8 Regras de Alberto o Grande aos Alquimistas – Comentadas por Daniél Fidélis - Alquimia Operativa

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Alquimia

8 Regras de Alberto o Grande aos Alquimistas – Comentadas por Daniél Fidélis

Daniél Fidélis
Escrito por Daniél Fidélis em 23/08/2021
8 Regras de Alberto o Grande aos Alquimistas – Comentadas por Daniél Fidélis
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Alberto o Grande (Alberto Magno ou, ainda, Frater Albertus) é considerado o maior intelectual, o maior alquimista e o maior teólogo de sua época. Foi mestre de São Tomás de Aquino (que também merece um artigo em nosso site).

Alberto nasceu no ano de 1193, em Lauingen (Alemanha). Integrou a Ordem dos Dominicanos (da Santa Igreja Católica) e se tornou Bispo. Além de Alquimista, foi professor de Filosofia e Teologia.

Escreveu diversos tratados, tanto alquímicos quanto filosófico-teológicos.

Faleceu em Colônia, no ano de 1280.

Séculos mais tarde, o também alemão Adam Weishaupt reconheceu Alberto como o maior filósofo e teólogo da Idade Média (maliciosamente apontada como idade das trevas pelos ideólogos inimigos do Altar e da Coroa).

Alberto o Grande produziu dezenas de obras sobre diversos assuntos. Dentre as publicações sobre Alquimia e Astrologia, algumas se destacam:

  • Theatrum Chemicum;
  • Libellus de Alchimia;
  • Speculum Astronomiae;
  • De Alchimia;
  • Compositum de Compostis;
  • Entre outras obras…

O “Composto dos Compostos” é a sua publicação alquímica mais importante.

➜ Conheça o “Guia Prático de Alquimia – como montar e operar um laboratório alquímico”, de Frater Albertus, uma de suas publicações com linguagem mais acessível.

Eis as oito regras ou conselhos do sábio mestre Alberto o Grande para todos os discípulos da Arte Real:

  1. Deve o alquimista ser silencioso, discreto, e não revelar a ninguém o resultado de suas pesquisas e operações;
  2. Habitar longe dos homens, em casa particular, onde destine dois ou três cômodos às sublimações, soluções e destilações;
  3. Escolher bem o tempo e horas convenientes a seu trabalho;
  4. Ser paciente, perseverante e assíduo até o fim;
  5. Executar, segundo as regras da arte, a trituração, a sublimação, a fixação, a calcinação, a dissolução, a destilação e a solidificação (coagulação);
  6. Possuir recipientes de vidro ou cerâmica envernizada, pois os licores ácidos (aquae acutae) atacam os vasos de cobre, ferro e chumbo;
  7. Ter proventos suficientes para comprar todo o necessário para as operações;
  8. Evitar toda relação com príncipes e grandes.

Originalmente, essas regras foram publicadas no “Libellus de Alchimia”.

Abaixo, compartilho alguns breves comentários, conforme o entendimento que suponho ter alcançado.

1 – Deve o alquimista ser silencioso, discreto, e não revelar a ninguém o resultado de suas pesquisas e operações.

Comentários:

Perseguições sempre existiram, em todas as épocas, independente da religião dominante. São frutos da ignorância, do medo diante do desconhecido.

Mestre Alberto, um Sacerdote Católico, tinha consciência de que a Sagrada Arte não é opositora das Sagradas Escrituras. Ao contrário do que muitos supõem (mesmo na atualidade), a Alquimia tem uma relação de proximidade com a Fé Cristã e com boa parte das Religiões.

No entanto, alguns setores do estudo alquímico – notadamente os “mágicos” – fazem fronteira com caminhos ocultos que flertam com as trevas.

Como os não-iniciados desconhecem esses limites, muitos acabam por generalizar como “engano” toda a nossa Arte.

Então, segundo o mestre, é mais seguro proceder com discrição e silêncio sobre tudo o que se estuda e pratica, a fim de se evitar interpretações que pudessem colocar a liberdade e a própria vida em risco.

Ainda hoje, guardada as devidas proporções em relação à integridade física, é aconselhável seguir a regra do silêncio.

Não comente, de forma indiscriminada, todos os seus interesses em relação às atividades herméticas. Mesmo no seio familiar, seja cauteloso. Quanto menos interferências e julgamentos sociais, melhor será para a sua tranquilidade e paz interior.

