Escolas de Mistérios

Escolas de Misterios 3 - Alquimia Operativa

NOÇÃO

Mistério deriva do grego e significa “iniciar”, “sagrar”, “instruir”, “fechar a boca ou os olhos”, “guardar silêncio”. Ou, como propõe Clemente de Alexandria, Stromata, Lº V, Cap. II, podemos olhar o mistério como “mytheria” (mitos).

Com a designação de Mistérios Antigos, referimo-nos aos cultos que consideram útil ou necessário manter reserva sobre os seus ensinamentos, que transmite aos seus membros através de rituais e de simbolismo. Estes passam por ritos de iniciação e prometem guardar o segredo. Não significa que uma parte desses conhecimentos não estivesse aberta à generalidade das pessoas, mas havia uma espécie de círculo nuclear, reservado aos iniciados, protegido pelo segredo, e pelo silêncio, observado por juramento e sob cominação de sanções, maiores ou menores conforme os tempos e os mistérios, em alguns casos podendo levar à morte por traição.

Não se tratava de todo e qualquer conhecimento, pois havia, embora apanágio de nobres e sacerdotes, acesso ao ensino. Eram, sobretudo, conhecimentos relacionados com o sagrado, com as formas de relacionamento com os deuses e como interpretar a vontade destes, pelos oráculos e magia, estudo da ciência divina, a astrologia, com a vida para além da morte e o caminho para a salvação.

Reservadas apenas a alguns, havia no entanto muitas e variadas Escolas de Mistérios, cada qual com os seus deuses e suas propostas, conforme informações de Pausânias em “Descrição da Grécia, I, II”.

Mesmo para os iniciados havia reserva dos conhecimentos de acordo com o grau a que ascendiam, havendo-os em todos os mistérios, organizados de forma piramidal: o grau superior comportava o conhecimento do inferior, mas a inversa não era verdadeira. E ascendia-se de grau sempre de forma iniciática.

escolas de misterios 1 - Alquimia Operativa

Obviamente que havia ritos de passagem, embora pouco se conheça sobre os mesmos, como é lógico, dado estarem cobertos pelos mesmo juramento de segredo.

Na maioria dos Mistérios Antigos só eram admitidos homens (Egípcios, Essénicos e Mitraicos). Todavia alguns eram-lhes abertos (Eleusis, Druidas) ou até exclusivos (Mistérios Cibele, ou as Vestais de Roma).

Por que aparecem os Mistérios?

O conhecimento estava apenas acessível aos poderosos, às classes dominantes, nobreza e clero. E havia entre as classes uma espécie de divisão de tarefas sociais, para uns administração e a guerra, para outros a gestão do sagrado. Por outro lado, saber era poder, e cada classe era ciosa do que detinha. A melhor forma de guardar esse conhecimento/poder, era não o difundir. Mas para que uma classe pudesse perpectuar-se tinha de ter continuidade, como no impulso da preservação da espécie. Tendo de encontrar uma forma de transmissão desses conhecimentos, ao mesmo tempo que garantia que continuavam reservados. Para isso surgem as Escolas de Mistérios.

O acesso aos Mistérios parece ter tido como base uma opção individual, mas certamente que haveria uma seleção entre os membros das famílias já no “ramo”, bem visível sobretudo no Egito e até no Judaísmo.

Visava um conhecimento especializado, superior, reservado. Como afirmou Clemente de Alexandria no Livro V, Cap. VII de Stomata “os egípcios não confiaram os mistérios que possuíam a todo e qualquer um, e não divulgaram o conhecimento das coisas divinas aos profanos, mas somente aos destinados a governarem e aos sacerdotes que julgassem mercadores pelo seu saber, cultura e nascimento”. “Semelhante aos enigmas hebreus, … com os seus segredos”.

Escolas de Misterios 2 - Alquimia Operativa

As Escolas de Mistérios, desde a mais remota antiguidade, sempre forneceram o corpo de sacerdotes que velavam pelo culto e educavam a congregação. E que faziam parte da estrutura do poder, que era de origem divina, pelo que o governante estava em comunhão com os deuses com quem partilhava a divindade. Cuidar dos deuses era também cuidar dos governantes. Pelo que esta organização não podia estar aberta ao comum das pessoas.

Esta ideia de poder e intermediação está presente em quase todas as sociedades antigas, religiões e cultos, ligando sagrado e profano. Mas o monoteísmo não se afastará muito desta matriz, sobretudo antes do século XVIII. O poder era de origem divina e o dirigente religioso, como intermediário do deus, que dava o poder, sentia-se com direito a ser o garante da legitimidade dessa outorga, e merecedor do devido respeito por parte do poder profano, se não pudesse detê-lo.

