Paracelso, o Espagirista

É impossível estudar alquimia e espagiria sem conhecer Paracelso e sua obra. E é bem provável que você já tenha lido a respeito.

Neste artigo, além de expor um resumo biográfico, apresentamos alguns textos interessantes, pouco conhecidos, a respeito deste mestre espagirista.

Ficaremos em débito com as fontes da pesquisa. Pois, o artigo é fruto de leituras antigas. Na medida que encontrava-mos algo notável, imediatamente era registrado em diário, sem a pretensão de algum dia partilhar neste formato.

RESUMO BIOGRÁFICO

Paracelso, cujo verdadeiro nome era Teophrastus Bombastus von Hohenheim, nasceu em 1493 – mesmo ano em que nasceu Rabelais, com quem ele partilhava inúmeros pontos – em Einsiedeln, perto de Zurique. Ele é considerado o precursor da medicina experimental e um filósofo místico dentre os maiores da Renascença europeia. Ao longo de toda a sua vida aventureira, balizada por viagens e inúmeros encontros, o médico e filósofo suíço chegou a edificar um sistema completo englobando medicina, alquimia e “magia”, sendo que este último termo deve ser interpretado no sentido de filosofia mística.

Professor na universidade de Basileia entre 1527 e 1528, rapidamente abandonou a carreira universitária, embora promissora, para aprimorar seus conhecimentos em peregrinações que o levariam por todas as estradas da Europa – de Estrasburgo a Estocolmo, de Lisboa a Oxford, de Montpelier a Veneza.

A Magia de Paracelso - Alquimia OperativaComo repetirá muitas vezes, aquilo que lhe interessa é bem menos o que se aprende nos livros do que se adquire com as experiências, retendo dos conhecimentos comuns, o que pode ser provado pelo confronto com os fatos. “A arte médica deve ser encontrada não por especulação, mas por revelação inconteste (Labyrinthus medicorum errantium, 1537).” Renunciando aos livros de Avicena e de Galeno, nosso médico não hesita em percorrer as cidades e os campos para encontrar tanto pensadores mais eruditos como camponeses mais humildes. No seio desses últimos, recolhe aquilo a que hoje se chamaria “tradições populares”, em que a magia ocupa um amplo espaço. Dentre essas tradições, ele fará cautelosa distinção entre o que é superstição e aquilo que, ao contrário, resulta de pacientes observações e de receitas comprovadas transmitidas de geração para geração. Ele deseja experimentar – ver com seus próprios olhos aquilo que pode ser útil para o seu próximo. Ajudar, aliviar, curar… Eis o que lhe importa, e tanto pior se a Faculdade não aprova suas pesquisas. Isso lhe valerá além de tudo as piores dificuldades no prosseguimento de sua carreira. “Do dom que vem de Deus procede aquilo que deve ser – aquilo que está conforme a ordem. O que se encontra fora do ensinamento dos homens é magica inventio; é perfeita, e é a mãe do conhecimento de todas as coisas ocultas da natureza.”

A magia celeste não é uma arte; ela é o efeito do poder divino.Paracelso

Assim, Paracelso não se satisfaz com a erudição. Ele não trata das obras de seus contemporâneos e predecessores célebres, como Pico della Mirandola, Alberto o Grande ou Heinrich Cornelius Agrippa, embora as conheça. Ele prefere nutrir sua reflexão pessoal com aquilo que aprende nas suas peregrinações e com isto beneficiar o maior número de pessoas publicando suas diversas obras numa língua comum, ao passo que era o latim a língua de uso em toda a produção escrita da época.

