A Livraria Oculta do Sr. Francisco Laissue

A livraria do Sr. Laissue faz parte de uma das fases mais importantes da minha jornada. O que estou prestes a revelar neste artigo é uma história real.

Há muitos anos, um amigo de jornada indicou-me uma livraria no centro do Rio de Janeiro. Segundo ele, lá eu encontraria tudo o que estava buscando naquele momento.

Ele me passou o endereço, disse que pertencia a um argentino, já de idade avançada, e que se chamava Francisco. Disse que ficava no mercado das flores, próximo à rua Uruguaiana, e que o prédio tinha uma porta giratória parecida com as portas de agência bancária.

Recomendou a subir a escada e bater na primeira porta do 1° andar.

Anotei tudo, todas as recomendações, a dizer quem me indicou, etc…

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A livraria do Sr. Laissue


Na época, eu não trabalhava e não tinha qualquer fonte de renda. Eram apenas eu, minha mãe e minha irmã. Vivíamos com a pensão por morte do meu pai. Logo, não levei muito dinheiro.

Não foi difícil encontrar o tal prédio com portas giratórias. Ao adentrar, dei de cara com um lance de escadas e um balcão com dois atendentes. Mesmo sabendo que devia subir as escadas, fui direto aos atendentes e disse que estava ali para visitar a “livraria”. Fiquei receoso deles interceptarem meu deslocamento até a escada.

Muito educadamente, eles disseram: Ah, a livraria do Seu Francisco? Só subir as escadas e bater na primeira porta. Agradeci e subi as escadas.

Ao colocar meu pé no primeiro degrau, comecei a ficar nervoso, minhas pernas começaram a ficar bambas. Estava muito ansioso.

Ao ficar de frente para a porta (sem qualquer placa de identificação) respirei fundo e bati. Aguardei por quase um minuto. Bati novamente. Comecei a pensar se não tinha dado uma viagem perdida.

De repente, ouvi passos atrás da porta. Meu coração acelerou e se alegrou ao mesmo tempo. Surgiu diante de mim um senhor idoso, de fala cansada, com forte sotaque argentino.

Nunca esquecerei da primeira visão que tive da livraria. Parecia que eu estava entrando em um filme. As estantes iam do chão até quase o teto, tudo era simples, rústico, e ao mesmo tempo imponente.

Escrevendo este texto, pude reviver a sensação e até o aroma dos livros.

Ainda irei inventar um incenso com aroma de livro antigo. Só que para isso, precisaria de banha de porco e sacrificar livros antigos. Acho que seria um pecado contra eles.

Fiquei angustiado


Comecei a andar pra lá e pra cá. Nunca tinha visto tantos livros de alquimia e esoterismo no mesmo lugar. De estante em estante, de prateleira em prateleira, alisava todos eles, olhava a capa, dava aquela folheada rápida para sentir o aroma.

Os livros não tinham preço. Era necessário perguntar ao Sr. Francisco.

Depois de algumas horas, formei uma pilha de livros sobre o balcão. Perguntei quanto era. Ele foi tirando um a um da pilha, anotando os valores e formando outra pilha ao lado.

Sinceramente, não lembro o valor total. Mas, não esqueço que fiquei bastante vermelho ao ouvir. Não sabia o que falar, nem para onde olhar, de tanta vergonha e angústia por não ter o dinheiro suficiente.

Ele, percebendo meu alvoroço interior, disse que eu podia parcelar no cheque. Fiquei mais sem jeito ainda. Não tinha emprego, muito menos conta em Banco.

Sem pedir desconto, sem contar uma história triste, tirei o dinheiro do bolso, separei o da passagem de ônibus para eu voltar para casa e perguntei quantos livros eu podia levar com o valor que me restava. Ele revirou quase todos os livros e separou três. Nem vi direito quais eram. Pedi para embrulhar.

Saí feliz com três livros fininhos embalados em papel de aviário (aqueles de cor rosa, lembra?) com barbante.

