Alquimia e Astrologia: A Importância dos Astros no Trabalho Alquímico

O grande Paracelso insistia sobre o princípio de que todo bom médico deveria ter conhecimentos em astrologia e alquimia.

Ou seja, deve considerar a medicina segundo os astros, para compreender aos astros superiores e aos inferiores. Como a medicina não tem validade se não é do céu, esta deve derivar do céu…

Por exemplo, tudo aquilo que diz respeito ao cérebro é conduzido ao cérebro pela Lua. Aquilo que diz respeito ao baço, flui até este ponto por meio de Saturno. Tudo o que se refere ao coração é conduzido até ele por meio do Sol. Desta maneira, os rins são governados por Vênus, o fígado por Júpter, a bilis por Marte.

– Paracelso, Paragranum

O que é astrologia? Deixemos a explicação, novamente, à Paracelso:

Astrologia. Esta ciência ensina e interpreta segundo o firmamento inteiro, como é a relação com a terra e com o homem segundo a ordem primordial, e qual é a relação entre o homem, a terra e os astros.

– Paracelso, Astronomia Hermética

A astrologia é uma parte integrante da alquimia.

Muitas operações de laboratório, sejam elas espagíricas ou puramente alquímicas, devem principiar em momentos bem específicos, de acordo com: a fase da lua, a regência de determinado planeta, ou uma estação do ano.

Por isso, todo aspirante a alquimista deve empreender um estudo criterioso da astrologia. Especialmente no que diz respeito aos “arquétipos” planetários, suas características e regências sobre a vida na Terra.

Desde tempos remotos, o ser humano tem se conscientizado de que existe uma relação de todas as coisas sobre a terra com os astros, ou seja, com o cosmos.

Não obstante, por uma excessiva superficialidade, a astrologia perdeu muito de sua dignidade. Mas, pode ser recuperada e estudada seriamente por pessoas responsáveis e preparadas.

Qualquer que seja a atitude do estudante de alquimia, neste momento, a respeito da astrologia, não podemos excluir (na apresentação dos métodos da espagiria) uma análise que explique de que modo devemos considerar as influências dos astros na alquimia.

Alguns exemplos


Um jardineiro experiente sabe muito bem que semeia-se e planta-se segundo a posição dos astros (sobretudo da lua).

Sabe, também, aquele que vinifica, que deve-se engarrafar sempre quando a lua é minguante (preferivelmente no mês de março).

Essa influência é muito evidente no caso dos animais selvagens: estes mostram claramente, nos modos mais variados, como seus ritmos de vida estão regulados pelos corpos celestes.

Vejamos alguns exemplos: um exemplo bem conhecido é a pontualidade lunar do Palolo Viridis, um verme do Oceano Pacífico. Vive nas pedras de coral das ilhas de Samoa, Fiji, Tonga e Ilhas Gilberti.

Os habitantes destas ilhas, uma vez por ano, preparam seus barcos para um evento que se repete com pontualidade astronômica.

Na noite do dia anterior, no último quarto da lua, nos meses de outubro e novembro, as partes posteriores dos corpos (macho e fêmea) do Palolo Viridis se desprendem e chegam à superfície da água, onde tem lugar a fertilização.

Então, os pescadores podem recolher estas partes, em torno de 25 cm, sem dificuldade e em grande quantidade.

Existem outros fenômenos análogos.

Por exemplo, J. Goldborough Mayer observou que a Eunice Fucata, outro tipo de verme comum no Oceano Atlântico, próximo da Flórida, alcança a maturidade no mês de julho e que seu afloramento sexual ocorre durante o primeiro e o último quarto da lua.

Durante a lua nova, os ovários dos ouriços mediterrâneos alcançam o máximo de desenvolvimento.

Já nos anos 1920 – 1921, Henry Monroe Fox se dedicava à investigação da periodicidade lunar na reprodução do Centrichinus Setosus em Suez.

Na Alemanha, Hauschka continuou os experimentos iniciados por Herzeelen, os quais demonstravam que a formação de certos minerais nas plantas tem ocorre segundo as constelações solar e lunar.

São, também, notáveis os experimentos de L. Kolisko. Ele observou que, tanto a germinação vegetal quanto a cristalização de certos sais minerais, demonstravam claras relações com certas constelações dos astros.

Todos conhecem os efeitos lunares no ser humano. Especialmente a lua cheia. Como ela é regida pelo elemento água, sua ação na Terra e no Homem é patente. Pois, tanto nosso planeta quanto nosso corpo são compostos, majoritariamente, pela água.

O ensinamento de Paracelso


Segundo o nosso Grande Mestre, a excelsa medicina apoia-se em quatro pilares:

  • Alquimia
  • Astrologia
  • Filosofia
  • Virtude

A astrologia, segundo pilar da medicina espagírica (e residência superior da Filosofia), permite o conhecimento total do Homem.

A compreensão e o conhecimento dos corpos celestes por uma parte, e do mesmo cosmos inferior por outra, se correspondem: Trata-se de um mesmo firmamento, de um só astro, de uma natureza e essência únicas.

O Céu atua sobre o corpo interior do Homem, como atua sobre os elementos.

Segundo Paracelso, as enfermidades são decorrentes dos desequilíbrios dos quatro elementos. E a dinâmica de tudo isso estão em íntima relação com as regências celestes.

Afirma, também, que cada enfermidade requer não só um remédio específico como, também, um médico específico (Liber Paragranum, nossa obra de referência aqui).

Ao longo de sua obra, fica incontestável a necessidade de compreendermos a dinâmica e as inter relações entre os astros, os elementos e as substâncias com o biorritmo da vida terrestre.

Sabemos que o Céu atua em nós. Como identificar esta ação, se não conhecermos as propriedades terrestres? Todo conhecimento é astral.

O astral é a arte que nasce da sabedoria celeste.

O “médico” e o alquimista deve ser astral. Assim, saberá discernir o Céu no Homem. Se ele conhece somente o Céu exterior, será apenas um astrônomo e astrólogo (palavras de Paracelso).

Mas, se realiza nele o equilíbrio destas duas ciências, conhece os dois Céus. São conhecimentos indispensáveis.

É preciso que ele possua o conhecimento que relacione cada órgão, cada função do corpo humano com o zodíaco.

O Céu exterior nos indica, pois a natureza do Céu interior. Quem pode intitular-se alquimista ou “médico” se ignora o Céu exterior? Vivemos no mesmo Céu.

Mas, Paracelso também afirma que a relação entre o firmamento e o Homem é analógica, não direta. Os raios não atuam diretamente em nós (com exceção do Sol).

Trata-se de um assunto demasiado longo e complexo. Estudem o Liber Paragranum.

A Radiestesia confirmando a influência astrológica


Para provar o influxo astral sobre tudo o que vive, apresento duas experiências realizadas por L. Chaumery e A. de Bélizal (dois grandes radiestesistas do século XX):

1° experiência – Foram colhidas, no mesmo momento, duas plantas diferentes que, submetidas ao pêndulo, deram, cada uma, duas vibrações:

a) Uma vibração própria, devida à espécie;

b) Uma vibração comum, resultante das influências astrais que impregnavam essas duas plantas no momento em que foram cortadas.

2° experiência – Foram colhidas duas plantas semelhantes, mas em intervalos de tempo diferentes. Foi constatado:

a) Uma onda característica comum às duas plantas;

b) Duas ondas distintas que, logicamente devem ser atribuídas ao envio dos raios astrais no momento da colheita.

Se, então, as plantas sofrem essas influências misteriosas, deve acontecer a mesma coisa com os humanos.

A astrologia ensina-nos que a criança, ao nascer, recebe uma impressão astral que ela conservará por toda a vida.

Esta impressão lhe dará uma espécie de tendência, um caráter particular que se comporá com todas as outras influências astrais à medida que prosseguir na vida.

Isto, no entanto, não tende a negar o livre arbítrio. Pois, cada indivíduo, pela sua vontade, terá sempre a possibilidade de reagir conforme o seu próprio juízo.

Com a planta ocorre algo parecido: no instante em que é separada do pé, conserva as ondas que a impregnavam neste momento preciso, com a diferença, no entanto, que ela não pode mais reagir.

Para ela é, agora, o estado de imobilidade. Ela é presa a esta radiação que se compõe com o que lhe é próprio.

O segredo da medicação pelas plantas seria então de colher estas últimas no momento em que elas são impregnadas da maior radioatividade astral.

O céu é o Homem, e o Homem é o céu; Todos os Homens são um único céu e o céu é um só Homem.”

– Paracelso

Para fechar…


Espero que o artigo tenha cumprido a sua função: despertar o interesse e reconhecer a importância da astrologia em nossa Arte.

Abordaremos, em artigos mais a frente, a regência que cada planeta exerce sobre as principais ervas medicinais. Um verdadeiro guia para orientar o seu trabalho alquímico espagírico com ervas.

No final, será disponibilizado um guia impresso, para que você possa tê-lo sempre ao alcance das mãos em suas práticas espagíricas.

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11 Comentários


  1. ótimo artigo,me convenceu .(assim como é em cima é embaixo).

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  2. Muito bom, gostaria de receber a apostila citada ao final do artigo.

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  3. Excelente artigo, gratidão por compartilhar. Já estou na espera dos próximos.

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  4. Taí o algo a mais que sempre quis saber, algo que vá além da matéria. Aliás, adoraria saber como identificar cada medicamento com cada pessoa, a qual dos quatro elementos o medicamento ou a planta se relacionam. Vamos aguardar, já foi um bom início

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  5. Excelente artigo com explicações objetivas; Quero continuar a leitura e se tiver as referências ou sugestões de livros para leitura será bem vindo!
    Gratidão por compartilhar esse valioso material e conhecimento.

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  6. Como sempre uma escrita simples e esclarecedora, agora sim fez sentido para mim esta mistura de plantas com astrologia! Esperando ansiosamente pelos próximos artigos!
    Obrigada!

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