No fim de sua curta vida (Paracelso morre com 48 anos), se distancia pouco a pouco de suas pesquisas médicas e químicas para se consagrar quase exclusivamente a reflexões filosóficas e a experiências místicas. É um homem de fé, de profunda crença, mas só adere com reticências ao credo de sua época. Quando fala de Deus, refere-se à Inteligência Universal e iluminadora, muito mais do que à imagem teológica do Deus dos cristãos: “Quanto à fé, convém fazer distinções. Não se trata da fé no Cristo, da fé que torna feliz; trata-se da fé inata que temos em Deus, o Pai. Não falamos aqui da fé que procura a salvação, mas de uma fé de que não foi tratado até agora, pois a fé no Cristo parte dele e retorna a ele (As doenças invisíveis, IX, 267).” Desnecessário dizer que os teólogos não gostaram muito do procedimento empírico de Paracelso…

PARACELSO, O MAGO

A magia de Paracelso cobre um leque muito amplo de saberes e práticas, a tal ponto que quase se poderia confundi-la de fato com a nossa ciência experimental moderna:

“Muitos livros recheados de coisas inúteis foram escritos a respeito da medicina, da astronomia e de outras disciplinas relativas à natureza. Esses livros carecem ao mesmo tempo de fundamento e de sabedoria. Seria conveniente entretanto dar mais atenção à arte do que a esse palavrório vão. E essa arte se chama magia.” Des grosse Wundarznei, 1536, cap. 8.

Nosso autor é um operativo, e não um especulativo. Ele experimenta tudo o que cai no campo de sua observação: alquimia – ainda que despreze os fazedores de ouro, ele elabora muitos remédios espagíricos -, herbalismo e medicina dos elementos, cirurgia – algumas décadas antes de Ambroise Paré -, magia “natural” e magia “celeste”, enfim. Nesse último campo, ele nos fornece generosamente a chave da criação mental, base de todo o processo mágico no sentido paracelsiano, ao nos dizer:

“A magia celeste não é uma arte; ela é o efeito do poder divino. Quando o mago celeste diz: vou fazer isso – no momento em que ele o diz, já está feito! De fato, aquilo que Deus quer faz-se instantaneamente. Mas isso depende também da fé do mago e da ausência de dúvida na fé.” In probationem artis magicae, in Astronomia magna, 1537-1538.

O “mago”, o místico, não age por si mesmo e para si mesmo, movido por um desejo egocêntrico qualquer. É um intermediário pelo qual a influência divina passa a fim de realizar aquilo para o qual está finalmente destinada. Ele não é a fonte das forças que manipula, mas sabe se colocar no diapasão das influências cósmicas para agir no sentido do bem maior. É o coração, diz Paracelso, que dá à imagem o seu poder de incitação e de impulsão. É o encontro com os poderes do mundo sideral que faz fecunda a ideia, que a torna carregada e a transforma em ato mágico. Para ele, a imagem – aquela que em todo caso responde a um desejo sincero e entra em ressonância com as nossas mais altas aspirações -, a partir do momento em que é produzida e se impõe, pode conhecer uma determinada existência autônoma. Ela se torna então uma força atuante. A imaginação, no entanto, nos lembra ele, é confirmada e aperfeiçoada pela fé.

É preciso considerar Paracelso como um rosa-cruz? Pelo espírito, em todo caso, sem dúvida alguma, e as linhas precedentes deveriam bastar para nos convencer disso. De resto, os autores do Fama Fraternitatis e do Confessio Fraternitatis não se enganaram, fazendo uma homenagem vibrante àquele que revelou a missão de Helias Artista, o profeta que desvelará todos os segredos do mundo. Além disso, ele é o único autor citado no Fama, e alguns cogitam que o “Livro T” descoberto na tumba de Christian Rosenkreutz faz referência à obra do grande Theophrastus (Paracelso).

AS PROFECIAS DE PARACELSO

Paracelso dá o toque final às suas Prognosticatio, ou Profecias, em 1536, período de extrema atividade para o nosso autor, que verá, entre outros, a aparição de Astronomia Magna e de A Grande Cirurgia (Die grosse Wundarznei).

Menos conhecidas que as célebres homólogas de seu confrade Michel de Notre-Dame (Nostradamus), que aparecerão dezenove anos mais tarde, as profecias de Paracelso se revelam ainda mais enigmáticas e, provavelmente, mais profundamente ancoradas numa reflexão espiritual de conjunto. De fato, só podemos ficar atônitos com sua leitura por seu aspecto não apenas profético, como também profundamente espiritual. Apresentadas como uma série de 32 profecias para os 24 anos seguintes, cada uma delas pode servir de apoio para meditação ou, como veremos, como chave simbólica de uso universal.

