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Alquimia

Albertus Magnus e o Surgimento da Alquimia no Ocidente

Daniél Fidélis
Escrito por Daniél Fidélis em 18/05/2021
2,5 min de leitura
Albertus Magnus e o Surgimento da Alquimia no Ocidente
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Basicamente, o surgimento da Alquimia na Europa Ocidental ocorreu por meio dos Árabes.

Embora a Europa Medieval não estivesse totalmente destituída de hábeis operadores na tinturaria, fabricantes de vidro, ourives, metalúrgicos e outras especialidades, não temos indícios muito claros de ter havido algum conhecimento no nível alquímico até ser introduzido pelos Árabes.

A partilha desse conhecimento, ao que parece, iniciou no século XII, segundo alguns pesquisadores, tais como Mircea Eliade e Serge Hutin.

Os escassos manuscritos latinos anteriores a essa época relacionados a “assuntos químicos” são coleções de receitas práticas, desprovidos de caráter filosófico.

Até o século XII, praticamente, o único contato entre os Árabes e a Europa Cristã foi feito através das cruzadas, que não foram, nitidamente, favoráveis à transmissão do conhecimento.

Pouco depois de 1100, os sábios europeus começaram a descobrir que os sarracenos eram senhores de muitos conhecimentos e de antiga sabedoria, e então os espíritos mais ousados começaram a viajar pelas terras muçulmanas em busca do saber e do esclarecimento.

Os Mouros foram os principais difusores desse antigo conhecimento na Europa. Os estudantes passaram a ser bem recebidos nos colégios e bibliotecas de Toledo, Barcelona, Segóvia, Pamplona e outras cidades espanholas, passando o estudo a ser feito por meio de traduções.

A alquimia e a astrologia figuravam entre as Sagradas Artes ali estudadas.

O primeiro trabalho escrito que apareceu na Europa Latina foi o Livro da Composição da Alquimia, completado em 11 de Fevereiro de 1944. Na verdade, era a tradução de um livro árabe, feita por Robert de Chester (inglês que viveu na Espanha) e incentivado pelo abade de Cluny.

A obra, entre outros assuntos, conta a história de Khalid ibn Yazid e do seu mestre Morineus. Assim, a primeira grande figura da alquimia muçulmana torna-se também a primeira da alquimia europeia.

Outro sábio inglês que se dedicou às traduções foi Adelard de Bath. A maior parte do seu trabalho foi realizado entre 1116 e 1142. Estudou alquimia, matemática e outras ciências em Tours e Laon. Anos depois, regressou para a Inglaterra.

Sua maior contribuição foi mostrar a forma como o espírito da livre investigação estava levando os homens a explorar novas regiões da experiência e do conhecimento, movimento este que ganhou força na segunda metade do século XII e se tornou irresistível no século seguinte.

Mas o que traduziu o maior número de obras foi Gerard de Cremona (1114 – 1187). Atribui-se a ele a tradução de setenta e seis obras, incluindo o Cânone da Medicina, de Avicenna.

Dos trabalhos alquímicos, ou indiretamente relacionados com a Sagrada Arte, traduziu um livro de Razi sobre o alúmen e os sais, e outro sobre as propriedades dos minerais.

Após o surgimento e enorme contribuição desses tradutores, começaram a se elevar, por meio da dedicação à alquimia e à produção de conteúdo referente à nossa arte, alguns personagens.

Mas antes de falarmos deles, gostaria de ressaltar um aspecto do trabalho de tradução que teve um efeito duradouro sobre os vocábulos latino e inglês.

A Alquimia era uma ciência nova para o Ocidente, e uma das dificuldades dos tradutores era a de não terem equivalentes em latim de muito dos termos alquímicos. Muitas destas palavras latinizadas foram incluídas em versões inglesas de tratados, razão pela qual acabaram por naturalizar-se.

Abaixo, apresentamos algumas das palavras árabes emprestadas ao latim dos tratados alquímicos medievais. As transliterações mais próximas e, em seguida, os respectivos significados.

