[PDF] Alquimia: Os Três Princípios Filosóficos, os Quatro Elementos e a Quinta Essência

O presente artigo é uma tradução livre de parte do terceiro capítulo da obra Alchimia Verde Spagirica Vegetale, de Manfred M. Junius.

Considero este livro de altíssima relevância para os praticantes da Espagiria.

Sugiro que baixem o PDF no final e retornem a leitura, para um maior aprofundamento dos conceitos. Pretendo traduzir e disponibilizar outros trechos do livro, futuramente.

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Eis o texto:

A tríade (tripla manifestação da existência) de todas as coisas existentes encontra sua expressão alquímica nos três princípios filosóficos ou as três substâncias.

São consideradas a base de toda manifestação.

Os princípios filosóficos constituem uma unidade na trindade, embora sejam distintos entre si.

Se chamam: Mercúrio, Enxofre e Sal. Estes, não têm nada em comum com os elementos da química convencional, ou seja, não se trata de Hg ou de S.

Na terminologia alquímica:

MERCÚRIO significa o princípio vital, o prana da tradição indiana (anônimo e não consciente);

ENXOFRE significa a alma e a consciência, o atma da tradição indiana;

SAL significa o corpo, o sólido, a matéria no sentido próprio.

Vejamos uma gravura da obra Viridarium Chimicum, Frankfurt, 1624:

O triângulo representa os três princípios filosóficos.

Vemos em um lado da figura central: Spiritus, o volátil (o pássaro). Está também a Lua, o princípio feminino. Este ângulo representa o mercúrio.

No lado oposto lemos: Anima. Estão representados também o Sol, o princípio masculino, e uma salamandra, que simboliza o fogo. Este ângulo representa o enxofre.

Os dois componentes, enxofre e mercúrio, representam a Lei da Polaridade. Na parte inferior do triângulo vemos um cubo rodeado de estrelas: é aqui onde a matéria é elaborada, esta é o corpo (corpus), que é neutro. Este ângulo representa o sal.

O velho leva na mão direita uma tocha (fogo, luz, calor), e na mão esquerda a bexiga de um peixe (ar, pressão e o controle da pressão).

O pé direito está sobre a terra; O esquerdo, na água.

À direita está representado um rei sentado sobre um leão e um dragão. À esquerda, por sua vez, está Diana, sentada sobre um monstro marinho. O corpo (sal) entre os pés da figura central, reúne em si os princípios mais altos, ou seja, o enxofre e o mercúrio.

O enxofre é o princípio ativo, solar, régio, la potência original; O mercúrio é o princípio passivo; O sal constitui o equilíbrio entre eles, o neutro.

O enxofre é o fogo primordial e também o princípio da forma, o mercúrio é o úmido primordial.

O enxofre é a alma e o princípio de amor e do fogo invisível; O mercúrio é o princípio vital e a Vida; O sal é o corpo.

Cada ser une em si estes três princípios.

Em toda parte, no Universo, podemos observar três formas de manifestação coexistentes:

  1. A primeira: as sutilíssimas partículas dos átomos, que se manifestam materialmente e que representam o sal;
  2. A segunda: o princípio vital, prana, que se manifesta em uma infinidade de formas, desde as mais simples organizações moleculares até as estruturas mais complexas, que representa o mercúrio;
  3. A terceira: a consciência, que dirige e forma desde o interior tudo aquilo que vive. Esta consciência é a alma, o atma, que representa o enxofre.

Na alquimia se usam os seguintes símbolos:

Os três princípios filosóficos são acessíveis a nossos sentidos sob uma quádrupla forma:

  1. Sólida – 2. Líquida – 3. Gasosa – 4. Radiosa ou etérica

Esta quádrupla forma se manifesta nos quatro elementos, que são: terra, água, ar e fogo, os quais mostram as características de calor, frio, úmido e seco.

A terra é fria e seca, a água é fria e úmida, o ar é quente e úmido, o fogo é quente e seco.

A causa de suas duplas características, os elementos podem transformar-se uns nos outros. Os quatro elementos, tomados de dois em dois, têm sempre uma das características em comum.

Mais do que ser elementos no sentido da química, ou seja, substâncias, os elementos alquímicos são formas de manifestação das substâncias.

Na alquimia, os elementos são indicados com os seguintes símbolos:

Conjuntamente, eles formam o símbolo (conhecido como Selo de Salomão):

Podemos todavia meditar sobre os arquétipos dos elementos:

O fogo significa: calor, expansão, o ativo, o criativo, o puro, o sutil, o nobre, o virtuoso, o princípio masculino, a potência, a força, a vontade, a generosidade e o altruísmo.

O ar, que é mais denso, é precipitado pelo fogo, e é mediador entre este e a água.  É também portador da semente e significa: sabedoria, claridade, pureza, intelecto, razão, comunicabilidade e expansão entre os seres.