Éliphas Levi, famoso ocultista do século XIX, as tinha como “o monumento mais assombroso e a prova mais incontestável da realidade e da existência do dom da profecia natural”. São inicialmente 32 xilogravuras originais com conteúdo alegórico, associadas tanto ao contexto geopolítico da época como a arquétipos universais e ao simbolismo medieval tradicional. Outras gravuras em metal, mais finas embora omitindo diversos detalhes, serão realizadas para as edições posteriores. Há também 32 textos misteriosos cujo estilo varia do poético ao imprecatório, cujo sentido foi procurado por gerações de exegetas.

Os textos que acompanham as 32 figuras simbólicas, do tamanho de meia página cada um, foram inicialmente redigidos em alemão e depois traduzidos para o latim na edição de 1580, e pretensamente descrevem eventos que deveriam transcorrer no decurso dos 24 anos seguintes à sua publicação. Uma dúvida persiste quanto ao fato de esses 24 anos (ou mesmo 42, segundo o comentário do autor) serem contados para o conjunto das profecias ou se eles se aplicam a cada um dos 32 capítulos. Nesse último caso, o texto em sua íntegra cobriria um período de 768 anos, concluindo-se em 2354…

O que ao menos pode se dizer é que esses textos mal esclarecem o sentido dos desenhos, mergulhando antes o leitor num abismo de reflexão e questionamento, e era isso o que pretendia Paracelso. Escritos num estilo destinado a sempre deixar abertas alternativas de interpretação, eles ensinam tanto quanto predizem, e cada um pode dessa forma neles buscar aquilo que espera, o que é bem o mínimo que se pode esperar do gênero literário profético.

Se por uma lado Paracelso foi um grande médico e alquimista, por outro ele também tinha um profundo conhecimento de cabala, especialmente da versão cristã. Essa ciência, revelada aos eruditos da Europa pela Academia Platônica de Florença e pelos trabalhos de Pico della Mirandola, se difundirá progressivamente na França e na Alemanha e Paracelso dela se nutrirá largamente para desenvolver sua própria concepção de um esoterismo mesclando a astrologia e a ciência dos números. Assim, o número de suas profecias não pode ser devido ao acaso. São os 32 caminhos da Sabedoria, compostos pelas dez sephiroth e pelas 22 letras hebraicas, que conduzem o adepto aos mais altos graus da Iluminação cósmica. É nesse sentido que é preciso compreender essas Prognosticatio, que são, em nossa opinião, muito mais um convite à meditação sobre os destinos do homem e do mundo do que uma “reles” série de previsões destinadas a curiosos.

Profecias de Paracelso - Alquimia Operativa
Figura 14 das Profecias: Se compreendes que ninguém deve se armar contra os pobres, deixarás então que tua liberdade se afirme diante do teu próximo.

Não podemos reproduzir aqui o conjunto das gravuras que ilustram a obra, mas o leitor interessado poderá facilmente consultá-las na internet. Assim, poderá efetuar seu próprio trabalho de interpretação a partir de um suporte visual de múltiplos recursos, pois essas imagens podem ser vistas tanto como ilustrações de tradicionais profecias aplicadas ao mundo europeu do século XVI como também enquanto chaves simbólicas que podem ainda ser apoio de meditação, convidando a buscar no mais profundo de si mesmo a fonte de uma sabedoria que não pode ser exprimida pelo discurso ou pela razão. Essa dupla destinação permite uma interpretação aprofundada incessantemente, a exemplo de um jogo de tarô cujos símbolos podem se aplicar a tempos sempre renováveis e sempre atuais.

O mundo atual, entregue a perturbações sempre novas e cuja importância talvez não tenha equivalente na história, nos incita também a nos interrogarmos aprofundadamente a respeito do sentido do destino humano. Os povos são inquietos e todos reclamam uma nova perspectiva que não seja apenas o fruto de análises estatísticas e socioeconômicas, pois é à intuição que é preciso recorrer igualmente para responder as questões íntimas que tocam não apenas as ações visíveis que convém empreender, mas também o sentido que desejamos dar às nossas vidas, tanto no individual quanto no coletivo. Paracelso parece nos indicar o caminho, pois ele jamais dissocia em sua obra o procedimento individual prático e a interrogação quanto ao lugar do homem no universo. Dessa forma, ele age como um verdadeiro humanista.