Podemos afirmar que as Escolas de Mistérios não foram uma realidade uniforme na antiguidade. As melhores conhecidas são as Egípcias, mas aqui a própria educação parece ter girado em torno dos Templos, casas dos deuses, e dos seus sacerdotes. Seriam uma espécie de universidade que ensinava muitas matérias e saberes, tendo criado uma especialização para um núcleo especial: a magia, a escrita sagrada, os oráculos, os assuntos da vida para além da morte, a mumificação. Só este núcleo seria objeto de segredo, pois ele propiciava a intervenção dos deuses e a manifestação das suas realizações.

No Império Persa, o mesmo aconteceria com o núcleo de sacerdotes do zoroastrismo, os Magos, que teriam um núcleo secreto de conhecimentos, que seriam também objeto de escolas de mistérios.

A Grécia beberá em ambas as culturas, até porque o Egito veio a integrar aquele império desde o século VI a.C., assim como a parte grega da Jónia. Pelo que o modelo seria muito semelhante. Aliás sabe-se hoje, desde a descoberta dos papiros de Derveni, na Macedónia, em 1962, mas só publicados em 2005, que uma das mais antigas religiões de mistérios grega, o Orfismo, é de influência persa, zoroastriana.

A EDUCAÇÃO

É difícil ser assertivo sobre este assunto, pois temos poucas fontes escritas e mesmo essas são relativamente recentes, essencialmente os escritos gregos da antiguidade. Mas pode afirmar-se:

– a educação era restrita aos filhos das classes privilegiadas;

– a esmagadora maioria estava excluída da educação e confinada à educação familiar informal;

– o conhecimento da escrita era limitado, havendo mesmo, em algumas culturas, uma reserva devido ao seu caráter sagrado e esotérico, mais no extremo oriente (sânscrito) que no médio oriente, pois aqui a organização sócio-política desde cedo se baseou em registos escritos, o que levou a uma linguagem especial para o culto e o sagrado;

– A oralidade e a memorização eram a regra básica do ensino;

– O conhecimento era, em geral, tido como de origem divina, uma dádiva dos deuses;

Mas, em uma análise global, podemos dizer que houve um conjunto de saberes que se ensinavam e que foi definido como as Sete Artes Liberais: 1) Gramática, 2) Retórica, 3) Dialética, 4) Aritmética, 5) Geometria, 6) Astronomia e 7) Harmonia, que passou a dividir-se em trivium, as três primeiras, e quatrivium, as restantes. Boécio (480-524 d.C.) teria sido o primeiro a enumerar o quatrivium).

Havia outras matérias ensinadas, até pela necessidade: medicina e arquitetura, por exemplo, mas que pareciam um tanto marginalizadas, pois, como diria Marciano Capela (410-427) em “O casamento da Filologia e Mercúrio” “…não têm nada em comum com o céu”.

As mais antigas referências sobre o tipo de educação da antiguidade, vamos encontrá-las na Bíblia Judaica quando trata da vida de Moisés. Lembremo-nos que se tratava de educar um príncipe egípcio, mas a sua formação deveria ser comum, pelo menos em parte, ao dos jovens privilegiados.

Citemos um padre da Igreja Católica, Clemente de Alexandria (Stromata, Lº 1-Cap 23): “Moisés, tendo chegado à idade certa, foi-lhe ensinado aritmética, geometria, poesia, harmonia, medicina, música… filosofia, escrita, literatura”.

Certamente os iniciados nos Mistérios pertenceriam às famílias privilegiadas, e como tal teriam a educação comum à sua classe. Com a iniciação nos Mistérios teriam de ter uma aprendizagem especial nos assuntos objeto dos mesmos.

No que diz respeito ao Egito temos o testemunho do citado Clemente de Alexandria, que afirma que a educação específica dos sacerdotes se fazia memorizando os “42 Livros de Hermes Trimegistos – o Corpus Hermeticum – contendo ensinamentos sobre artes, ciências, religião e filosofia. Estava subdividido em seis conjuntos. O primeiro tratava da educação dos sacerdotes; o segundo, dos rituais do templo; o terceiro, de geologia, geografia, botânica e agricultura; o quarto, da astrologia, matemática e arquitetura; o quinto continha os hinos em louvor aos deuses e um guia de ação política para os reis; o sexto era um texto médico”.

De Hermes seriam também o Livro dos Mortos ou o Livro da Saída da Luz, além do mais famoso texto alquímico – a “Tábua de Esmeralda”, que certamente fariam parte da especialização de alguns, e que estava repleto de simbolismo.

