Alquimia: O Archeus da Água

Archeus ou Archaeus, do grego archeios, governante, é um termo cunhado por Paracelso para denotar o sentido de uma força vital e um agente de direção. O Archeus da Água é essa força vital da água.

Ele se torna manifesto ou livre pela separação e purificação dos Quatro Elementos e subsequente separação e purificação dos Três Princípios dos elementos, seguidas da recombinação dos princípios e em seguida dos elementos.

Os Físicos e particularmente os Filósofos Espagíricos chamam-no de agente universal, e é específico a cada indivíduo; o que põe a Natura em movimento, dispõe os germes e as sementes dos seres sublunares a produzir e a multiplicar as suas espécies. – Dom Pernety

Segundo Toni Ceron, Arqueus, de Arqueu, Arquétipo. É o ponto de coesão que contém a potência e a força de regulação dos processos vitais, a formação e a renovação dos tecidos e dos órgãos.

É o artesão interior da saúde, o coração dos processos contidos na tela da vida.

SUBSTÂNCIAS CONFORTADORAS


Eis o que diz Paracelso:

O que devemos saber sobre as substâncias confortadoras é ensinado pela explicação do Archeus, que é semelhante à do Ser Humano e se encontra em permanência nos Quatro Elementos de tal modo que não há senão um Archeus distribuído em quatro partes.

Este é o grande mundo, magnus cosmus, e o Ser Humano é o pequeno mundo, e um é semelhante ao outro. É deste grande mundo que é produzida a força confortadora.

Assim, o que procede do coração do Archeus reconforta o coração do Ser Humano.

Não é o Mercúrio nem o Enxofre, nem o Sal que produzem esta força confortadora. É o coração dos Elementos que a faz nascer. Ela emana do Archeus.

Nos elementos encontra-se a força e a potência que da semente produz a árvore. Enquanto que do Archeus nasce a força pela qual a árvore vive, subsiste e se fortifica.

Se as ervas se sustêm e permanecem direitas, por uma força exterior como se pode constatá-lo com os olhos, é uma força semelhante nos animais, pela virtude da qual andam, se apoiam e se movem.

Para além desta força, há ainda uma outra não exposta à vista, pela qual se conserva são e válido o que nela reside.

Trata-se do Espírito da Natura, sem o qual toda a coisa perece. Este Espírito permanece fixo no seu corpo e é ele que reconforta igualmente o Ser Humano.

Assim, a força de cada membro do Archeus flui no Microcosmo por meio dos alimentos vegetais destinados a reconfortá-lo.

O ALIMENTO E O ARCHEUS


Tudo pré existe no invisível archeus. Imagem e forma primordiais, saúde e doenças.

Somos e tornamo-nos no que comemos, e comemos o que somos e o que nos vamos tornar. Quer seja o alimento ou os pensamentos, quer seja as emoções, somos o que é o alimento e ele mesmo vem tomar forma em nós, estruturar-se segundo o nosso archeus interior.

Nós comemo-nos a nós mesmos, porque tudo o que para nós é um alimento, é ele mesmo o que nós somos. – Paracelso

O alimento restitui-nos a nossa forma. Contém nele a forma da nossa imagem que, é sem cessar, esculpida pelo nosso artesão interior, o nosso Archeus, a nossa forma primordial.

O nosso Archeus é uma determinada essência em nós, semelhante ao fogo. É desta essência que se sustentam a nossa forma e a nossa imagem.

Por conseguinte, se não aumentássemos a imagem do corpo e se nada lhe acrescentássemos, este extingui-se-ia numa imagem envelhecida. É por isso que é necessário que nos comamos a nós mesmos, afim de que não morramos por defeito de forma.

A SEMENTE E O ALIMENTO


A chuva possui a árvore em si, do mesmo modo o suco da terra possui esta árvore nele. A chuva é a sua bebida, o suco da terra o seu alimento pelo qual cresce. O formador e o modelador estão na semente, na madeira, no licor da chuva, etc.