Fui lendo no ônibus mesmo.

À noite, antes de dormir, fiquei fantasiando eu chegar na livraria com o bolso cheio de dinheiro e levar todos os calhamaços que eu tivesse interesse. Mas, não sabia como.

Meus olhos lacrimejaram e senti uma tristeza muito grande.

A fotocópia era o PDF de antigamente


Dias depois, reencontrei o amigo que havia me indicado a livraria. Ele perguntou se eu estive lá.

Após agradecer a valiosa dica, compartilhei minha frustração por não ter condições de adquirir os livros que mais me atraiam a atenção.

Foi quando ele disse ter um amigo que trabalha em uma multinacional. Esse amigo tinha acesso livre a um setor de cópias e encadernações. Ele copiava e encadernava qualquer livro.

Imediatamente, recusei a oferta. Não tinha conhecimento sobre direitos autorais, mas não me pareceu correto.

“Mas, a gente não está vendendo”, disse ele. Tudo bem, eu disse. Mas, imagine que você resolva tornar-se um escritor e passe a depender exclusivamente dos seus direitos autorais, imagine toda a cadeia de produção do livro. Do editor às livrarias, existe toda uma cadeia de profissionais que dependem desse trabalho.

E, se, após meses de trabalho para colocar sua obra no mercado, ao invés dele ser comprado, seja copiado? Parece justo?

Ainda que seja uma obra de domínio público, este domínio refere-se ao texto original. As edições atuais, com suas traduções, diagramações, capa, ilustrações, etc, não estão sob domínio público. Pertencem à editora que o publica.

Ele não discordou, mas também não voltou atrás em seu posicionamento. Como eu nunca gostei de convencer as pessoas sobre alguma coisa, não alimentei o argumento. Nunca mais tocamos no assunto.

Não queria fundamentar minha jornada com atitudes moralmente duvidosas. Em tudo deve haver uma troca, um fluxo de energia, a fim de mantermos o equilíbrio.

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Passei a vender cartão telefônico


Dias depois, conversando com um vizinho que trabalhava revendendo cartão telefônico, recebi a oferta de revender para ele.

Ele comprava em grande quantidade e vendia caixinhas fechadas em lojas que possuíam um telefone público instalado ou próximo. Naquela época ainda não tínhamos celulares. Mesmo o telefone fixo não era comum.

As pessoas utilizavam o “orelhão” para se comunicar. Era comum ter fila em frente a um telefone público (algo inimaginável hoje).

Depois de algum tempo, reuni algum dinheiro e comprei o mínimo que ele podia fornecer para mim.

No início, tive muita dificuldade. Quase todas as lojas em que eu entrava, o dono já comprava os cartões com alguém. No primeiro dia, vendi muito pouco. Voltei para casa chateado.

A cada dia, fazia uma rota diferente. Entrava em farmácias, açougues, padarias, posto de gasolina, bares e restaurantes.

Com o tempo, fui pegando o jeito. Passei a comprar quantidades maiores.

Fazia todo o trabalho a pé. Não tinha transporte próprio e não compensava tomar um ônibus para saltar na quadra seguinte.

Passei a sair de casa pela manhã com uma maleta abarrotada de caixinhas de cartão. Percorria dois ou três municípios a pé na Baixada Fluminense (São João de Meriti, Belford Roxo e Nilópolis).

Quando os cartões acabavam, fazia um lanche e pegava o ônibus para casa. Quando chegava, tirava o tênis, tomava um banho e pulava na cama. De tão cansado, com dores nas pernas e nas costas, só acordava a noite, para a janta. Depois, estudava até meia noite.

No dia seguinte, fazia uma nova rota. Cada dia da semana era um trajeto diferente. De modo que a quantidade que eu vendia para cada estabelecimento era suficiente para sete dias.

De volta à livraria


Livraria Laissue
Muitos dos meus livros possuem este carimbo da Livraria Laissue

Somente após três meses vendendo cartão telefônico é que eu retornei à livraria. Levei uma mochila vazia para transportar os livros na volta para casa. Nos bolsos, tudo o que eu consegui juntar com o lucro dos cartões.

