Enxofre, Mercúrio e Sal: os Três Princípios da Alquimia explicados

Todo Buscador que se aproxima da Espagiria esbarra, inevitavelmente, nos três princípios da alquimia: o Enxofre, o Mercúrio e o Sal, a tria prima que está no coração de toda a Obra.

Eles indicam qualidades filosóficas presentes em cada ser da Natureza. Paracelso as separava com cuidado das substâncias vulgares de mesmo nome, pois falava de princípios operantes, qualidades que agem por trás da matéria, muito além do enxofre amarelo do laboratório ou do sal que tempera a comida.

O Enxofre responde pela Alma, o Mercúrio pelo Espírito e o Sal pelo Corpo. Guarde essa correspondência, porque é ela que organiza, do começo ao fim, tudo o que o alquimista realiza.

Neste artigo, você vai entender cada princípio em sua natureza e ver como a destilação torna esses princípios visíveis diante de seus próprios olhos.

Os três princípios da alquimia, um a um

A antiga alquimia árabe explicava a formação dos metais com apenas dois princípios, o Enxofre e o Mercúrio. A grande contribuição de Paracelso, no século XVI, foi acrescentar o Sal como terceiro princípio, completando a tria prima que Basílio Valentim também transmitiu e que atravessa toda a Espagiria.

  • O Enxofre é o princípio da combustão e da individualidade. É aquilo que arde, o calor e o desejo que dão a cada ser um caráter único que nenhum outro possui. Por isso corresponde à Alma, o núcleo ardente que faz de você quem você é.
  • O Mercúrio é o princípio da volatilidade e da vida que circula. É a força que sobe, que liga o alto ao baixo e conduz a inspiração. Por isso corresponde ao Espírito, a inteligência que anima e conecta todas as partes.
  • O Sal é o princípio da fixação e da forma. É o que permanece, a estrutura que sustenta e dá assento aos outros dois. Por isso corresponde ao Corpo, o vaso sem o qual a Alma e o Espírito não teriam onde agir.

Cada um carrega uma qualidade que os outros não têm. Vale aqui a máxima da Tábua de Esmeralda, de que o que está em cima é como o que está embaixo. A mesma tríade que compõe a planta compõe o ser humano, em outro nível.

Os três revelados na destilação

O que na filosofia parece abstrato, na bancada se materializa. A Espagiria vegetal, porta de entrada da arte, mostra os três princípios de um modo que você pode ver, cheirar e tocar com as próprias mãos.

Tudo começa pela separação. Do vegetal se extrai, por arraste a vapor na maioria das vezes, o óleo essencial, que é o Enxofre da planta, a sua Alma aromática, portadora do aroma que a diferencia de qualquer outra.

Da mesma matéria, pela fermentação e pela destilação, obtém-se o álcool, o Mercúrio, o Espírito volátil que sobe pelo alambique e se condensa límpido. É a parte que evapora e ascende, mantendo fidelidade à sua natureza.

Resta a massa escura e sem vida, que ainda guarda o terceiro princípio. Pela calcinação, ela se reduz a cinzas, e das cinzas se lavam os sais brancos e fixos, o Sal, o Corpo mineral que resistiu ao fogo.

Depois de separar, o alquimista purifica cada princípio e por fim os reúne. Alma, Espírito e Corpo, agora limpos de suas impurezas, retornam a uma perfeita união, na tintura, na quintessência ou em outra forma.

Essa é a lição de Paracelso, Basílio Valentim, entre outros mestres espagiristas. Separar para purificar, purificar para reunir. A mesma operação que se faz no vidro, o Buscador aprende, com o tempo, a realizar em si mesmo.

O princípio vivo por trás da técnica

Compreender os três princípios da alquimia vai muito além de decorar um conceito. É receber a chave que organiza toda a prática espagírica, da primeira erva à última quintessência.

O Enxofre, o Mercúrio e o Sal deixam o campo do dicionário e se tornam a gramática viva da Obra. Onde existe Natureza, ali estão os três, à espera de quem saiba separá-los e reuni-los com arte.

Quando você olha uma planta e enxerga nela Alma, Espírito e Corpo, já começou a pensar como um Alquimista. O conceito abriu a porta da Tradição.

Falta atravessá-la, e essa passagem se faz com as mãos, no calor e na paciência do laboratório.

Se este breve texto despertou em você a vontade de ver os três princípios se separarem e se reunirem em sua própria bancada, é exatamente disso que trata a Oficina de Alquimia Espagírica. Nela, o Enxofre, o Mercúrio e o Sal saem do conceito e vão ao vidro, da destilação dos óleos essenciais às tinturas e quintessências, pelo método vivo que Paracelso e Basílio Valentim legaram.

Como costumo dizer, cada gota destilada transforma também o operador, porque a Obra externa e a Obra interior caminham sempre juntas.

E se você chegou até aqui pela busca e ainda não faz parte do Círculo Interno de Leitores, cadastre-se de forma gratuita para receber os próximos conteúdos sobre a Espagiria e o Caminho hermético. É assim, um artigo de cada vez, que a Tradição segue passando de mão em mão.

Daniél Fidélis ::

Sobre o Autor

Daniél Fidélis é o orientador da Irmandade Hermética da Sagrada Arte - IHSA e autor do Blog Alquimia Operativa.

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