Que você seja reconhecido pelos frutos, pelas atitudes iluminadas. Não pelo discurso ou da promoção de si mesmo.

2 – Habitar longe dos homens, em casa particular, onde destine dois ou três cômodos às sublimações, soluções e destilações.

Comentários:

A regra nº 2 é uma consequência da primeira. É extremamente necessária quando o estudante se dedica aos aspectos laboratoriais da Alquimia ou da Espagiria.

Por mais que o operador seja discreto e silencioso, não conseguirá evitar os desprendimentos gasosos que determinadas operações produzem.

Muitos alquimistas, ao realizarem experimentos com o enxofre (o mineral), foram confundidos com invocadores de demônios.

Por essa e outras razões, Alberto recomenda que o alquimista viva afastado o suficiente de modo a garantir que suas atividades não cheguem ao conhecimento de outras pessoas.

E, que esse lugar seja próprio e espaçoso.

Quando o imóvel é alugado, o proprietário tem o direito de realizar vistorias a fim de verificar se está sendo utilizado conforme o acordado. Essa é uma prática antiga.

Atualmente, essa vistoria deve ser agendada. Logo, o morador tem tempo hábil a fim de realizar possíveis adequações.

Se no passado um alquimista poderia ser confundido com um “operador das trevas”, hoje pode ser, facilmente, associado à produção de substâncias ilícitas.

O local deve ser espaçoso a fim de tornar os procedimentos mais seguros e melhor organizar as tarefas. Isto é válido para quase todos os ofícios, sejam eles herméticos ou não.

Quando comecei, a casa onde eu residia era alugada e não dispunha de um cômodo específico para as atividades laboratoriais, nem as espirituais. Tudo era distribuído pelos cantos da casa.

Acredito que essa seja a realidade da maioria das pessoas atualmente. Mas, com algumas adaptações, é perfeitamente possível realizar todas as práticas sem chamar a atenção.

3 – Escolher bem o tempo e horas convenientes a seu trabalho.

Comentários:

Esta regra tem uma implicação de ordem astrológica e, outra, de ordem prática.

Todo estudante de alquimia sabe que as plantas possuem sua regência planetária e que cada um dos sete planetas está em estreita relação com o seu respectivo metal.

➜ Nesta série de artigos, apresentamos a listagem de ervas medicinais e suas regências astrológicas.

Com o objetivo de melhor aproveitar a impregnação astral, o operador executa as operações com determinada planta (ou metal) nos dias e horários que estão sob a regência do seu planeta correspondente.

O cuidado com o momento astrológico mais propício também pode se estender à dimensão espiritual da alquimia.

A questão de ordem prática está relacionada à possibilidade de se realizar uma tarefa, laboratorial ou ritualística, sem interrupções.

Portanto, o alquimista deve ser organizado e aprender a planejar tudo o que será feito.

Assim, ele garante que conseguirá concluir o seu trabalho sem a necessidade de interromper devido a outras obrigações (profissionais, familiares ou pessoais).

4 – Ser paciente, perseverante e assíduo até o fim.

Comentários:

Atualmente, este é o ponto mais crítico, verdadeira pedra de tropeço de todo candidato aos mistérios herméticos. Pois, definitivamente, a impaciência é um dos males deste século XXI.

Para a pessoa impaciente, a espera é uma espécie de tortura.

➜ Consideramos a questão da impaciência tão relevante, que publicamos um artigo inteiramente dedicado ao tema.

Em matéria de evolução espiritual, é praticamente impossível perceber, objetivamente, sua conquista. Por isso, a pessoa impaciente, supondo não estar colhendo qualquer resultado, desiste de empreender esforços.

O estudante de alquimia, assim como qualquer místico ou pessoa religiosa, deve focar no estudo, na prática e na oração sem a preocupação com resultados imediatos.

Uma maneira bastante eficaz de verificar o nosso real progresso, é observar como reagimos nas diversas circunstâncias que a vida nos reserva.

O candidato ao Adeptado, portanto, deve perseverar, deve ser assíduo em seus esforços até o fim de sua vida terrena. Deve ser um fiel combatente. Pois, inúmeras forças contrárias tentarão persuadi-lo a desistir.

5 – Executar, segundo as regras da arte, a trituração, a sublimação, a fixação, a calcinação, a dissolução, a destilação e a solidificação (coagulação).

