra a linguagem da natureza e começa a comunicar-se com o mundo verde, descobre, com grande pavor, uma realidade invisível aos olhos e ao entendimento de seus semelhantes.

Vem a descobrir que o ser humano não é o centro do mundo, apesar de ser a coroa da criação, carregando a centelha divina em seu interior. E que os vegetais (considerados sem vida e inertes) são, realmente, seus próprios “mestres” naturais, livros de ensinamentos.

Essa revelação é dolorosa para muitos (e para mim não foi diferente). Inverte tanto as coisas que é difícil para alguns aceitá-la.

Por esta razão, convém trabalhar, em primeiro lugar, sobre o mundo vegetal. E não porque sejam simplórios.

A verdadeira razão é que os mestres vegetais são seres poderosos que têm muita compaixão por nós e nos observam tristemente por não terem mais um futuro em nosso descuidado curso pelo poder.

Estreitar o contato com eles é transformador.

O mundo vegetal vive na unidade da natureza enquanto que o ser humano, está, de certo modo, dissociado.

Quando o trabalho alquímico avança, o alquimista reencontra a sensatez natural e começa a sentir os vínculos que o unem com a natureza.

Quando o alquimista trabalha sobre uma planta e recebe seus efeitos, inverte os processos de percepção habitual e se alinha sobre novas energias.

A carta do tarô O Enforcado representa este processo de inversão e mostra o caminho que deve recorrer.

A maioria das Tradições Espirituais são conscientes desse feito: Apenas encontra-se sob formas distintas como na Cabala Hebraica com a árvore da vida ou também na crucificação de Pedro de cabeça para baixo.

Nesta fase, compreende-se que a alquimia espagírica está muito longe de ser pouco importante.

O praticante da alquimia reconhecerá perfeitamente os benefícios de tais ensinamentos. Pois, abre a porta do autoconhecimento e permite iniciar a primeira Jornada Iniciática dentro da Alquimia.

Daniél Fidélis ::

Sobre o Autor

Daniél Fidélis é o orientador da Irmandade Hermética da Sagrada Arte - IHSA e autor do Blog Alquimia Operativa.

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    9 replies to "O Alquimista e sua Fantástica Relação com o Reino Vegetal"

    • Renan de Souza

      Gratidão pelo artigo, traz informações fundamentais para quem quer trilhar o caminho alquimico, faz um certo tempo que venho refletindo sobre os vegetais, realizo uma alimentação no qual eles exercem um papel muito importante. Depois de conhecer um pouco mais sobre Paracelso( principalmente pelos artigos aqui postados) e suas teorias a respeito dos sinais divinos etc, fiquei ainda mais intrigado com este reino, querendo saber ainda mais. Gosto muito do reino mineral também , realizo estudos teoricos e práticos com eles e as reflexões sobre os vegetais tem sido muito uteis realmente para o entendimento sonre os minerais, sem contar a transposição que ppde se fazer para minha propria evolução individual. Excelente artigo.

    • Natalia Campioni

      Estudar a alquimia dos vegetais foi a maneira mais fácil que encontramos para nos aproximarmos da verdadeira essência do ser

    • Flávio

      Profunda e impactante reflexão sobre o papel desempenhado pelo Reino vegetal sobre “a via”e sobre nossa pobre e míope postura mediante esse sagrado e rico universo.
      Realmente me parte o coração ver a forma como a civilização moderna escolhe avidamente seguir essa marcha destrutiva da natureza de forma insensata e altiva

    • Beto Abreu

      Excelente, essa busca, essa conscientização com Gaia mostra que somos parte de um todo, um único ser vivo, Malkuth assim é compreendido devidamente e continuamos a Jornada…Pax Profundis

    • Gleiton Silva

      Ao observar a natureza, e suas inúmeras operações, vejo a mim mesmo.

    • Teresa Cristina

      Maravilhoso, mágico e muito familiar. É tudo o que penso e sinto. É a minha conexão natural e adormecida nesse mundo agitado e cheio de valores vazios.

    • Aparecido

      Natureza não é e nunca foi simplória estamos aqui porque ela está

    • Suely Bombarda Moreira

      Tenho muito interesse em saber mais! Gostaria de me cadastrar

    • Cristiane Fátima Oliveira

      Fascinante.

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