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Alquimia

Simbolismo Alquímico e Esotérico do Cervo

Daniél Fidélis
Escrito por Daniél Fidélis em 28/06/2021 3,5 min de leitura
Simbolismo Alquímico e Esotérico do Cervo
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O simbolismo alquímico do cervo é amplamente conhecido entre os estudantes de alquimia. Ele traz muitos mistérios. Inclusive, podemos notar sua presença em diversas culturas.

Nas séries da Netflix, Sweet Tooh e Sombra e Ossos, seu aparecimento é marcante no enredo. Na série A Descoberta das Bruxas (na GloboPlay), sua aparição ocorre algumas vezes, sempre associado à deusa Diana.

Em diversas produções audiovisuais o cervo aparece em circunstâncias que evocam algum tipo força natural.

Sua presença nos instiga a estudar de forma mais profunda sobre o seu significado.

Geograficamente, os cervos estão amplamente distribuídos por quase todo o mundo. Existem cerca de 27 espécies de cervos.

A foto em destaque deste artigo é do macho Cervus elaphus, também chamado de cervo-vermelho ou veado-vermelho, uma espécie de grande porte e mais robusto, comum no hemisfério norte.

Simbolismo Alquímico

Na obra O Tratado da Pedra Filosofal, de Lambsprinck, do século XIV, podemos apreciar uma lâmina (a terceira) que traz a figura desse curioso animal de frente para um unicórnio (figura 1).

Figura 1 – 3ª Gravura de Lambsprinck em “O Tratado da Pedra Filosofal”.

O cervo é o símbolo do Enxofre Filosófico (a Alma Alquímica). Enquanto o unicórnio, do Mercúrio Filosófico (o Espírito Alquímico). É o que indica o poema vinculado a essa figura.

A floresta é o Corpo que contém o Sal Filosófico.

Este é o texto que acompanha a 3ª Gravura da obra citada:

Os Filósofos têm prazer em repetir

Que a Floresta contém dois Animais selvagens:

Um deles, digno de elogio, agradável e rápido,

É um grande, forte e robusto Cervo.

Eles mostram junto a este o Unicórnio, caro ao Sábio.

Ambos estão bem escondidos nessa obscura floresta

E bem-aventurado será o homem

Que souber com sua Rede capturá-los.

Os Mestres indicam e mostram através disso

Que por todos os lugares

Esses dois Animais vagueiam na Floresta,

Pois é preciso compreender essa Floresta como uma única e mesma coisa.

Porque se observarmos seus fundamentos,

É do corpo que a Floresta recebe seu nome.

Então saberemos ver com toda certeza

Que o Unicórnio é o Espírito.

Quanto ao Cervo, ele não deseja verdadeiramente outro nome

Senão o de Alma, que ninguém pode usurpar.

Será justo dar o nome de Mestre

Àquele que, pela Arte, souber dirigi-los e controlá-los

Fazendo-os sair da Floresta,

De modo que juntos eles possam se reunir.

Julgaremos então que, legitimamente,

Ele terá alcançado o Rio de Ouro [ou Carne de Ouro]

E que ele triunfará em toda parte,Novo Augusto em seu glorioso império.

O Cervo e o Unicórnio, nesta gravura, representam o Enxofre e o Mercúrio em seu estado bruto (selvagem), antes da extração e de suas respectivas purificações.

No entanto, o poema como um todo refere-se, de forma velada àqueles que desconhecem o sentido laboratorial da Alquimia Espagírica, ao processo de extração dos Três Princípios Filosóficos (Enxofre, Mercúrio e Sal), sua retificação e posterior reunificação; o Solve e o Coagula.

É a magia da floresta que aproxima os dois opostos: mercúrio e enxofre; feminino e masculino; o invisível e o visível; o que está em cima com o que está embaixo.

Por esta propriedade, muitas práticas de magia natural têm os seus resultados potencializados quando conduzidos em meio à natureza.

Caso o cervo esteja representado com asas, temos a combinação dessa simbologia: um estado mais elevado, mais próximo do Criador ou em busca dessa comunhão.

Figura 2 – Cervídeos representados por pintura na rocha, feita por índios, em Utah.

Significado Geral do Cervo

Quando ameaçado, o cervo foge no sentido do vento, levando consigo o seu próprio cheiro. Isso evoca a ideia de prudência.