Você vai notar que muitas das palavras estão totalmente aportuguesadas:

Abicum (anbiq) – alambique;

Abric (al-kibrit) – enxofre;

Alcalai (al-qali) – alcali;

Alchemy (al-kimia) – alquimia;

Alcazdir (al-qasdir) – estanho; cassiterite;

Alchitram (al-qitran) – alcatrão;

Alcohol (al-kuhl) – álcool;

Almagest (al-majisti) – no sentido do alambique;

Almizadir (al-nushadhur) – sal, amoníaco;

Anticar (al-tinkar) – tincal, bórax;

Athanor (al-tannur) – fornalha, forno;

Azarnet (al-zarnikh) – arsénico;

Azoth (al-zauq) – mercúrio;

Carboy (qarabah) – carbono;

Elixir (al-iksir) – elixir;

Heautarit (utarid) – mercúrio;

Jargon (jargun) – zircónio;

Luban (luban) – goma, resina; (luban jawai) ou resina javanesa, que veio a dar a palavra benzeno.;

Mattress (matrah) – almofada, coxim, colchão;

Naphtha (naft) – nafta;

Natron (natrum) – natrão, e daí o símbolo de Na para o sódio;

Noas (nuhas) – cobre;

Ocob (uqab) – sal amoníaco;

Tutty (tutiya) – óxido de zinco;

Zaibar (zaibaq) – mercúrio;

Ziniar (zinjar) – verdete.

A Alquimia tem a peculiaridade de florescer em diferentes épocas e civilizações de forma adaptada à cultura local, mas preservando os seus princípios universais.

Os chefes da egrégora alquímica dirigem essa propagação, seja por meios puramente espirituais, seja inspirando os próprios alquimistas existentes nesse trabalho de discipulado.

Assim, temos os alquimistas chineses, os alquimistas judeus (os mais próximos da tradição sumeriana e egípcia), os alquimistas árabes, os alquimistas europeus e ocidentais de uma forma geral.

Curiosidade: a primeira mulher alquimista foi Maria, a judia. Inventora do conhecido “Banho-Maria”.

Os primeiros resultados desse abundante conhecimento vindo dos árabes foram tentativas de organizar o novo material e a sua preparação para o uso criterioso. Isto foi feito por muitos compiladores, dos quais Bartolomeu, o inglês e Vicente de Beauvais são os mais conhecidos.

Bartolomeu foi um Franciscano que estudou em Oxford na primeira metade do século XIII. Ministrou um curso de leitura da Bíblia em Paris e em 1230 o geral da sua ordem mandou-o para Magdeburgo, também como leitor.

O maior livro de Bartolomeu chamava-se Das Propriedades das Coisas e era intencionalmente dirigido para a instrução dos leigos e dos menos cultos entre o clero. O imperador Carlos V, em 1372, ordenou a sua tradução em francês, espanhol e alemão.

Bartolomeu encontrou no mestre Avicenna os fundamentos para escrever a sua obra. Abordou a química primitiva, a astrologia e alguma coisa sobre a alquimia.

Com Vincent de Beauvais, apenas alguns anos depois de Bartolomeu, a alquimia recebeu maior atenção. Vincent era um Dominicano, foi subprior de um mosteiro de Beauvais, perto de Amiens, onde os seus deveres administrativos interferiam com as suas atividades literárias. Foi bibliotecário e capelão de Luís IX, além de preceptor dos dois filhos do rei.

Albertus Magnus

Em Albertus Magnus, encontramos um dos primeiros grandes impulsos de originalidade em relação ao trabalho alquímico.

Recebeu o predicado de “Grande” por ser o mais prolífero dos escritores de sua época, o mais influente e erudito.

Albertus Magnus, conde de Bollstadt, nasceu em Lauingen, na Suábia, provavelmente no ano de 1193, embora alguns digam 1206.

Aderiu à ordem dominicana de Pádua em 1223, tornou-se rapidamente um prodígio de saber, sendo então conhecido como o “Doctor Universalis”.

Após lecionar por alguns anos, retirou-se para o claustro em Colônia, dedicando o resto da sua vida à escrita e ao estudo.

O “Guia Prático de Alquimia” é uma das suas obras mais conhecidas.

Albertus era um homem genuinamente piedoso, seguiu estritamente as regras de sua ordem, chegando ao ponto de caminhar descalço nas suas jornadas oficiais através da Alemanha.

A sua fama como professor era tão grande que o jovem Tomás de Aquino fez uma longa viagem da Itália até Colônia para ser seu aluno.

Frater Albertus sentiu um forte desejo de concretizar, especificar, pormenorizar e dar rigor a todos os conhecimentos relacionados com a natureza, e mantinha a convicção de que todo estudante do oculto deve buscar a sua própria observação prática dos fenômenos.

Bem, espero que este breve histórico da alquimia ocidental e a dedicação de Albertus Magnus tenha, de alguma forma, inspirado você ao aprofundamento do estudo e das práticas herméticas.

Neste artigo, indicamos 24 livros de alquimia.

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One Reply to “Albertus Magnus e o Surgimento da Alquimia no Ocidente”

Mario Costa

Muito Bom todo o conteúdo, percebe-se qualidade e percebe-se acima de tudo seriedade e responsabilidade com os temas tratados.
Parabéns