Cada qual pode, ainda que de modo excepcional, empreender um trabalho profético. Para tanto, deve harmonizar sua própria consciência com a Consciência Universal e aliar sua intuição mais elevada às luzes da observação e da razão. Todas as faculdades espirituais e intelectuais do homem devem dessa forma ser solicitadas, sem que se esqueça de nenhuma. Seria bom se o nosso mundo moderno, órfão da parte intuitiva do ser, se lembrasse disso. Assim, mergulhar novamente nos antigos textos de nossos precursores espiritualistas nos permite reencontrar uma fonte viva de inspiração que age como antídoto ao materialismo ambiente. Então, nos caberá atualizar esse espírito, permitindo-nos exprimir, para os tempos atuais, todas as faculdades do nosso ser. Os escritos antigos podem ser percebidos como instantâneos do pensamento vivo que, por sua vez, não cessa de evoluir ao mesmo tempo que o mundo que o reflete.

Consulte todas as figuras da Profecias de Paracelso neste site: http://www.sacred-texts.com/pro/pop/

A SPAGÍRICA DE PARACELSO

O termo spagírica foi introduzido por Paracelso, que com isso indicava aquela arte que ensinava purum ab impuro segregare, ut, reiectis fecibus, virtus remanes operetur (Separar o puro do impuro, a fim de que, eliminadas as excrescências, a virtude remanescente possa operar).

No Paragranum (1530) ele afirmava que as bases estavam no estudo da natureza, das suas leis físicas, telúricas e cósmicas, no exame crítico dos fenômenos biológicos e na preparação dos remédios por meio da química e dava um grande impulso à introdução das substâncias vegetais, tratadas de maneira especial para que delas se pudessem extrair os princípios curativos, tanto em forma de álcoois como de extratos, em substituição dos xaropes e eletuários (preparados pastosos à base de pós e extratos vegetais misturados com mel), até então utilizados.

Com Paracelso iniciava-se a teoria da marcação, segundo a qual o poder curativo de uma droga ou de uma planta encontrava-se em certas complicadas semelhanças entre esta e a doença que se queria afastar. Toda a obra do médico consistia em saber encontrar as substâncias vegetais e minerais que constituíssem o arcano para cada forma mórbida.

O PREPARADO SPAGÍRICO

O preparado spagírico realiza-se segundo o processo filosófico que lembra a “primeira parte” da Grande Obra, descrita na tradição alquímica. Os métodos para realizar a Grande Obra são dois: um, dito via úmida, se desenvolve em um período de tempo muito longo, quarenta dias na maior parte dos casos (numerosos são, com frequência, os anos que transcorrem para que o adepto descubra as chaves que lhe permitam empreender os trabalhos com a certeza do sucesso), e a matéria prima da Obra é fechada em um recipiente em forma de proveta triangular de vidro ou terra refratária, chamado vaso hermético ou ovo filosófico. O outro, dito via seca, se desenvolve mais rapidamente, em três ou quatro dias, e a matéria prima é cozida em um cadinho. O primeiro, mais lento, é bastante seguro; o segundo, mais rápido, é muito perigoso, porque pode produzir explosões particularmente terríveis.

alquimia - Alquimia Operativa

As obras antigas, que tratam do preparado spagírico, falam de ouro potável, preparado amado e precioso de Paracelso e aos seus precursores, que teria o poder de curar todas as doenças e de prolongar a duração da vida. Mas, ainda que se tenha falado muito a respeito desse ouro potável, nenhum dos pesquisadores alquímicos foi capaz, até agora, de prepará-lo. Outros autores, ao contrário, falam de ouro vegetal, flores de ouro ou quintessência, sem fornecer detalhes sobre o procedimento para obtê-lo (o aluno de qualquer escola que ensine alquimia espagírica aprende a elaborá-la).