Devido à forma da sua galhada, o cervo é frequentemente comparado à árvore da vida: sua renovação vincula o animal ao simbolismo da fecundidade, ao crescimento e aos renascimentos.

A cerimônia da abundância, realizada pelos índios da Flórida, era conduzida no festival do Sol, na primavera.

Eles erguiam um poste e colocavam, no topo, uma pele de cervo que tivesse sido arrancada de um animal capturado em caça-ritual.

A pele desse cervo era recheada com folhas, com o objetivo de devolver a sua forma original, e ornamentada com frutos e outras plantas.

Em seguida, orientavam a montagem para o nascer do sol. Todo o ritual era desenvolvido em torno dessa ornamentação.

A presença do cervo é o indicador da luz que guia o ser humano em sua jornada.

Em outras tradições, tanto do ocidente quanto do oriente, o cervo assume uma amplitude espiritual. Ele emerge como a ponte entre o céu e a terra.

Como mensageiro do divino, seu simbolismo está estreitamente relacionado à árvore da vida, aos chifres e à cruz.

Na Antiguidade, era consagrado à deusa Diana (Ártemis), a virgem caçadora. Quando um cervo aparecia próximo às oferendas dirigidas à deusa, isso era interpretado como sinal de sua aprovação.

Orígenes interpretou o cervo como o inimigo e o perseguidor das serpentes (animais da terra e da água). O cervo, como animal solar, se assemelha à águia, também perseguidora das serpentes.

Na cavalaria, a coxa de cervo, evocando a caça, é signo de realeza, pois só o rei e os nobres tinham o direito de caçar esse animal. Ele simboliza uma realeza sacrificial.

O cervo na mitologia

Na iconografia mitológica greco-romana, os cervos são atrelados à carruagem da deusa Ártemis (Diana), que os conduz com rédeas de ouro. Sem dúvida, eles devem esse privilégio à sua agilidade.

Diana de Poitiers (a favorita do rei Henrique II), foi muitas vezes representada acompanhada de um cervo, e com uma divisa que poderia ser a da deusa caçadora: quodcumque petit consequitur (ela obtém tudo o que deseja).

Há uma divindade gaulesa que tem o nome de Cernunnos, aquele que tem o alto do crânio como um cervo.

É representada sobre o caldeirão de prata de Gundestrip, sentada na postura búdica, segurando com uma das mãos um colar metálico (ornamento típico dos gauleses e, mais tarde, dos soldados romanos) e com a outra, uma serpente.

Está rodeada pelos mais diversos animais, principalmente um cervo e uma serpente: talvez se deva interpretar essas galhadas de cervo que encimam a cabeça do deus como uma irradiação de luz celeste.

Outro monumento notável é o de Reims, no qual Cernunnos está representado como o deus da abundância. Conhecem-se muitas outras representações desse mesmo deus. Todavia, é bem possível que ele deva ser interpretado como sendo o senhor dos animais.

Os gauleses usavam numerosos talismãs feitos com chifre de cervo; e foram encontrados na Suíça, em tumbas, cervos sepultados ao lado de cavalos e de homens.

Esse fato foi relacionado com as máscaras de cervos de que estavam munidos cavalos sacrificados na região altaica (montes Altai), nos séculos V e VI antes da nossa era.

Entre os antigos hebreus, a palavra cervo, ‘ayyal, deriva do termo ‘ayil que significa carneiro; o cervo é muitas vezes considerado como uma espécie de grande carneiro, ou melhor, de bode selvagem, e daí provêm as diversas traduções da Vulgata.

Para os Celtas, seu significado o transforma em um mensageiro que possibilita o contato com os deuses.

De maneira geral, o Cervo está relacionado aos Elementos Fogo e Terra.

Para finalizar, deixo dois conselhos:

Primeiro: quando estudamos a simbologia de uma forma geral, devemos nos esforçar para guardar o nosso coração em relação às diferentes abordagens filosóficas e religiosas. O trabalho do simbologista não é julgar, mas entender as múltiplas perspectivas.

Segundo: não existe padrão (quase sempre) sobre o significado de determinado símbolo. É comum que determinada figura assuma um significado construtivo em determinada civilização e destrutivo em outra. O significado da serpente é um grande exemplo. No entanto, o mais comum é que o significado seja apenas diferente.

Atenção: se você está no módulo de simbologia da nossa Irmandade Hermética da Sagrada Arte, IHSA, encontrará o texto deste artigo disponível para download.

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