Cheguei pouco depois da hora do almoço. Procurei pelas novidades, pelos que ainda estavam lá e não pude comprar na primeira visita.

Nossa, que alegria ver o fruto do meu trabalho convertido naquelas preciosidades.

Ao chegar em casa, tirei um por um da mochila. Desembalei com muito cuidado, alisava a capa, folheava, olhava o índice… Um a um, ganhavam um novo espaço no meu armário. Uma nova morada.

A cada um ou dois meses eu retornava à livraria.

Passei a chegar pela manhã cedo. Antes de sair, separava o dinheiro da passagem do ônibus, do lanche no Bob’s, que ficava bem pertinho (não queria perder tempo) e o dinheiro dos livros.

Passava o dia inteiro na livraria (anos depois, ela passou abrir somente após o almoço). Primeiro eu separava o que podia comprar. O que eu não podia comprar, ficava lendo ali mesmo (o Sr. Francisco disse que não tinha problema rsrs).

Certo dia, me deu uma vontade tremenda de ir ao banheiro. Perguntei a ele se tinha algum por perto. Ele disse: atrás de você. Olhei, mas só vi uma estante de livros. Puxe, disse ele. Ao puxar, vi que um módulo da estante era uma porta. Atrás dela, uma porta de verdade, que dava acesso ao banheiro.

Fiquei impressionado com aquilo. Passei a olhar os outros módulos das estantes com um olhar desconfiado. E quando ele estava distraído, tentava puxar cada uma só para ver se era alguma passagem secreta.

A livraria oculta


Outro dia, perguntei a ele sobre determinado livro. Pois, não havia encontrado nas estantes. Ele olhou bem fixo nos meus olhos, como nunca tinha feito. Pediu para aguardar, bateu na porta que ficava atrás do balcão.

Quando a porta se abriu, apareceu um senhor mais idoso do que ele (eram irmãos). Mal podia andar. Após alguns sussurros, o outro senhor olhou para mim por alguns segundos que pareciam uma eternidade.

A porta se fechou. 10 ou 15 minutos depois, a enigmática figura ressurgiu com a porta entreaberta e com o livro na mão.

Foi nesse momento que eu percebi parte do cenário que ficava atrás da porta. O local era igual ou maior do que o salão onde os clientes tinham acesso. Deu para ver inúmeras estantes, todas abarrotadas de livros.

“Terei que vender muitos cartões”, pensei. Com o tempo, quando olhava para um livro, calculava quantos cartões eu precisava vender.

O Mistério se revela


Após alguns anos desde o meu primeiro contato com a livraria, algo extraordinário aconteceu.

Ao me despedir, após uma tarde de garimpo pelas misteriosas prateleiras, recebi um envelope das mãos do Sr. Laissue. Fiquei surpreso e curioso.

É um convite. Não abra na lanchonete, nem no ônibus, disse ele.

Quando eu cheguei em casa, ao invés de abrir o embrulho dos livros, segurei o envelope e examinei com cuidado. Não havia nada escrito. Dentro, uma folha dobrada três vezes.

No alto da folha, um símbolo cuidadosamente centralizado. Abaixo dele, em letra cursiva, uma frase em latim. No rodapé da folha, uma assinatura e uma sequência numérica.

Li mais de dez vezes aquele convite. Fui tomado de uma euforia nunca antes experimentada. Eu deveria estar no endereço indicado em determinada data e horário. E, deveria levar a carta convite.

O que mais me intrigou, era que eu conhecia o endereço. Tratava-se de um prédio público localizado no Centro do Rio. Se algum dia for permitido, compartilharei aqui mais este fantástico capítulo da minha jornada…

O que posso dizer, no momento, é que o mistério pode se revelar através de pessoas, lugares e circunstâncias nas quais jamais imaginamos.