Há incerteza sobre o nome do preparado, não sobre o conceito base que o caracteriza, pois o fenômeno de putrefação que corroe a matéria opera a separação dos componentes e permite às forças vivas fixar-se ao resultante da calcinação e, ainda, uma vez que todos os elementos que concorrem a esta preparação são de natureza vegetal, estas forças vivas tornam-se assimiláveis pelo organismo.

A separação da matéria da obra, iniciada com o escurecimento operado pelo fogo natural, indica que ela se encaminha para a solução; de fato, quanto mais perfeito se tornar o negro, tanto mais se transformará em solução e os elementos se encontrarão fundidos e naturais.

A putrefação, ao contrário, que corresponde ao segundo grau da transformação, num certo sentido, representa a chave de todas as operações alquímicas, pois quebra as ligações dentre as partes e descobre o interior dos elementos misturados, até tornar claro o que está oculto. Como o trigo apodrece para se dispor a uma nova geração, assim da putrefação nasce a nova vida: solve et coagula (dissolve e coagula).

A ROSA DE PARACELSO

Otexto enigmático das Profecias de Paracelso ultrapassa muito longe aquilo que poderia se esperar de uma simples coletânea de previsões mais ou menos obscuras. A exemplo do seu autor, elas nos propõem, ao contrário, uma reflexão sobre o nosso lugar no mundo e a conduta que se deve manifestar nele para evoluir sempre na direção de mais perfeição e conhecimento.

23 As Profecias de Paracelso - Alquimia Operativa
Figura 23 das Profecias: Assim como as três pessoas de Deus são apenas uma, todos os homens também devem se unir… Consola-te: um dia serás UNO.

À guisa de conclusão, passaremos a palavra à lenda, através de um conto clássico com o nosso profeta alquimista, o qual foi adaptado na forma de novela pelo escritor argentino Jorge Luis Borges. Ele ilustra o silêncio necessário que envolve toda revelação individual, seja ela de natureza profética ou relativa à transformação interior, transportando-nos a uma época em que reflexão e sonho se misturavam estreitamente em vista do desabrochar do reino humano, na terra e no céu…

Um homem, certo dia, veio ter com o ilustre curandeiro e, mui humildemente, lhe perguntou:

– É verdade tudo o que dizem sobre ti? Teus remédios maravilhosos, teus dons extraordinários, teu poder sobrenatural? É verdade que podes devolver a vida às coisas a partir das cinzas delas? Disseram-me que podias ressuscitar uma rosa se a queimasses!

Envolvendo o estrangeiro com um olhar plácido, Paracelso lhe respondeu:

– Amigo, não deves acreditar nessas histórias. Não, de fato não sou nada além de um homem muito pobre que vive nas tribulações e na miséria. O que faço, faço o melhor que posso, com meu coração. Isso é tudo. Mas tu, não dês ouvidos às palavras insensatas. Segue teu caminho e esquece o que te disseram, pois não vale a pena perderes tempo com isso!

Ora, enquanto se exprimia dessa forma, Paracelso revolvia em sua mão um pouco de cinza. O homem insistia:

– Mas esses testemunhos correm de uma cidade para outra: será possível que se possa dizer tantas coisas sem razão? Teu nome está em todas as bocas, que falam também em cura e em prodígio!

– Querido visitante, crê em mim: isso não é nada. As pessoas falam, mas não te inquietes. Repito: segue tua vida, cumpre teu dever, ajuda e ama teus próximos e não esquece de Deus, pois sem Ele não serias nada. Mas deixa essa fábula que disseminam as línguas faladoras e acredita que não sou nada mais que teu irmão entre os homens – este que está aqui diante de ti.

O desconhecido então se retirou. E Paracelso, sem cessar, revolvia as cinzas em sua mão. Seguiu com o olhar o homem que se perdia na distância e, quando sua silhueta se dissipou, ergueu lentamente a mão que havia escondido, onde uma rosa acabava de desabrochar.

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5 Comentários


      1. Daniel, sabes algo sobre pra é ouro coloidal? Sabes sobre ormus? Gostaria que escrevesse sobre.

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  1. Gostei muito deste texto, Daniel. Obrigado pela generosidade de sempre! Além de tudo, achei interessante as figuras “proféticas” de Paracelso.

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