Convém esclarecer que sob o nome de Hermes Trimegistos se pretendia referir não uma personagem histórica, mas a vários autores, representando uma dinâmica simbólica de transmissão de conhecimentos divinos, como era entendido todo o conhecimento.

Ou seja, para pertencer a esse núcleo restrito não bastava a educação geral, era necessária uma formação especial, para a função, conforme já relatado: Estolistas, Magos, Escrivas, Horologistas, Astrólogos etc.

Eram conhecimentos que interferiam na vida dos deuses e pessoas, que tinham de ser guardados em segredo. Como a Magia, cujo domínio permitia obter acuações sobrenaturais, que nas mãos erradas podiam causar prejuízos aos próprios deuses.

Haveria mesmo uma linguagem secreta, o Senzar, e uma escrita sagrada, diferente da administração, necessária à preservação do segredo. E todo um simbolismo vertido em mitos, lendas e figurações, só apercebido pelo iniciado. E os números e seu significado oculto, que tanto seduziu Pitágoras ao ponto de fazer da matemática o centro de seu ensino esotérico.

Mas o Egito foi um caso especial, pois o centro da educação eram os Templos e os sacerdotes os pedagogos. Exemplo também seguido pelos israelitas, cujas “esnogas” eram, além de centros de culto, também centros de ensino.

Já na cultura grega, existia uma distinção entre ensino geral e sagrado, com a abertura de escolas de sofistas e de filósofos. Exemplo de pedagogos “laicos”, os sofistas, cujo método consistia na arte de convencer através da argumentação, de que determinada afirmação era verdadeira, mais do que buscar a verdade, como procuravam os filósofos. Aos iniciados restava aprenderem no seio dos cultos em que eram admitidos e nas suas Escolas de Mistérios. O mesmo se passando na cultura Romana.

A ESSÊNCIA DOS MISTÉRIOS

Podemos dizer, embora o termo ainda não existisse, que se tratava de conhecimento religioso, de uma religião?

Os membros destes Mistérios acreditavam na existência de uma alma espiritual, na vida para além da morte. Era um conceito de imortalidade parecido com o conceito Platônico: a alma seria preexistente ao corpo e não acabaria com a morte deste. Antes continuaria sendo julgada e recompensada ou penalizada de acordo com a vida terrena.

O conceito de alma variava conforme a cultura, mas teria começado como uma entidade espiritual, imortal, habitando o mundo superior, e que “desceria” para se encerrar num corpo, onde estaria como se aprisionada e da qual se libertaria depois da morte. Tão real como os espíritos (bons e maus), em que ainda hoje acreditam os fiéis de todas as religiões.

O seu destino após a “libertação” estava dependente das ações da pessoa em que habitara: seria submetida a um julgamento e se fosse merecedora ficava no paraíso, caso contrário voltava a reincarnar. Muito semelhante ao budismo oriental, com a diferença de nestes cultos a alma ser individual e não uma parte da alma cósmica. Mas a influência é desse extremo oriente, via Zoroastrismo, onde passou a ser uma entidade individual.

Zoroastrismo
Zoroastrismo

Como se ligava ao corpo e como ficava sujeita ao comportamento deste?

A alma seria preexistente, habitando no espaço astral, mundo superior dos deuses e espíritos, e seria uma dádiva ou castigo dos deuses, o que permitiria a sua junção num corpo. Que, todavia, tinha livre arbítrio. Sem o qual seria difícil teorizar um julgamento individual após a morte. À alma competiria nortear o corpo para o bem e o belo. E conforme o seu desempenho, assim a sua retribuição.

Este conceito de alma imortal não existia nos mitos egípcios e gregos iniciais, sendo a alma individual e preexistente, mas destrutível: se não fosse merecedora de viver após a morte seria “despedaçada”. Ao contrário do budismo não se concebia uma alma cósmica da qual emanasse e à qual regressaria se merecedora, sendo o castigo um ciclo de reincarnações. Mas este conceito oriental vai ser acolhido pelos gregos, com a metempsicose ou transmigração das almas. Estas seriam, neste caso, individuais, mas eternas, sendo seu objetivo alcançarem a felicidade no paraíso.

