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Magia | Incenso

O Uso do Incenso no Antigo Egito e em Outras Culturas

Daniél Fidélis
Escrito por Daniél Fidélis em 04/01/2021 2 min de leitura
O Uso do Incenso no Antigo Egito e em Outras Culturas
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O incenso já era utilizado no Antigo Egito, onde as resinas de goma e resinas oleosas de árvores aromáticas foram trazidas da Arábia e Somália para utilização em cerimônias religiosas.

Os egípcios utilizavam esse perfume dos deuses – como o chamavam – para os rituais do templo, convencidos de que o incenso podia conduzir à divindade os desejos dos homens. Também o definiam como o “suor dos deuses que cai sobre a terra”.

Os egípcios foram os mais ancestrais produtores de incenso, antes mesmo do povo hebreu, utilizando-o principalmente para fins religiosos e espirituais.

O incenso egípcio resultava da combinação de diversos ingredientes que eram processados de acordo com fórmulas místicas. Era produzido com ingredientes como mel, vinho, passas e algumas resinas, e servia tanto para fins místicos quanto medicinais.

O incenso de resina extraído do tronco de algumas árvores originárias dessas regiões começou a ser difundido. Como um presente digno de reis e com valor equivalente ao ouro, em sua trajetória ele chegou a ser objeto de cobiça.

A resina não era só queimada nos templos. Seu uso era comum nas casas, onde cumpria o papel de limpeza do ambiente.

No desenvolvimento das experiências sensoriais, o incenso foi a forma primitiva de obter fragrâncias agradáveis por meio da queima de ervas, madeiras, raízes e resinas de plantas.

“Deuses amam fragrâncias”. Esse era um ditado comum entre os antigos egípcios. Para eles, a queima de incenso desempenhava um papel importante na adoração.

Crendo que os deuses estavam próximos, os egípcios queimavam diariamente incenso nos seus templos e em altares nas casas, e até mesmo quando tratavam de negócios.

Apenas sacerdotes e sacerdotisas acessavam essas preciosas substâncias. Eles usavam um incensário horizontal muito parecido com os atuais potes.

Oferenda à Divindade

Os antigos egípcios usavam os incensos nos incensários como oferendas. As gravuras mostram os cultuadores com uma libação ou outro presente em uma das mãos e o incensário na outra.

Eles cultuavam Rá, o deus sol, queimando resina (provavelmente, olíbano) ao amanhecer; mirra, ao meio-dia, e, ao pôr do sol, um incenso especial chamado kupki – uma mistura de 16 ingredientes, inclusive mel, vinho, passas e mirra.

A própria feitura do kupki era uma atitude sacra, pois enquanto era preparado, eram lidos textos sagrados.

Os cubos de incenso eram postos em um recipiente com a forma de uma cabeça de águia coroada por um disco solar em honra ao deus Rá.

Segundo conta Alexandre, de Alexandria, os egípcios apaziguavam os deuses por meio de orações e de incenso.

Rota do Incenso – Uma Jornada Religiosa

O comércio do incenso era sagrado e cheio de riscos.

Por mais de dois mil anos, comerciantes árabes conduziram grandes caravanas de camelos ao longo do trajeto que tinha cerca de quatro mil quilômetros. Mais tarde, essa via foi chamada Rota do Incenso.

Em linhas gerais, a Rota saía de Omã, descia para o Iêmen, Aden e subia para a costa ocidental da Arábia Saudita por meio de Petra, uma fortaleza quase impenetrável, e então seguia para a Terra Santa, de onde grandes quantidades de incenso de resina eram expedidas para os impérios do velho mundo.

Algumas dessas caravanas compreendiam mais de mil camelos, carregando mais de 200 quilos de incenso. Era uma jornada religiosa, que passava por montanhas rochosas e por desertos extremamente áridos.

O ápice do comércio de incensos de resina se deu durante o Império Romano, no primeiro século a.C. Nero costumava queimar enormes quantidades dessa substância em cerimônias religiosas.

Em Alexandria, o incenso era tão valioso que os escravos que colhiam a matéria-prima de árvores eram obrigados a trabalhar quase nus, usando apenas uma tanga, para não roubarem, colocando em suas roupas.

Os povos utilizavam cada qual a sua forma peculiar e secreta de preparo de incenso e perfumes.