Este artesão existente na madeira pode, destas duas coisas (licor e semente), formar madeira.

Temos dois corpos, que são verdadeiramente apenas um corpo. Mas são creados segundo um modo duplo: segundo a semente e segundo o alimento. E este corpo alimentar é semelhante ao corpo espermático.

Assim, a semente está ligada ao suco da terra, ao Úmido ou Mercúrio Radical, ao licor, à seiva que sobe que é o Mercúrio Volátil, semelhante ao Mercúrio Volátil da natura que aqui é a chuva.

A semente nada é. Possui somente nela o princípio no qual se encontram a forma, o artesão, a natura e a propriedade. Se deve crescer, então a chuva, o licor e outras coisas produzem a erva.

É por isso que nela (na semente) se encontram os caules, as folhas e as flores. Todas as coisas vivem para a conservação da sua forma, e é por causa da destruição desta que elas sentem a fome e a sede, de modo que, por estas, a imagem se encontra restaurada e renovada.

O Archeus manifesta-se pelas duas formas mercuriais: Úmido ou Mercúrio Radical e Mercúrio Volátil. Estas permanecem ligadas aos dois outros princípios da tríade alquímica: ao Enxofre pelo Mercúrio Volátil e ao Sal pelo Mercúrio Radical.

EXPERIMENTO COM O ARCHEUS DA ÁGUA


Criar o Archeus da Água é uma introdução muito boa aos Quatro Elementos e à prática da purificação por meio da arte da destilação, ao mesmo tempo que se produz uma forma de água muito ativa e potente.

Essa é uma água altamente potencializada.

Quanto mais eu pratico a Alquimia Espagírica, mais eu me sinto animado com as possibilidades de aplicação desta multi milenar e sagrada arte.

Há algumas semanas, um forte vento derrubou um pequeno pé de amora, aqui no quintal de casa.

Quando eu percebi, no outro dia no final da manhã, as folhas já estavam murchosas e vários galhos quebrados. E, mesmo antes disso acontecer, já parecia que ele não iria durar muito.

Coincidentemente, estava terminando de preparar o Archeus ou Archaeus da Água.

Então, tive a ideia de cortar dois galhos e deixar dentro de um balão. Dentro do balão, o Archeus da Água combinado com água de poço.

Duas semanas depois, as folhas se mostraram saudáveis e surgiram 2 ou 3 brotinhos. Dentro do balão, pequeninas raízes começaram a crescer.

Veja a imagem:

archeus-da-agua

Devemos aguardar por uma tempestade onde aja bastante trovoada. Devemos recolher essa água de trovoada. Está rica do elemento fogo. Uma água que vem diretamente do céu e passa pelos trovões.

Após um mês de putrefação, submetemos essa água a sucessivas destilações e, de um modo bem particular, trabalhamos os quatro elementos.

O resultado do processo é uma água poderosa, com elevado nível energético com múltiplas possibilidades de aplicação.

Então, para recuperar minha amoreira, juntei a água celeste com a água da terra.

Mesmo sem ter procedido em conformidade com os sábios da agricultura em relação ao “local correto do corte”, os resultados foram positivos.

Além do desejo de compartilhar esse experimento com você, leitor(a) do blog, quero ressaltar a importância de colocarmos em prática tudo o que aprendemos. Tudo o que é possível aplicar no dia a dia.

E é com esse sentimento que eu quero animar você a aplicar ou continuar aplicando o que vem aprendendo.

É maravilhoso quando colocamos a mão na massa e testemunhamos os princípios da natureza em ação…

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2 Comentários


  1. Ótimo artigo! Bastante científico e ao mesmo tempo muito místico; claro, toda ciência é magia. Compreendi a ideia de archeus e é mais um conhecimento que adquiro.
    Obrigado e boa sorte.

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  2. Tema muito interessante e consegui ser esclarecedor.
    Bom artigo e o muito obrigada.
    A vida é mesmo magica ….
    Atenciosamente

    Responder

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