E aí estava o homem, espírito e matéria, fruto dos deuses mas independente destes, que tinham o seu próprio mundo superior, em que se acreditava pela crença, sem fundamento racional. A filosofia tentará uma abordagem explicativa racional, procurará mesmo encontrar o fundamento da essência divina, mas estava presa a este dualismo difícil de ultrapassar. A não ser que desse um passo em frente e entendesse que tudo deriva de uma mesma entidade. Foi o que fez a partir da concepção de que na origem estava o Uno, de que todo o resto seriam emanações. Esse Uno seria, no início, o Bem, o Belo. Pois no politeísmo era difícil conceber um deus único. Passo que foi dado com o monoteísmo, mas que prescindiu de qualquer explicação racional, regressando de certa forma à explicação Mítica. Por isso muitos autores cristãos afirmaram a inutilidade da filosofia como instrumento para chegar ao conhecimento do Deus único. A este só se chegaria pela Fé, que não era assunto da filosofia, antes era uma dádiva do mesmo Deus. Que passou a ser o centro de tudo, ao qual o homem deveria obediência e adoração, secundarizando o livre arbítrio. O homem ou tinha Fé ou não tinha, situação em que estava traçado o seu destino. Restava-lhe ir para dentro, submeter-se à Fé, e todo o resto ser-lhe-ia dado, incluindo o passaporte para o paraíso.

Quer isto significar que nos Mistérios Antigos o homem tinha livre arbítrio, embora estivesse sujeito à prestação de contas aos deuses, que lhe eram superiores. Para que esse julgamento fosse favorável e ele pudesse atingir a felicidade, teria de viver segundo um padrão que fosse aceitável para esses deuses. Padrão esse que tinha dois vetores essenciais: o conhecimento, que era ele próprio uma dádiva dos deuses, e um comportamento ético. Ambos dependentes do comportamento do homem, sem necessidade de pertencer a um culto específico, pois, com muitos deuses, tudo era uma questão de escolha individual.

As Escolas de Mistérios representam, neste contexto, uma oportunidade de um homem culto aprofundar os seus conhecimentos, conhecer as opções concretas que o podiam levar a um julgamento favorável após a morte, assim recebendo a recompensa, pois o elemento mais importante seria a alma. O que significa que nem todos teriam de fazer este caminho, havendo mesmo quem retirasse da filosofia a conclusão que não havia nada mais além desta vida, e que interessava vivê-la em felicidade, sem dor, gozando-a ao máximo (Epicuristas).

Os Mistérios eram, também, Irmandades, um conjunto de homens que se unem com base numa opção individual para fazerem um caminho espiritual juntos, e, portanto, se consideram irmãos. Mas eram mais que isso: faziam uma proposta de conhecimento e de comportamento ético de acordo com o caminho que pensavam levá-los à salvação. Não negavam outros caminhos, nem que pudesse haver salvação por outra via. Apenas achavam que aquele os levaria, com mais certeza, ao fim desejado, pois lhes dava o conhecimento para isso.

Como apareceram os Mistérios?

É razoável, embora não haja fontes provatórias, admitir que existiram em todas as culturas onde se estruturam teogonias e cosmologias, que teriam originado a necessidade de criar cultos e organizar corpos de oficiantes e intermediários desses deuses.

Estas Escolas aparecem no Egito organizadas em torno dos sacerdotes e dos Templos, das divindades, de uma forma ampla, pois as funções daqueles extravasam do sagrado e abrangiam o profano. Eram Escolas que preenchiam as funções de educação das classes privilegiadas, e que continham uma especialização para o sagrado, que corresponderia ao que se chamará de Mistérios.

O Império Persa, confinando com o extremo oriente hindo-ariano, vai elaborar uma proposta religiosa sistematizada, centralizada, quase monolátrica, o Zoroastrismo. Este é influenciado e vai influenciar as ideias religiosas de todos os povos do seu vasto império, confrontando-se mesmo com ideias monoteístas judaicas e seus escritos sagrados. Quando assim é, e voltaremos a assistir a esta realidade com o helenismo, surgem e proliferam as correntes sincréticas.

É nessa realidade que esta documentada pelos escritores do Helenismo e que documentos como os papiros de Derveni vieram confirmar: existiam Escolas de Mistérios desde o século VI a.C., além das conhecidas do Egito, das quais o Orfismo (certamente teria outro nome Persa) parece ter sido a que mais influenciou os gregos. Nomeadamente Pitágoras que teria juntado elementos das Escolas Egípcias e Persas e fundado a sua própria Escola de Mistérios, com a teoria da transmigração no centro, e a vida ascética como norma de comportamento espiritual.

Podemos traçar algumas características comum a todas elas:

– A crença em uma alma individual divina e imortal (no sentido de eterna, preexistente) que se une a um corpo humano e com ele partilha a existência.

– A crença em um julgamento da alma após a morte e uma recompensa ou castigo em conformidade com a vida terrena. Recompensa sob a forma de felicidade eterna, ou castigo, sob a forma de reencarnação (influência Órfico-pitagórica).

