Alquimia

Como surgiram as Plantas, segundo a Alquimia de Paracelso

Daniél Fidélis
Escrito por Daniél Fidélis em 20/08/2019
2 min de leitura
Como surgiram as Plantas, segundo a Alquimia de Paracelso
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Na Alquimia, segundo Paracelso, para se conhecer profundamente o mundo das plantas, é necessário considerá-las em suas relações com o macrocosmo (o universo) e com o microcosmo (o ser humano).

Tal estudo envolve os princípios cosmogênicos, cujos germes em atividade produzem na Natureza os diferentes reinos, o estudo das forças vitais e, finalmente, as correspondências astrais.

Tudo isto nos levará a conhecer a força secreta de cada uma das plantas (neste artigo, abordaremos o reino vegetal).

É o estudo de uma vida inteira, que deve ser conduzido com seriedade e engajamento.

Este é um dos aspectos que eu considero mais interessantes da alquimia.

O estudo da botânica oculta ainda carece de muitas publicações por pessoas realmente experimentadas no assunto, ao invés de meros teóricos, tão comuns nas redes sociais.

Já o conhecimento dos aspectos fisiológicos das plantas em nosso corpo físico é de fácil acesso, amplamente divulgado em publicações especializadas em todo o mundo.

Por este motivo, não temos o assunto como prioridade em nossos treinamentos e publicações.

Mas, não deve ser negligenciado. É dever de cada alquimista buscar esse conhecimento.

Teoria Hermética

Em relação à criação primeira das coisas, os alquimistas entendem que existia um caos no qual estavam prefiguradas as formas de todo o universo. Uma matriz ou matéria cósmica e, por outro lado, um fogo gerador em que a ação recíproca constitui uma mônada, a pedra de vida ou Mercúrio: meio e fim de todas as forças.

Esse fogo é ardente, seco, masculino, puro e forte. É o espírito de Deus levado sobre as águas, a cabeça do dragão, o Princípio Enxofre.

Esse caos é uma água espermática, cálida, feminina, úmida, lodosa, impura: o Mercúrio alquímico.

Em tempos de ativismo é sempre bom esclarecer que a oposição masculino e feminino não tem qualquer relação com homem e mulher. São terminologias utilizadas na literatura alquímica para designar naturezas opostas.

A ação desses dois princípios, no céu, constitui o bom princípio: luz, calor e a geração das coisas.

Estes são os princípios que atuam nos três mundos, segundo a tradição hermética:

  1. No primeiro mundo, o Espírito de Deus, o Fogo incriado, fecunda a água sutil, caótica, que é luz criada ou a alma dos corpos;
  2. No segundo mundo, essa água caótica, que é ígnea e contém o Princípio Enxofre de vida, fecunda a água intermediária, esse vapor viscoso, úmido e gorduroso, que é o espírito dos corpos;
  3. No terceiro mundo, esse espírito, que é fogo elemental, fecunda o éter ígneo, que se chama também água espessa, lodo, terra andrógina, primeiro sólido e misto fecundado.

Ou seja, cada criatura terrestre é formada pela ação de três grandes séries de forças: uma provem do céu empírico, outra do céu zodiacal e a última, do planeta ao qual a respectiva criatura pertence.

Do céu empírico vem a Anima Mundi, o Spiritus Mundi e a Matéria Mundi, vapor viscoso, semente universal e incriada.

Do céu zodiacal vem o enxofre da vida, o mercúrio intelectual ou éter de vida e o sal de vida ou água-princípio, semente criada e matéria segunda dos corpos.

Do planeta vem o fogo elemental, o ar elemental (veículo de vida) e a água elemental (receptáculo de sementes e semente inata dos corpos).

Surgimento do Reino Vegetal

Para que este reino possa manifestar-se em nosso planeta, é necessário que este tenha evoluído até poder ter cristalizado seus átomos em terra sólida, água e uma atmosfera, conforme relato na Torá (B’reshit).

Então, desce uma onda de vida nova, que é o veículo da primeira animação sobre o planeta: ela é, portanto, o símbolo da beleza e é por isso que o reino vegetal corresponde a Vênus e tem por signo representativo a espiral.

Essa vida vegetal resulta da ação recíproca da luz solar e da avidez do enxofre interior. Nenhuma árvore pode crescer sem a força do sol, que é atraída pelo princípio essencial daquela.

Eis aqui como o autor anônimo do livro Lumière d’Egypte explica a evolução do mineral para o vegetal:

O hidrogênio e o oxigênio combinados em água se polarizam e formam uma substância que é o pólo oposto de seu estado inflamável primitivo.

O calor do sol decompõe novamente uma porção infinitamente pequena das águas; os átomos dessa molécula de água iniciam, então, um movimento diferencial, que é o da espiral.

Nesta ascensão, atraem os átomos de ácido carbônico e são atraídos, por sua vez, por estes, de onde se deriva um terceiro movimento: uma rotação precipitada.

Com novas combinações, forma-se, então, um germe de vida física. Sob o impulso de um átomo central de fogo, sendo as forças predominantes do oxigênio e do carbono, essa união produz outra mudança da polarização, em virtude da qual esses átomos são atraídos em direção à terra.

A água recebe-os e desta maneira se forma o primeiro céspede vegetativo. Quando essas primeiras formas de vegetação morrem, os átomos empreendem novamente sua marcha em espiral ascendente, sentem-se atraídos pelos átomos do ar e, pelo mesmo processo de polarização, chegam a formar os líquenes e as plantas cada vez mais perfeitas.