Espero que esta partilha tenha sido uma fonte de inspiração para você. E, termino com um conselho: desconfie de tudo que vem fácil. Valorize o esforço, a disciplina e a humildade.

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31 Comentários


  1. Bom Dia Sr Fidelis!
    Muito me apraz ler seus artigos e muito aprendo e admiro o processo de divulgação de conhecimentos tão importante mas que muitos acreditam ser lendas e folclore!
    Apenas venho agradecer pelo seu esforço em alimentar essas informações e prover tamanho acesso ao conhecimento mais profundo!

    Brutus!!!

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  2. Bom dia Daniel !!

    Muito bom saber um pouco da história, com h, de nossas traquinagens. Acredito já ter comentado que pertenço
    a uma fraternidade, bem vivi e trabalhei em São Paulo – Capital vários anos e gostava muito de conviver nas livrarias sebos ( sebo porque muita gente usava o dedo sujo, com gordura de sanduiche, ou o qye for ) para folhear e saborerar os conteúdos. Meus pais já faleceream há muito tempo em acidente e na época uma pessoa me ajudou bastante, ( foi inclusive ao funeral ) meses mais tarde encontro-o em pleno centro da cidade onde morava !!! era dessa fraternidade !! ele me ajudou, gastou mas não se importou e depois de um
    tempo passamos a nos tratar com mais fraternidade do que dois irmãos biológicos. Desculpe a delonga mas a lembrança foi inevitável, em muitos lugares que convivi entrei em verdadeiros – muquifos – que dúvido quem me conhecesse deixasse, muita sabedoria nesses lugares, parabéns !!!

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  3. Olá Caro Irmão Fidelis.
    Foi com grande satisfação que li o seu artigo, muito inspirador. Que bela história e obrigado por compartilhar conosco esses conhecimentos.
    Grato
    José.

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  4. Boa tarde Daniel,
    Que emoção ler sua história.
    Também frequentei a livraria em busca de livros só encontrados por ali.
    Deixou saudades aquele cantinho da rua das flores.

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  5. obrigado por compartilhar sua experiência,seu conhecimento ,excelente artigo

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  6. Grata por compartilhar essa sua experiência. Eu amo livros desde pequena e livros herméticos sempre mim fascinaram.Eu mim vi em você nessa sua história. Eu leio muito e se pudesse comprava. Tinha eses livros esotéricos antigos todos. Quando vejo algum e posso comprar eu compro. Um abraço fraterno.

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  7. Caríssimo irmão Fidelis
    Bom dia!!!
    Este seu comentário me transportou a livraria do senhor Laissue eu também fui um assíduo fregues daquela livraria.

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  8. Boa tarde, Daniel!
    Uma pessoa que escreve assim, com este fascínio pelo livro, claro que por causa do poder que o livro tem, se satisfaz quando encontra um outro coração também entusiasmado pela leitura do oculto. É como se intuíssemos os mistérios, apenas precisamos ler para saborear o fruto…Delicioso o seu relato, também pelos personagens e as imagens relacionadas ao tempo, esse também um misterioso senhor. Grato, neste tarde, pela emoção, por sua generosidade, e pelo caminho mostrado, caminho árduo às vezes, mas compensador.
    Joel Aleixo

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  9. Que bela história. A livraria funcionava no Mercado das Flores também fez parte da minha história.Minha biblioteca foi toda montada com os livros de lá e na época estava me formando como professor de Yoga e já estudava Ocultismo.Que saudades.

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  10. Gosto muito dos seus artigos, sempre aprendo com eles. Obrigada por compartilhar tanto conhecimento.

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  11. Boa noite Daniel Fidélis ,me vi na tua história sobre livros antigos . Sempre me fascinaram e de alguma forma vieram até mim. Já li muitos e muitos livros sobre mistérios e magia . Livros esotéricos me foram apresentados por um senhor velhinho que morava em frente a minha casa. Acho que já contei a você sobre isso . Enfim , são lições e conhecimentos para toda uma vida. Por isso te sigo e curto , identifico-me de alguma maneira com você . Abraços fraternos.

