A Igreja e a Gnose

Jesus - alquimia operativa

Inexoravelmente, o eixo oscilante da Terra se movimenta regressivamente, através da eclíptica, de signo para signo. A Era de Áries ia chegando ao fim, e a humanidade daquela época se preparou para ajustar sua vida aos aspectos do novo espírito e raciocínio cósmico.

Assim, a Era de Peixes foi sendo lentamente preparada, e é conhecida como a era que foi impregnada pelo cristianismo e pelas suas mensagens. A palavra “Cristianismo” é derivada de Cristo (do grego: “o ungido”). Ele é o Messias, no sentido judaico, o intermediário e o elo de ligação entre Deus e os seres humanos, e, para o mundo cristão, é personificado por Jesus de Nazaré. O calendário cristão toma como data-base o nascimento de Jesus de Nazaré, em Belém. Ele nasceu na província romana da Judéia. As circunstâncias de seu nascimento são descritas por Lucas na história do Natal e hoje pertencem à sabedoria popular.

A figura de Jesus de Nazaré conhecido como Cristo, vem comovendo as pessoas do hemisfério ocidental no últimos dois mil anos. As divergências quanto a quem ele de fato seria, se o verdadeiro Messias, o enviado de Deus, um grande iniciado, um sábio mestre ou simplesmente um mero peregrino e pregador continuam sendo até hoje pontos controvertidos. A Igreja, com sua estrutura dogmática – que surgiu nos primeiros séculos de um amargo conflito – , fixou mais ou menos o que aquele que acredita tem de observar em Cristo, Jesus de Nazaré. Para o esoterista, as especulações sobre a pessoa de Jesus até o momento ainda não foram definitivamente respondidas. A estrutura deste texto teria de ser muito ampliada caso nos detivesse-nos com maior profundidade no estudo dessa problemática, sobre a qual, aliás, existe suficiente número de livros. Assim sendo, restrinjo-me a uma breve síntese e narrativa dessas teses.

Para a Igreja cristã, Jesus é o filho de Deus, o Messias esperado pelos judeus que, através de uma morte sacrificial, apaga na Cruz os pecados dos homens, estabelecendo desta forma a reconciliação entre  o divino e o humano. Outros, por sua vez, vêem nele um Mestre de Sabedoria que objetivou mostrar um caminho de amor abrangente para os judeus, emaranhados no rígido cumprimento da lei. Nesse caso, o centro das considerações é o Sermão da Montanha, no evangelho de Mateus.

Os esoteristas que pertencem mais ao ramo teosófico, vêem em Jesus um grande iniciado, até mesmo o “Mestre” que costuma surgir no início de cada nova época. Nesse sentido, Jesus foi um Avatar (do sânscrito: “o que vem vindo”), um Deus ou uma força divina, a encarnação de um ser superior, que em seu desenvolvimento já ultrapassou a necessidade do renascimento, mas porque, para ajudar e ensinar à humanidade, se encarna no corpo de um simples mortal. Acredita-se que um desse Avatares, principalmente em épocas de transição, como na mudança de um mês cósmico para outro – aqui, portanto, na troca da Era de Áries para a de Peixes – sempre faz sua aparição. Nos últimos anos, outro ponto de vista está sendo submetido à discussão: o fato de a Bíblia não conter nenhuma notícia dos quase trinta anos de sua vida, em que, supostamente, viajou para o Oriente, para a Índia e, principalmente, para o Tibete, onde recebeu sua iniciação; e o Avatar, também supostamente, morreu ao tentar transmitir esses conhecimentos iniciáticos ao povo Judeu.

Sua execução ocorreu devido às intrigas e às iniciativas dos agrupamentos espirituais dos fariseus. Os fariseus eram desde o século V a.C, os portadores de um conhecimento mantido em segredo e queriam a execução de Jesus porque ele estava revelando esse conhecimento às pessoas simples através de suas parábolas e ensinamentos. Sua aparição em público era muito adequada àquela mudança de era.

Nos exatos momentos de mutação dos tempos sempre acontece o mesmo fenômeno: o conhecimento, antes mantido em segredo e reservado a uns poucos círculos esotéricos, de repente se espalha e se torna mais ou menos acessível ao povo em geral. Esse fenômeno já aconteceu no início da Era de Áries, quando os Vedas dos rishis foram transmitidos por meio da linguagem e, desta forma, puderam ser lidos e compreendidos por todos.

Deixemos, então, a imagem de Jesus de Nazaré e voltemo-nos aos efeitos causados pelo seu aparecimento nos dois milênios seguintes.

O aparecimento e a atividade de Jesus Cristo, portanto, dão início, em nosso hemisfério ocidental à era de Peixes. Os cristãos, no entanto, provavelmente jamais teriam entendido o significado que Jesus representa atualmente, se não tivessem utilizado desde o início um veículo que lhes permitisse divulgar ao máximo sua mensagem, provocando também o maior efeito possível. Esse veículo foi o Império Romano. Quando Jesus de Nazaré nasceu, quem estava no poder era o imperador Augusto, sob cujo domínio Roma teve sua maior época de progresso. O Império Romano ia desde a Grã-Bretanha até as fronteiras da Pérsia, no Ocidente, e abrangia toda a região do Mar Mediterrâneo. Até Augusto, o Império Romano era uma república. Mas, com a sua expansão, objetivava-se assegura e manter esse estado de coisas, o que consequentemente provocou uma mudança na estrutura política, passando-se de república para monarquia, onde o líder era o imperador. Esse imperador passou a ser o líder secular e espiritual de múltiplas comunidades de povos diferentes, personificando as suas ideias centrais.

O desenvolvimento espiritual e religioso dos séculos seguintes foi pautado por dois conflitos um isolado do outro e ambos marcados por uma amarga crueldade. O primeiro conflito foi um confronto político e, principalmente, espiritual pelo poder entre o imperador romano e o Rei do Mundo, Jesus de Nazaré; uma luta com o Cristo, na medida em que seus adeptos o adoravam e situavam sua autoridade acima da do imperador. Isso resultou em inúmeras perseguições aos cristãos, das quais, apesar de horrendo martírios sofridos, os cristãos, em última análise, saíram vencedores. Ao imperador, que estava perdendo terreno, nada mais restou além de unir-se ao clero para poder alcançar seu objetivo: salvar o Império Romano dos ataques das hordas de bárbaros. Isso foi feito pelo imperador Constantino, que no século IV declarou o cristianismo religião estatal. Assim, os cristãos se estabeleceram e ficaram livres das perseguições. O preço que tiveram de pagar por isso foi ter de apoiar e sustentar o mesmo poder que até então os perseguira até a morte.

Como tantas vezes aconteceu na História, os perseguidos e os oprimidos se tornaram os aliados ou seguidores daqueles que os oprimiam, na medida em que estes se tornaram mais fracos.

gnose - alquimia operativa

Jesus de Nazaré era um esoterista e, portanto, queria que a sua mensagem fosse entendida esotericamente. Trezentos anos depois de sua morte, aconteceu exatamente o oposto: o cristianismo, religião oficial do Império Romano, se transformou cada vez mais em uma religião exotérica e vendo-se sob pressão foi forçado a banir tudo o que fosse esotérico de sua doutrina, durante as perseguições. Este foi o segundo conflito entre a Igreja e a Gnose, tendo sido conduzido com amarga rigidez, assim que a vitória paulatina do Cristianismo começou a tornar-se evidente no século II. Finalmente, o conflito terminou com o estabelecimento da Igreja exotérica estatal e com o banimento dos esoteristas gnósticos para um segundo plano. Entender e mencionar este conflito, em todas as suas nuances e efeitos, é um trabalho muito difícil até mesmo para os especialistas, com todo o seu grau de experiência. O motivo dessa dificuldade é que a vitória sobre a Gnose foi tão total e complexa que, até hoje não temos testemunhos diretos nem documentos dessa orientação espiritual dentro do cristianismo. O que foi a Gnose sabemos apenas a partir dos escrito de seus adversários, e temos de nos dar por satisfeitos se ali de vez em quando encontrarmos uma citação literal de algum texto gnóstico perdido.

A palavra Gnose provém do grego e significa “conhecimento do transcedental”. Podemos tornar essa definição mais precisa. Gnose representa a aptidão de captar a força de todos os acontecimentos através dos sentidos disponíveis, ou seja, a força que mantém o cosmos vivo. Com isso, fica evidente que o conceito de Gnose indica o conteúdo esotérico dentro de um determinado sistema religioso, e torna-se óbvio que a Gnose não é de forma alguma uma propriedade do cristianismo, mas que todas as grandes religiões mundiais têm o seu lado gnóstico. Mas apenas no cristianismo ela foi tão condenada e, finalmente, expurgada, enquanto que nas outras religiões foi mais ou menos tolerada, como por exemplo no sufismo islâmico. Um ramo mais conhecido e integrado da Gnose é a cabala dentro do judaísmo e certas orientações ióguicas no budismo.

Quando o cristianismo se tornou a religião romana oficial no século IV, teve de aceitar os exercícios de poder que serviam à base estatal do Império Romano, e os cristãos tiveram até mesmo de participar deles. Ao mesmo tempo, este foi o “pecado” do cristianismo, visto que o impediu de cumprir a missão estabelecida para a Era de Peixes.

Esse desenvolvimento manifestou-se definitivamente quando o bispo de Roma se apropriou do título oficial de “Pontifex Maximus”. Com esse título, ele comprovou sua pretensão de que o cristianismo, como instituição da Igreja, em todos os sentidos, inclusive no mundano e no político, era um herança do Império Romano e que, portanto, lhe pertencia. Na medida em que o cristianismo passou a ser uma Igreja, tornou-se a base institucional da Era de Peixes. A Igreja estabeleceu sua força política com a ameaça de que, fora dela, não haveria salvação possível. O meio para dar certa consistência a essa ameaça era a administração dos sacramentos. A salvação eterna dos homens dependia de eles obterem ou não esses sacramentos. Foi assim que a Igreja cristã conseguiu fincar raízes seguras e governar durante séculos com seu poder espiritual.

A primeira intenção da Reforma foi uma honesta tentativa de anular esse poder e, consequentemente, a reforma renunciou à maioria dos sacramentos. Mas os sacramentos foram logo readmitidos “sub-repticiamente” pela porta dos fundos, quando as igrejas protestantes se intitularam guardiãs da ótica e da moral dentro da estrutura social. Desde essa época, os protestantes adotaram a mesma política da Igreja católica romana. Na prática, isso significa o reconhecimento da autoridade clerical e da sua imprescindível organização. Como representante dessa autoridade no Ocidente, assumiu o poder o bispo de Roma, o Papa, que ficou sendo um “representante de Deus na terra”.

O pensamento gnóstico baseia-se no conhecimento da harmonia direta do ego pessoal com o ego mundano. Portanto, não se trata de reconhecimento de uma autoridade superior ou mais elevada que fique em primeiro plano, mas de uma experiência iniciática a que cada pessoa tem de se submeter isoladamente, enquanto indivíduo, pois ele leva à sabedoria. O confronto desses opostos provocou a luta, e esta terminou com a derrota da Gnose e com sua eliminação da Igreja cristã. A Gnose continuou existindo em segundo plano, no qual permaneceu oculta por quase dois mil anos, sobrevivendo como esoterismo ou conhecimento secreto; agora está saindo desse segundo plano, vindo novamente à luz do dia em nossa época, renovando sua pretensão de participar dos acontecimentos deste mundo. Não é fácil ter uma visão dos intrincados e ocultos caminhos subterrâneos percorridos pelo esoterismo no transcurso dos últimos séculos. Alguns grupos tentaram trazer, de vez em quando, os pensamentos gnósticos e a vida esotérica à tona, mas essas tentativas sempre terminaram com uma amarga derrota.

Parece que atualmente é tempo propício para se viver outra vez esse esoterismo às claras. Voltaremos a falar nessas tentativas fracassadas em outros artigos.

ESOTERISMO, MISTICISMO E OCULTISMO

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2 Comentários


  1. por favor fale dos martinista que seguem a sagra da senda cardiaca que esta pedro cap 3 v 4 seja porem o homen interior en coberto peelo coração num traje incurruptivel de um espirito mmanso trnquilo que e agradavel diante de deus o paramatiman que os hindus falam que e a verdade mesmo que habita em nossos corações centelha divina dizem que verdadeiramente e aique e tambem o atanor o laboratorio inter no do alquimista e divino

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  2. O artigo me desapontou. Não vi uma palavra sobre a ressurreição de Cristo e nem sobre as profecias cumpridas n’Ele. Aliás, se o texto pretende explicitar a relação da Igreja com o gnosticismo porque não começar pelos mitos fundamentais da fé religiosa? Por exemplo, o que o mito da queda de Adão diz sobre o gnosticismo e a Igreja? Ou qual a relação da queda de Lúcifer e seus anjos com o mito hermético, o dos espíritos antigos que supostamente lhe passaram tal conhecimento? Quais as diferenças entre a visão da vida eterna cristã e da imortalidade gnóstica? Etc.

    Obrigado pela atenção.

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