A essência espirituosa do sol – que penetrou até o centro da terra pela atração de cada misto e por coagulação – gerou um fogo aquoso e, em seu desejo ardente de retornar à sua origem, ficou retida ao elevar-se entre as matrizes das espécies mais diversas.

E, possuindo cada uma dessas matrizes uma virtude particular para a sua espécie, em uma se determina por uma criação e em outra, por outra, gerando sempre novas criações à sua semelhança.

Quando essa essência espirituosa se subutiliza de maneira suficiente, esta penetra na superfície da terra e ativa o poder germinativo das sementes.

A mesma teoria consta, de maneira mais concisa, no tratado cabalístico intitulado Les cinquante portes de l’intelligence. A enumeração das portas da década dos mistos é interpretada conforme se segue:

1º – Aplicação dos minerais pela disjuntiva da terra;

2º – Flores e seivas dispostas para a geração dos metais;

3º – Mares, lagos, flores, secreções entre os alvéolos;

4º – Produção das ervas e das árvores;

5º – Forças e sementes dadas a cada um deles etc.

Para concluir esta breve exposição, apresentaremos a teoria de Jacob Boehme, com a qual se descobre uma perfeita identificação com as teorias anteriores.

Criados no terceiro dia pelo Fiat de Marte – que é a amargura, fonte do movimento -, os vegetais nascem do raio de fogo nessa amargura.

Quando Adonai separou a matriz universal de sua forma ígnea e ao querer manifestar-se no mundo exterior e sensível, o Fiat que saiu do Pai, com sua vontade, deu força à propriedade aquosa do enxofre da primeira matéria.

E, já se sabe que a Água, como elemento, é uma matriz atrativa. Portanto, chegamos a um perfeito entendimento entre todas as teorias expostas.

Antes da Queda, os vegetais estavam unidos ao elemento interior paradisíaco. Com a Queda, a santidade fugiu da raiz e permaneceu aderida aos elementos terrestres.

Somente as flores representam o verdadeiro paraíso.

Para aumentar a extensão dos seus conhecimentos, sugerimos a leitura do livro As Plantas Mágicas, que serviu de base para o presente artigo.

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23 Replies to “Como surgiram as Plantas, segundo a Alquimia de Paracelso”

Lueide Moura Bittencourt

Complexo. Uma porta aberta a um conhecimento profundo.

Eliana

AS.plantas tem uma íntima relação com nosso corpo.

Aniruaz

Fantástico, amo os vegetais, as ervas num tinha pensando em ler sobre sua natureza oculta. É meu assunto preferido a partir de agora.
Obrigada pelo despertar em mim o interesse adormecido.
Gratidão

Rosa Santos

Achei super legal,tem a ver com a doutrina agnóstica?

Cynthia Bast

Intenso! Minha busca com relação a botânica oculta e a astrologia na alquimia ainda estão engatinhando… mas vamos devagar e sempre!!!! Parabéns pelo artigo! Fraterno Abraço Cynthia Bast ::

Daniél Fidélis

Olá, Cynthia! Na verdade, é uma só coisa. Grato por acompanhar as publicações.

Sandra

Maravilhoso! Ansiosa para a leitura do livro sugerido.
Obrigada

Ezilda

Muito sério e informativo,principalmente depois da Fontoura Verde

Violeta

Grata 🙏💙

Valdir Bergamo

Muito bom. Fale um pouco sobre os princípios herméticos proibidos ao público, mencionados no Caiballion. “CRUCIFUCAI-OS”. Como só há interessados e possíveis iniciandos aqui, não vejo por que não podem ser ditos somente a estas pessoas. Minhas reverências 🕉️🕉️🕉️

Maria Luisa Paiva Peralta

Gostei muito do artigo, a criação e seus mistérios sendo compreendidos através dos processos alquímicos. Fascinante e instigante!

Lourdes

Excelente conteúdo.

Paula Valeria

Boa noite!Para analisar signos rege plantas e ervas e etc.. analisar caracteristica das plantas e etc.. e ambiente vivem

Maria Regina

Muito bom estudo sobre a Natureza oculta das plantas!

Deborah Bittencourt

Bom dia,sempre impecável nas colocações.Seus textos e informações são a base dos meus estudos.Parabens, pelo trabalho sério e de luz!!🙏

Eliane Vier

Gostei do artigo…
Me identifico com a energia das plantas.

Rostenio Rodrigues de Oliveira

Daniel como sempre uma linguagem só para iniciado, cheio de alegorias, a alquimia revela a essência da alma.

Gisela Kátia Moniz

Tenho uma noção do que representa a Alquimia e os princípios herméticos. Também de outras fontes, recebi uma noção ainda mais vaga de que as plantas são formas de consciência muito próprias. Recentemente, a própria dita «ciência» tem vindo a descobrir que há uma estranha forma de comunicação no reino vegetal, que já levou alguns cientistas a imaginarem a partir desse modelo como poderá ser a vida inteligente alienígena. Também me interesso desde sempre pelos astros e pela Astrologia. Por isso, sim, estou muito interessada em conhecer essa «dimensão oculta».

Fátima

Gostei e acredito que tudo no universo é alquimia.

Zélia

Interessante!

Yuri Gabriel Valente da Costa

concordo com voçe a alquimia deve ser usada pelos merecedores e nao por qualquer um

Mari

Entender a evolução das plantas ajuda a entender os ciclos da própria evolução humana.
Grata

Yuri Gabriel Valente da Costa

muito boa a leitura sou um garoto de onze anos , cujo nome e Yuri Gabriel e estou estudando muito os conceitos alquimicos e estou me aprofundando bastante e peso que lançe outros artigos sobre alquimia