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  12. O que mais gosto nos seus artigos é a riqueza e paixão que coloca nos detalhes, é difícil não se identificar com essas experiências (me identifiquei muito com o seu relato sobre o personagem Raimundo Flamel e o impacto pessoal na época) ou mesmo vivenciar de certa forma o que descreves, creio que cada um dos seus leitores tem uma história similar ou curiosa acerca do assunto.
    Tenho alguma vivência em sebos e livrarias e sinceramente para mim o prazer de adentrar um sebo é algo inigualável, pode se perder horas e horas em uma vivência acompanhada de um sentimento quase religioso, cada livro lá tem a sua história pessoal, suas dedicatórias, suas marcas, é quase como se o tempo parasse e experimentamos pequenos vislumbres do passado, algo que uma livraria com suas impressões novas e intocadas muitas vezes não consegue transmitir.

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  13. Daniel,
    Emocionante ler cada palavra da sua história. Ela é exemplo de disciplina, esforço e humildade. Vendo hoje todo trabalho e conhecimento que tem e disponibiliza, encoraja para que eu continue construindo o que acredito.
    Que seu caminho continue sendo iluminado!

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  14. Prezado Daniel

    Você, com este artigo, me fez lembrar dos meus caminho percorriddos para a busca de conhecimentos na AMORC. Quantas viagens a lugares insólitos. Iniciações. E as leituras. Ainda tenhos alguns livros raros para mim. não tantos como você acredito. Que bela narrativa. Lembrou-me OS ENCONTROS COM O INSÓLITO e MANSÕES SECRETAS DA ROSACRUS de Raymond Bernard. Além de Zanoni e Irmão do Terceiro Grau. GRATIDÃO, GRATIDÃO, GRATIDÃO… Paz Profunda.

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  15. Olá, muito bom gostei, fiquei curioso com a outra parte da história, a parte oculta. Grato

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  16. Smpre que posso leio seus artigos…
    Espero que um dia você possa terminar de contar essa história, está muito boa por sinal…
    😊😊😊
    Parabéns pela sua página e espero um dia poder sua aprendiz…
    Felicidades.. 🕉🕉🕉

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  17. Daniel, boa tarde!
    É bom rememorar e compartilhar lembranças.
    Por volta de 1994, depois de uma EQM dei inicio a uma caminhada sem fazer a minima ideia de que caminho era, qual o meu objetivo, qual o proposito de tudo o que experienciei. Conversando com um grande amigo ele me falou que o pai costumava ir muito a uma livraria no centro do Rio. A descrição é exatamente a que você deu. Fui e fiquei literalmente encantada com a livraria, era outra dimensão. Inexplicável as sensações e emoções. Ao sair daquele estado, um senhor estava a meu lado e disse: já separei seus livros. Devia ter uns 20 livros de varias espessuras, capas e idades. Pensei comigo: este senhor tá doido, não tenho dinheiro. Antes de dizer isto, ele simplesmente virou e disse: pague uma parte agora, o que você tiver e o restante em… nem lembro o mês. Como combinado, paguei o restante e disse que não tinha entendido nada do que li. Simplesmente, sem quase mexer os lábios falou, releia sem pensar. Voltei lá algumas vezes, na ultima ele me entregou 20 exemplares de Ami o menino das estrelas e mandou que eu o desse de presente apessoas. Distribui para algumas pessoas, muito jovens, mas era quase uma ordem.Nunca mais voltei a livraria, mas ela esta em mim até hoje.

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  18. poxa… história tão cativante…. tomara que a continuidade possa tão logo ser liberada.
    Ouvi-la pessoalmente muito me motivou: sua busca, o encontro, a gratidão, e o empenho diário pela permanência – como descrevo o que por você ouvi. Obrigada

    Responder

  19. Fascinante essa pequena parte de tua história, mesmo com toda a informatização, ainda sou apaixonada por livros físicos, lendo teu relato consegui me sentir em meio a essa biblioteca.