Comentários:

A quinta regra tem um caráter puramente técnico. Executar “segundo as regras da arte” é proceder conforme manda a Tradição Alquímica.

Atualmente, é comum que os químicos, biólogos, farmacêuticos e todos aqueles que permanecem restritos à metodologia científica, tal como ensinada no meio acadêmico, encontrem dificuldades na consecução do trabalho alquímico de laboratório.

A alquimia não é uma arte puramente material.

Ainda que trabalhemos com a matéria e a submetemos a processos semelhantes aos conduzidos em um laboratório científico, o alquimista não rejeita a realidade espiritual e a sacralidade de toda a criação.

Esse componente vibratório, frequentemente, nos leva a proceder de forma a contrariar o método científico. E, é neste ponto onde os “acadêmicos”, quando decidem trilhar o caminho alquímico, tropeçam.

Não é que o alquimista rejeite a metodologia científica. Pelo contrário. Apenas não é plenamente aplicável aos procedimentos alquímicos.

Portanto: conforme manda a Arte!

6 – Possuir recipientes de vidro ou cerâmica envernizada, pois os licores ácidos (aquae acutae) atacam os vasos de cobre, ferro e chumbo.

Comentários:

Outra regra de natureza técnica.

Nos primórdios da alquimia, na Suméria, os recipientes empregados nas operações eram construídos de argila e impermeabilizados interiormente com substâncias naturais.

Com algumas variações, esse tipo de material permaneceu em uso por muito tempo, até a descoberta do vidro (provavelmente, pelos egípcios). Mas a substituição da argila pelo vidro não foi imediata.

Inicialmente, o vidro era fabricado em forma maciça. Somente por volta do ano 2000 a.C. é que passou a ser utilizado na fabricação de recipientes ou vasos, utilizando-se uma forma de barro.

Como era uma tecnologia nova e bem custosa, eram poucos que tinham acesso.

Com o aperfeiçoamento das técnicas e ampliação do uso, se tornou cada vez mais acessível. Hoje, está ao alcance de todos.

7 – Ter proventos suficientes para comprar todo o necessário para as operações.

Comentários:

É uma regra óbvia e, ao mesmo tempo, negligenciada, tanto no passado quanto no presente. Por isso, merece figurar nas exortações do mestre e que comentemos sobre a questão.

Alberto está se referindo às operações metálicas. Estas requerem um alto investimento, inclusive em ouro, que sempre foi muito valioso, devido à sua escassez.

Por isso, muitos aprendizes começavam o aprendizado no laboratório do seu próprio mestre, caso encontrasse um caridoso, até obter o conhecimento e os recursos necessários para trilhar o próprio caminho.

Muitos negligenciam a realização material. Sob a alegação de que este ou aquele iluminado era pobre, ocultam a sua falta de interesse em prosperar, a ponto de serem negligentes.

O alquimista não deve negligenciar as conquistas materiais. Assim, será capaz de prover a si mesmo e à sua família, todas as necessidades para que vivam de forma saudável e confortável.

A consequência dessa realização é a tranquilidade para que possam se dedicar à Arte Real, montando sua biblioteca, seu oratório e seu laboratório.

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8 – Evitar toda relação com príncipes e grandes.

Comentários:

A oitava regra tem uma relação com a anterior.

Quando o alquimista empregava todos os seus recursos financeiros no laboratório, a ponto de contrair elevadas dívidas, um desses caminhos eram considerados:

Desistir – sem meios de providenciar o necessário e, ao mesmo tempo, honrar seus compromissos pessoais, era comum que os candidatos ao Adeptado desistissem de suas pesquisas.

Frequentemente, alegavam ser um caminho enganoso, ao invés de reconhecerem a própria incompetência ou não serem merecedores.

Recrutar alunos – essa era uma prática bem frequente e a mais nobre. Assim, o alquimista tem condições de dar prosseguimento aos seus estudos e, ao mesmo tempo, transmite os preceitos alquímicos para aqueles que estão no início do caminho.

Trabalhar para um Nobre – essa era a opção mais perigosa, segundo o sábio Alberto o Grande. Colocando-se a serviço de um Nobre ávido em aumentar as suas riquezas materiais, o alquimista corria o risco de se tornar um escravo, recluso em um castelo, até que fosse capaz de entregar o vil metal.

Boa parte dos alquimistas acabavam na miséria ou mortos.

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