José, o jovem filho de Jacó, foi vendido para comerciantes ismaelitas que vinham “desde Gileade, e seus camelos carregavam ládano, bálsamo e casca resinosa, transportando-os para o Egito”. (Gênesis 37.25).

A procura de incenso se tornou tão grande que a Rota de Olíbano, sem dúvida estabelecida por mercadores de incenso, aumentou o número de viagens entre a Ásia e a Europa.

Incensos – Povos e Culturas

O incenso simboliza pureza, virtude, doçura, preces que se elevam.

Desde os primeiros tempos da civilização, a queima de resinas perfumadas, madeiras, plantas ou frutos secos têm sido um dos ritos mais universais para honrar divindades.

A literatura e a iconografia sacras sugerem que o incenso era usado originalmente para perfumar o ambiente de sacrifícios ou piras funerárias, mas posteriormente passou a ser usado como oferenda simbólica, compartilhando o significado emblemático da fumaça como um elo visível entre o céu e a terra, a divindade e a humanidade.

Nas civilizações do Egito, Pérsia e nos mundos sumério e semita, bem como posteriormente na Grécia e em Roma, queimava-se incenso como parte dos cultos diários.

Na América Central, o incenso, quase sempre de resina de copal, também assumia o significado de fecundidade, invocando chuva por meio de associação entre a fumaça e as nuvens.

A resina era um símbolo da incorruptibilidade.

A igreja cristã também emprega o incenso em suas cerimônias.

Vejamos, brevemente, como alguns povos lidavam com o incenso:

Sumérios – Babilônios

Queimavam bagas de junípero às deusas Inanna e Ishtar.

Usavam madeiras de cedro, pinho e outras.

A fumaça era interpretada: caso de movia para a direita, previa êxito para a resposta; para a esquerda, assinalava fracasso.

Etruscos

O sumo sacerdote era o único que podia conhecer os sinais dos acontecimentos. Anunciava com toque de trombeta o final de um período e pronunciava o novo tempo queimando o incenso sagrado em braseiros preciosamente adornados.

Gregos

Costumavam incensar as vítimas do sacrifício para torná-la apreciável à divindade.

O incenso era deixado ardendo perenemente em braseiros como oferenda aos deuses, protetores da família e aos antepassados, e queimado na casa dos enfermos com fins terapêuticos.

Romanos

No templo, juntos aos ídolos, os romanos, bem como os gregos, tinham um altar para o incenso (foculus), em sinal de homenagem e adoração.

No culto ao imperador, a incensação possuía valor de reconhecimento da religião e do estado do imperador enquanto deus.

Europeus

Em alguns povoados da Áustria e da Suíça, é queimado nas casas no período entre o Natal e a Epifania, para angariar saúde aos familiares.

Maias

Associavam a resina à Lua, símbolo feminino portador de vida, como o sangue, a linfa, a chuva; também queimavam incenso para exorcizar a seca.

Índios norte-americanos

Queimavam sálvia, cedro, matos e ervas para defumar o ambiente, limpá-lo, livrá-lo das energias negativas e para criar espaço neutro onde poderia ser praticada a magia.

Diversos segmentos cristãos utilizaram o incenso da mesma maneira. Para eles, o olíbano e a mirra são os preferidos.

Incenso, paixão universal

Conforme você pode notar, a utilização do incenso é universal.

É empregado pelas principais religiões e povos de quase todos os continentes e épocas.

O incenso é apreciado pelo seu aroma, pelas suas propriedades terapêuticas e pelo seu poder vibracional.

Todo alquimista pode e deve utilizar o incenso no ambiente onde realiza suas operações, sejam elas laboratoriais e/ou espirituais.

Assim, ele torna o ambiente mais digno e propício à nossa Sagrada Arte.

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7 Replies to “O Uso do Incenso no Antigo Egito e em Outras Culturas”

Raquel

Adorei, muito bom, bem explicado, obrigada.

Edmilson

Muito legal!!

Jurema

Excelente conteúdo, esclarecedor e transmitido de forma clara e concisa. Gratidão.

Mirta Attas

Es e un gran aprendisaje
Invocar a los Diosos como corresponde
Buscare un insensiario como el que UD. nos muestra
Gracias Daniel!!!

Mirta Attas

Daniel la explicasion Valiosisima
Gracias

Tiago

Muito bom e bem explicado
Sabia dissu meio INCONCIENTE AGRADEÇO
VOU APRENDER MUITO

Margarete Peixoto de Carvalho

Muito bom, exelente!