    Responder

  20. Quando era adolescente li um livro de W. Somerset Maugham, “O Fio da Navalha”. Quase no fim do livro o autor avisa que o capítulo “6” poderia ser pulado sem perder o nexo do romance. O capítulo transcreve uma conversa sua com um amigo, e o autor adverte que se não fosse por tal conversa talvez ele nem tivesse escrito o livro. E se eu não tivesse lido o capítulo talvez não procurasse saber o porquê dos mistérios que cercam as coisas.

    Responder

  21. ola
    li teu artigo ontem depois das seis da tarde, tinha recém chegado da cidade, e o que tu narrou da tua primeira visita a livraria, tinha acabado de acontecer comigo de tarde, fui a um sebo e separei alguns livros sobre medicina natural e evas medicinais,tb não pude levar todos por falta de grana…….ms vou voltar para buscá-los, com certeza , num segundo momento,
    isto me impressionou muito, pois não acredito em coincidencias, tem algo mais…sintonia?não sei o que ainda……
    preciso ler mais, aprender mais, adorei…parabéns teu escrito é cativante
    abraço

    Responder

  22. Eu também fui nessa livraria, fiquei impressionado que aquele senhor praticasse remo, tinha uma máquina simuladora de remo. Perguntei e ele me disse o fazia desde muito jovem. Falamos sobre liberdades e anarquismo, mostrei-lhe minha tatuagem com o símbolo do anarquismo, que eu tinha na época, ele risipidamente me deu uma “rasteira” isso é masturbação. Aprendi muito com aquele senhor, gostaria de ter conversado mais com ele.

    Responder

  23. Meu Caro Daniel
    Eu também partilho com você o amor pelos livros esotéricos
    inclusive possuo uma pequena biblioteca aqui em casa.
    Eu brinco com meus amigos dizendo que o dia que doar meus livros
    eu serei um verdadeiro iluminado devido meu apego a eles.

    Responder

  24. Havia lido este relato meses atrás. Mas agora vendo alguns e-mails que acumularam, encontrei esse link dentro de uma mensagem mais recente e resolvi ler novamente estando em ambiente mais calmo.

    Relato muito incentivador. Qualquer um que já tenha passado por essa sensação de não poder comprar o livro desejado por falta de grana vai se identificar. Ainda sofro um pouquinho disso mas não me entristeço, pois já observei que geralmente quando surge para mim uma dificuldade de adquirir alguma coisa, mesma que ela seja necessária, pode não ser o tempo mais proveitoso para eu ler o material. E sigo o fluxo. De vez em quando acabo até por receber de presente o que não pude comprar. Ou as vezes eu vou numa livraria pensando em procurar algum título que me pareça importante e me deparo com outro que nem sonhava em esbarrar. Fui uma vez pesquisar livros técnicos de eletrônica acompanhado da namorada e, enquanto eu procurava o meu livro alvo, a namorada ficou fuçando na estante de Filosofia procurando algo de Platão. Ela reclama que não achou nada e me pede uma ajuda na pesquisa. Bom, de fato não havia nada de Platão aparentemente, mas escondido no meio de um monte de livro duvidoso estava o segundo volume da segunda edição de “Os Grandes iniciados” de Édouard Schuré (Pitágoras – Platão – Jesus) que saiu pela editora Elos. Adoro este livro e eu conhecia ele através de um pdf redigitado. Foi uma das primeiras fontes que encontrei sobre Platão ser iniciado e me serviu de ponto de partida para me aprofundar neste detalhe. Resumo: Nem procurei mais o livro de eletrônica e a minha alma ficou bem mais satisfeita em ter o livro físico do Schuré para folhear. Então é sempre mais negócio sair entrando nas livrarias com o espírito de ” O que será que este lugar pode me oferecer” do que tentar encontrar algo que quase certo não vai estar disponível e acabar por sair frustrado de lá.

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