– Crença em que o caminho para a salvação da alma se obtém pelo conhecimento e prática ascética e ética, que exige esforço e labor para afastar as paixões, os apetites do corpo, e praticar as virtudes que aproximam do bem e da beleza.

– O conhecimento do sagrado, proposto pelas diferentes Escolas, era reservado aos homens cultos e aos governantes, pois se entendia que nem todos eram merecedores de ter esse conhecimento ou não estavam habilitados a entendê-lo.

– O conhecimento podia ser usado negativamente, pelo que era objeto de segredo.

Que conhecimentos eram esses?

Era crença dessas épocas de que os deuses tinham o seu próprio mundo, o mundo astral, onde viviam. Portanto, a astrologia seria a ciência dos deuses, de como eles se relacionavam e influenciavam o homem. Mas haveria muitas outras formas de conhecer os deuses e de estes se manifestarem: a teogonia, os oráculos, as adivinhações, a magia, a matemática. Havia também que construir as moradas dos deuses, o que impunha a geometria como uma ciência sagrada.

Muitos destes conhecimentos podiam interferir com os deuses levando-os a manifestarem-se favorável ou prejudicialmente para com os homens e a sociedade. Logo havia que ter cuidado com o próprio conhecimento de modo a este não ir parar aos homens errados.

Mas sobretudo tratavam de estudar a forma como a alma se uniria e sairia do corpo após a morte, e como seria o seu julgamento, bem como os valores éticos a seguir para trilhar o caminho certo para a recompensa.

Por tudo isso, as Escolas só ministravam o conhecimento destas matérias a quem se lhes juntasse, numa base de opção pessoal, e fosse iniciado. Esta iniciação representava uma nova etapa da vida da pessoa, um novo tipo de comportamento e novos deveres, sobretudo o de guardar silêncio sobre o conhecimento que lhe ia ser dado. Portanto, era objeto de escrutínio e de provas para se certificarem que os candidatos estavam aptos a respeitar o compromisso e o segredo.

Ainda em nome do segredo a transmissão desse conhecimento, estava rodeado de cautelas que se traduziam na sua encriptação em iconografia e símbolos, que eram apreendidos através do ritual.

Compreende-se que estas Escolas se constituíssem em Irmandades, comungando do dia-a-dia, dos ideais, da entreajuda, do estudo, protegendo-se e protegendo o saber do exterior.

Sendo assim temos dificuldades em conhecer a fundo os rituais, o simbolismo e os conhecimentos que ministravam. As fontes escritas são poucas e mesmo assim deficientes, ou porque se trata de iniciados protegendo o segredo ou de adversários, sobretudo cristãos, pouco dentro desses meandros e mais interessados em distorcer a imagem pública que tinham. Hoje podemos encontrar na internet muitos dos escritos antigos sobre o assunto, recomendando-se: Heródoto “The Egyptian Book of the Dead, Bk. II”; Clemente de Alexandria: Stromata Lº. V; Plutarco, De Iside et Osiride Bk. II; Lucius Apuleius (125-180 d.C.), sacerdote de Esculápio e um iniciado em vários desses mistérios (Mistérios de Dionísio; mistérios de Ísis) que no seu Livro Metamorfoses, ou Asno de Ouro, nos conta um percurso iniciático nos Mistérios de Ísis. Podemos ler os seus escritos em sites, como: www.ancienthistory.about.com.

As Escolas distinguiam-se pelo circunstancionalismo em que se estabeleciam, pelo panteão religioso dessa cultura, pelos mitos explicativos que criavam. Embora algumas se deslocassem ao sabor da geopolítica, sendo o caso mais conhecido o da Irmandade de Ísis que proliferou em Roma durante um certo período.

O que conhecemos melhor são os Mitos explicativos, nem sempre os conhecimentos que encerravam, pois estavam encriptados e o seu simbolismo era transmitido apenas aos iniciados. Mas todos eles visavam uma cosmologia e teogonia muito semelhante, sobretudo depois do sincretismo helénico.

Referência Bibliográfica

OLIVEIRA, C. de. Antiguidade: Crenças e Escolas de Mistérios, 2. ed. Londrina: Ed Maçônica A Trolha, 2013, 208 p. (Coleção Cadernos Humanitas)

ESOTERISMO, MISTICISMO E OCULTISMO

Junte-se a milhares de sinceros buscadores e receba, GRATUITAMENTE, notificações, artigos e dicas imperdíveis para a sua Jornada!>

3 Comentários



  1. Maravilhoso esse artigo! Incitando-nos a aprender mais…Parabéns e obrigada pelas referências.

    Responder

  2. Bons artigos. Abra espaço para divulgaçãpo de artigos científicos

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *