O Silêncio do Alquimista

Ama o silêncio. Pois, ele pode ensinar coisas que a língua não pode expressar.

Quando este Aprendiz dera os primeiros passos na senda da Iniciação, ficava atordoado com o excesso de questionamentos dos meus Irmãos, também neófitos.

A cada novo evento, a lengalenga se repetia: “A ritualística podia ser mais curta, eles deviam planejar melhor as reuniões, os Oficiais deviam fazer de outro jeito, muito caro isso, eles deviam deixar a gente participar mais”.

Murmurações como estas eram observadas em todas as Sociedades em que ingressei, sem exceção. Variava apenas o teor, mas sempre haviam.

Todos esses murmuradores não ficavam muito tempo. E pulavam de lugar em lugar, em busca do extraordinário, de experiências insólitas que os colocariam em contato com uma hierarquia superior.

Mas, ignoravam a premissa de todo aprendizado iniciático: guardar silêncio e esperar.

O silêncio é o elemento básico de um bom conhecimento. Quem fala, não ouve.

Só alcança a real Iniciação quem é capaz de calar. Refiro-me, não somente ao silêncio da palavra mas ao silêncio do coração, que faz calar as paixões e os devaneios de nossa imaginação.

O alquimista deve ser capaz de conceituar a sua Arte e definir-lhe os objetivos, consciente de que a Jornada é gradualista, e o conhecimento só vem com o tempo.

Não nos apressemos, embora a curiosidade seja natural e mãe da ciência.

A disciplina do silêncio é um dos ensinamentos fundamentais de toda Escola. Quem fala muito, pensa pouco, rápido e superficialmente.

Alquimia impõe que seus operadores sejam muito mais pensadores do que faladores.

Não se chega à verdade com muitas palavras e discussões, senão com o estudo, a reflexão e a meditação silenciosa.

“Aprender a calar é aprender a pensar, e aprender a pensar é aprender a meditar.” – Aldo Lavagnini

Por essa razão é que o domínio do silêncio teve dentro da história do mundo uma importância muito grande na Escola Pitagórica, em que a nenhum dos discípulos era permitido falar, sob nenhum pretexto, antes que houvessem transcorridos os três anos de noviciado.

No domínio do silêncio as ideias amadurecem, e se clarificam, e a Verdade aparece como a verdadeira palavra que se comunica no segredo da alma de cada ser.

Para podermos alcançar este domínio do silêncio, é necessário, também, compreender o significado do silêncio iniciático. De não revelar aquilo que nos foi confiado solenemente.

Tudo o que recebemos sob o véu da iniciação deve ser preservado no mais absoluto segredo. Apenas os ensinamentos devem se manifestar publicamente, através de nossa postura.

Da Grande Obra pouco dizer, muito fazer, sempre calar.

Procure a Verdade dentro de você

Silenciar para que? Talvez seja a sua pergunta. E recorremos à Saint-Martin para lançar luzes sobre a questão.

Saint-Martin escreveu:

“Os livros são as janelas para a Verdade, mas eles não são a Porta; eles apontam as coisas para os homens, mas eles não o conduzem.” E, mais uma vez, para reforçar que o homem deve buscar a Verdade, não em outro homem, mas no silêncio, dentro de si mesmo, ele escreveu, com senso de humor, “Os livros que escrevi não têm outro objetivo senão aquele de fazer com que meus leitores abandonem todos os livros, inclusive os meus.”

Daí podemos perceber, que Saint-Martin entendia que a Verdade estava no silêncio, dentro de nós, e não fora. O homem só pode descobri-la procurando-a internamente, nunca no ruído das coisas exteriores. A única ajuda que se pode oferecer ao outro é apresentar, da maneira mais simples possível, os modos pelos quais ele pode mergulhar nas profundezas de seu próprio ser.

Essas são, de forma sucinta, as razões pelas quais os Martinistas admiram e respeitam Louis-Claude de Saint-Martin. Em sua busca pela Verdade, sua exposição dela, e seu modo de vida exemplar, ele se tornou o ícone do verdadeiro Místico e Martinista.

Ouça a saudação do amanhecer:

Olhe para este novo dia, porque ele é vida, a verdadeira vida da vida.

No breve curso deste dia estão todas as possibilidades e raridades de sua existência: a alegria do crescimento, a glória da ação, o esplendor da beleza, silenciosa e poderosamente.

Porque o ontem já é um sonho e o amanhã, apenas uma visão.

Mas o dia de hoje, se bem vivido, tornará cada ontem um sonho de felicidade e cada amanhã uma visão de esperança.

Cuide bem, portanto, do dia de hoje.

Pois esta é a saudação do amanhecer.

Oração, Meditação e o Alquimista

Engana-se quem acha que o silêncio é uma ausência de atividade. Oração, meditação e contemplação são as ferramentas mestras do Caminho Interior.

E elas desempenham papel muito importante na vida do Alquimista. Entretanto, o alquimista sabe muito bem que as orações convencionais, proferindo muitas palavras, sem sequer perceber o que elas significam, sem espírito, são inúteis.

É essencial lembrar que a oração sem ação, isto é, muitas palavras, mas sem “viver a vida” é inútil e morta.

Para o alquimista, espiritualidade significa, acima de tudo: atividade intensa e abnegada em favor de seus semelhantes e do mundo em geral. O alquimista não deve ser um pensador a buscar os mistérios e segredos do mundo interior, para obter a mera satisfação que possa advir das descobertas dos reinos pouco conhecidos pelo restante da humanidade.

Se ele tentar trabalhar e progredir por essas razões, estará fadado ao fracasso e à frustração.

ALQUIMIA & ESPAGIRIA

Receba GRATUITAMENTE mais conteúdos sobre ALQUIMIA & ESPAGIRIA no seu eMail!>

34 Comentários


    1. olha adorei esta materia, e vou devagasinho fazer o possivel para por em pratica, pois so assim me fortificarei, pois atraves da meditaçaõ constante se vence muitas mazela?

      Responder

  1. Esta matéria realmente veio em boa hora, estava lendo e me vendo. Mesmo apesar de fazer minhas meditações, em meio tempo as turbulências eu não chegava a lugar nenhum e pelo contrário só conseguia ver mais obstáculos. A leitura desta matéria me fez reaver os princípios para uma meditação PURA e CERTA. Me fez reaver meus preceitos e conhecimentos fazendo uma auto avaliação, obrigado! Muito obrigado pela auto ajuda…

    Responder

  2. Ótima matéria. Afinal, temos uma boca e duas orelhas….no silêncio reencontramos o nosso verdadeiro “eu”.

    Responder

  3. Belo texto!
    Como é dificil silenciar a mente!
    A última frase trata de uma grande verdade, muitas vezes complicada de entender.
    Obrigado!

    Responder

  4. Saudações a todos os irmãos,

    Realmente o conteúdo não deixa nada a desejar em relação arte de auto conhecer-se. Que a paz do cristo no contagie. Paz profunda .
    . .

    Responder

  5. O Martinismo, talvez como nenhum outro caminho, sabe a importância e o real valor do silêncio. Pois de fato, no Martinismo, a senda é um vértice voltado para dentro do ser. Assim como no Zen, trata-se muito mais de afastar o murmúrio que pouco diz, para em fim ouvir e vivenciar esse “silêncio”. E o silêncio fala…

    Até mesmo a música, tão preciosa nas nossas vidas, precisa do silêncio para se manifestar. Pontuada pelo silêncio, a música toca a nossa alma e os nossos corações. Sem ele, seriam apenas milhares de notas que nada diriam de importante.

    Que o Cristo interno ilumine a todos!

    Responder

  6. Exercitar a prática do silêncio não só durante nossos estudos alquímicos, mas estender essa prática às nossas atividades diárias.
    Exercitar a empatia: ouvir e tentar nos colocar no lugar do nosso interlocutor , naquele momento ímpar …… Variar o ponto de vista sobre determinados ( pre) conceitos.
    Crescer como ser humano.

    Responder

  7. Gostei bastante. Ao ler o texto, percebi quão preciso é o silêncio.

    Responder

    1. É sempre bom sermos lembrados da importância do silêncio, pois o vicio das palavras é grande.
      Gratidão

      Responder

  8. PAZ PROFUNDA!!!!!

    AH! SE TODOS SOUBESSEM CULTIVAR EM SEU INTERIOR O SILENCIO!! O MUNDO SERIA TÃO DIFERENTE!! QUE O DIGAM OS MONGES E OS EREMITAS! AH!! SE TODOS SOUBESSEM!! QUE DIFERENTE SERÍAMOS……..

    Responder

  9. O silêncio ensina a observar tudo, mas tudo mesmo do que está ao nosso redor!!!

    Grata pelo texto!!!

    Responder

  10. A iniciação de um candidato a vida monástica ,no Tibet , é de ,3anos 3meses e 3dias ,dentro de uma caverna fechada com uma grande pedra e que só permite a entrada de alimentos .O SILÊNCIO EXTERIOR é absoluto E O SILÊNCIO INTERIOR É O OBJETIVO A SER ALCANÇADO. Só após este período é que o discípulo pode iniciar o seu aprendizado. Pensar nisso é procurar entender o porque de tão vasto sacrifício e o que o silêncio significa na abertura de nosso universo interior. É o portal para para o infinito.ESTA É A RESPOSTA.

    Responder

  11. A palavra é Prata mas o silêncio é Ouro! E do silêncio ao vazio iluminador é só Um passinho!
    Mas como das este passinho? Transmutar o chumbo da personalidade no Ouro do Espírito é o único meio de desitegrar destruir os defeitos psicológicos que enfrasca de maneira desastrosa a psique humana! Antes de adiquirir seu ATANOR ! SUA PEDRA JUSTA!
    O TRABALHO ALQUIMICO NÃO TEM COMO COMEÇAR ! NO LABORATÓRIO ALQUIMICO ESTÁ O CAUS DA MATÉRIA PRIMORDIAL E AÍ
    REINA UM SILÊNCIO DE MORTE!

    Responder

  12. Bom dia! E bons dias! O silêncio em armonia com os outros sentidos nos fornecem conhecimentos infinitos, milenares e antigos , atuais e futuros. Mas se calar-mos nos de mais, não daremos a oportunidade de dividir o pouco conhecimento que temos! Mas vale seguir o ditado que diz que: o silêncio é ouro!

    Responder

  13. Não seria talvez conhecimento do mundo exterior , mas sim conhecer-se como ja foi dito.. conheça-te a ti mesmo e conheceras o universo

    Responder

  14. BOM DIA AMADO IRMÃO KOHEN…..

    MARAVILHOSAS PALAVRAS, PARA REFLEXÃO, POIS IREMOS PASSAR NOSSO CONHECIMENTO
    ATRAVÉS DA NOSSA POSTURA E ATITUDE, EM TRABALHARMOS EM NOSSA ALQUIMIA INTERIOR,
    PURIFICANDO A MASSA GROCEIRA DOS NOSSOS PENSAMENTOS E SENTIMENTOS.
    POIS MELHORAMOS O MUNDO, MELHORANDO E NOSSA PRÓPRIA NATUREZA.

    GRANDE E FRATERNAL ABRAÇO, (MIL BEIJOS AMEI TUDO ISSO)

    Responder

  15. O momento atual de minha vida é de retomada de procedimentos em busca da essência das coisas.Muitos leitura já se foi, agora é fazer a sublimação, seguir o caminho do coração, observar muito, inclusive o que as pessoas sentem de nós.Fico feliz com a oportunidade do compartilhamento desse ensino precioso e espero contar com todos que, como eu, quer eliminar o marasmo na vida, tranformar e evoluir para um outro estágio. Grato por tudo.