A água é a soma do fogo e do ar coagulados. O vapor se condensa e se converte em água. A água é magnética, é considerada o mênstruo universal e a mãe das coisas. É o ar condensado ou terra líquida. É fria e adstringente. Significa: o passivo, o absorvente, o penetrante, a vida, os sentimentos, o amor pela natureza e pela Grande Família. É mediadora entre o ar e a terra.

A terra é sólida e encerra em si todos os outros elementos ou seja: o fogo coagulado, a água coagulada, o ar e o vapor condensados. É a mãe dos metais, dos minerais, das plantas e dos animais. É a matriz das manifestações que deve produzir a imortalidade e a vida eterna e levar à consciência aquilo que ainda não possui.

O grande alquimista Johannes Isaac Hollandus faz distinção entre os dois elementos evidentes, como são a água e a terra, e os dois elementos influentes, o ar e o fogo.

Estes últimos estão escondidos nos primeiros: o ar na água e o fogo na terra. A terra e a água são elementos fixos, e o fogo e o ar são elementos voláteis. Na primeira figura deste artigo encontramos os elementos fixos representados abaixo e os voláteis acima.

O restante da figura não se atém tanto à obra vegetal, que é também chamada Pequena Obra ou Circulação Menor, como a Grande Obra sobra a qual nada pode ser dito aqui.

Nos quatro elementos está presente uma Quinta Essência, que todavia não é nenhum deles. Esta penetra a Criação. Em certo sentido, pode ser assemelhada ao Éter ou também ao Akasha das filosofias esotéricas indianas. “…faz tudo, onde sem ela nada pode ser feito” (Raimundo Lulio).

A Quinta Essência é o núcleo espiritual de todas as coisas, e – Segundo Paracelso – “o extrato de todos os elementos”, ou seja, o substrato incorruptível.

Tudo o que existe tem sua origem nela. A Quinta Essência é a força vital de todos os seres viventes e de todas as substâncias existentes Ela também é chamada “Mãe, Água Celeste, Espírito Universal, Mercurius, Mãe Terra, Mãe das Águas, Fonte Perene, Oceano, Coelum, Substantia Coelestis, Radix Substantialis, Animae Mundae, Seminarium Mundi, Menstrum Coeleste, Spiritus Coelestis, Clavis Philosophorum.

Recapitulemos tudo o que foi dito até agora, no seguinte esquema:

  1. Um Princípio Divino que se manifesta na união da Matéria Prima e da Energia Primordial, que juntas constituem UMA realidade e juntas conduzem a criação. Esta primeira parte do esquema às vezes é também simplesmente chamada, na alquimia, “Matéria Prima”.
  2. A Dualidade: os dois componentes Enxofre e Mercúrio como polaridade.
  3. A Tríada: os três princípios filosóficos, ou seja Enxofre – Mercúrio – Sal.
  4. A Quadruplicidade: os quatro elementos, Fogo – Ar – Água – Terra.
  5. A Quintuplicidade: as Cinco Naturezas, ou seja, os quatro elementos com a Quinta Essência.

Segundo a filosofia hermética, a natureza é vista como a sombra do ser que forma o Universo.

O Todo é animado pelo Princípio Divino.

Este princípio se divide inicialmente em partes passivas e partes ativas: “Matéria Prima e Energia Primordial”, chamadas “Prakrti e Purusa” na filosofia indiana, “Yin e Yang” na tradição chinesa, “Mercúrio e Enxofre” na tradição hermética.

O Mercúrio Original é também chamado: Água Caótica; Água do Abismo; Água Divina; Aqua Aeterna; Água de prata; Mare Magnum Philosophorum; Água Celeste; Húmedo Primordial; Princípio indeterminado de todos os indivíduos; Lagarto Filosófico; Princípio Feminino.

O Mercúrio Original, em sua função de princípio oposto à Energia Original (representada pelo símbolo solar ☉), é também simplesmente chamado “Lua” ou “Diana” e é representado pelo símbolo da Lua: ☽.

A Energia Original é o “Fogo Não Criado” ou “Fogo Interno”, que a Matéria Original contém em si. É chamado também “A Palavra de Deus sobre as Águas”, “Cabeça do Dragão”, “Sol”, “Fogo Original”, “Força Original”, “Princípio Formativo”, “Princípio Masculino”, “Enxofre”. Está representado pelo ponto no centro do símbolo solar (☉), que se forma no interior da Matéria Prima (◯, que é também o símbolo do vazio ou do zero).

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8 Comentários


  1. Boa tarde Daniel. Quando penso na tríade tb relaciono com os princípios indianos de Bhrama, Vishnu e Shiva. Mas tentei fazer esse link com a tríade mencionada porém não tive muito sucesso no meu raciocínio. Como vc enxerga isso?

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  2. grato,embora tendo visto de outros ,não tive tão boa explicação .

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  3. Onde posso baixar esse livro em português e completo?

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