    Responder

  16. Deixa o silêncio para os mortos, agora mesmo vejo todos os incoerentes que em silêncio não se mantiveram, antes a cilada da emoção jaz em notoriedade de cada revelação. Outrossim, ninguém deseja em anonimato, viver prazerosamente, substanciado na matéria fria ou quente!, transformando personificações físicas e espirituais, sem considerar a fé, o amor e a esperança. A riqueza, o conhecimento, a caridade e outras coisas semelhantes a estas, não podem apagar o amor de Deus, demonstrada em seu filho, Jesus Cristo. O anuncio da verdade não se apagou com o silencio da frieza materialista com a produção das riquezas, que por hora nos alude a fantasia, a ignorância e a tirania. Por essas, exorto o conhecimento da verdade participativa e compartilhada do Senhor Jesus Cristo, o verbo vivo, criador do céus e terra, dono de todas as almas, que tem o poder. Não poderia ficar calado, e ver que por mais que a alquimia possa ser útil, a pedra filosofal que dá a vida eterna, só vem do poder do filho de Deus, Jesus Cristo, que morreu ressuscitou e hoje vive, a destra do Deus Pai. E todo aquele que confessar que Jesus Cristo como único senhor e salvador será salvo. Da mesma maneira, aquele que não nascer da água e do espírito, não pode entrar no reino do céu. Por isso, não esperem a vida eterna só nesta vida, porque esta escrito “Deus é Santo”, por isso jamais o veremos. Porque o pecado faz separação entre Deus e os homens. Por um homem entrou o pecado, e com isso a morte; mas como Deus enviou Jesus, com ele veio a vida eterna, porque foi obediente até a morte, mas Deus o ressuscitou e vive para sempre!. Por isso disse, necessário é nascer de novo da água e do espirito, da fé e do amor demostrado em Jesus. É sabido que, para os homens a vida eterna fora disso é impossível, mas para Deus tudo é possível. A sabedoria dos maiores cientistas não é nada para aquele que criou todas as coisas. A transformação e criação de qualquer elementos alquímico não mudará, por essas razões, que todas as coisas vem a deixar de perecer. Para quem discorrer sobre essas coisas não poderão discordar do inevitável tempo que gira sobre o universo.

    Responder

  17. Querido Irmão Daniel Fidélis. Mais um artigo de muita lucidez. Quando penso como iniciado nas agruras do dia a dia a que somos confrontados e no enorme sacrifício para se manter ativo e reativo em relação ao mundo que nos cerca, a questão do silêncio perpassa toda a nossa experiência pessoal e vai de encontro ao coletivo exigindo-nos uma capacitação extra que poucos sabidamente conseguem encontrar. Mesmo assim, felizes daqueles que conseguem suplantar todo o cenário atual e se manter estável ouvindo suas vozes internas no sentido da iluminação alquímica e espiritual.
    Abraço fraterno. Frater Hermes.

    Responder

  18. São conhecimentos que nos eleva a uma consciência espiritualno entanto ainda não sou um estudante mas pretendo iniciar assim que for possível é muito interessante

    Responder

  19. O Apóstolo Paulo ensinou que a fé vem pelo ouvir, saber ouvir a palavra que é luz. Muitos sons causam confusão mental e, por certo, confusão espiritual, por isso faz-se necessário o silêncio para pensar, refletir, se isolar, ter paz, etc.
    Gostei do seu texto e das mensagens contidas nele. É uma verdadeira peça de arquitetura.
    Gostei também de ler os comentários das pessoas que quiseram contribui com um pouco da verdade que há em si.
    Um forte e fraternal abraço.

    Responder

  20. Bom dia
    Amei de todo coração este estudo sobre fazer o silencio para aprender, vou exercitar este ensino, pois se faz necessário praticar.
    Grata
    Aparecida

    Responder

  21. Prezados, discordo em parte.
    Há momentos de calar e momentos de falar.
    Quando se está no papel de professor a palavra desperta a ressonância na alma de quem a ouve.
    Quando se está no papel de ouvinte, deve-se calar para que a palavra tenha a possibilidade de iniciar a ressonância em algo interior que precisa ser despertado.
    Estou falando de som, de conceito (conteúdo do som) e de papéis das pessoas.
    O difícil em cada momento é sabermos qual a hora de falar e qual a hora de calar.
    Não há regra. Isso deve ser percebido por cada pessoa a cada instante.
    Todos somos professores e alunos. Trocando papéis sempre.
    É um círculo virtuoso: despertamos, aprendemos e ensinamos.
    Só se aprende fazendo. Boas experiências a todos!
    Abss. Stangari.

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *